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Conheça Sky Brown, fenômeno de 11 anos do skate que busca vaga olímpica

Britânica é um talento da modalidade e garante que pratica o esporte sem pressão: 'É meu playground'

12 set 2019
04h47
atualizado em 13/9/2019 às 19h53
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O capacete azul como o céu é a marca registrada de Sky Brown, britânica de 11 anos que tem boas chances de representar sua nação na estreia do skate nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O talento precoce chama atenção de qualquer um que a vê numa pista. Ela vai disputar o Mundial de Skate Park, em São Paulo, em busca de pontos para o ranking olímpico. Mas isso não significa pressão para ela.

"Estou aqui para me divertir e o resultado não é o mais importante. Meu sonho nessa competição é conseguir fazer as minhas manobras e realizar bem minha linha. Se fizer tudo bem, ficarei feliz", disse ao Estado a simpática garota, que já é patrocinada por grandes marcas e ocupa a 9.ª posição no ranking mundial.

Stuart, pai de Sky, é britânico, mas mudou-se para o Japão há 19 anos. Sua esposa Maiko é japonesa, mas eles acabaram optando pela bandeira britânica por causa do contato que receberam do Comitê Olímpico de lá. "Eles nos procuraram e disseram que seria uma honra ter a Sky representando o País, mas sem qualquer pressão. Isso pesou na nossa escolha", conta Stuart.

Se representasse o Japão, que vai receber a Olimpíada em casa, a responsabilidade em cima da criança seria muito maior. Outro ponto é que para a Olimpíada cada país pode ter no máximo três atletas por gênero e em cada modalidade. Sendo britânica, a concorrência que Sky tem é bem menor. "Para mim, o legal é que vou representar um país e competir no outro que também é minha nacionalidade", diz Sky, que terá torcida em dobro caso se classifique pata Tóquio-2020.

Ela tomou gosto pelo skate - e também pelo surfe - por influência do pai. Eles moram em Miyazaki, no sul do Japão, um local com belas praias e natureza exuberante. "Escolhi as duas modalidades porque eram as mais divertidas", diz Sky, que consegue ir muito bem também em cima da prancha nas ondas em frente a sua casa.

Só neste ano, a menina já rodou por 20 países diferentes. Seus pais e o irmão Ocean, de 8 anos, estão sempre juntos. Em casa, os únicos resultados que são cobrados são da escola. "Se não for para ser divertido, vamos parar. Não é para ter frustração nessa idade. Acho que os pais precisam ajudar os filhos a realizar seus sonhos. Se ela quiser ser dançarina, vamos apoiá-la. Somos rígidos apenas com a escola", lembra Stuart.

Ele tem a possibilidade de trabalhar pelo computador quando está em viagem com Sky. E brinca sobre as escolhas dos nomes dos filhos (em inglês Sky significa céu e Ocean quer dizer oceano). "Eu me chamou Stuart e é um nome que não tem significado. No Japão, os nomes possuem significados e pensamos nesses nomes a partir disso", revela.

O quarteto está no Brasil há algumas semanas e adorando essa vivência na capital paulista. "É muito legal aqui e as pessoas estão sempre sorrindo", afirma Sky, que também sorri com frequência. "Todos são legais com a gente e estou adorando a comida. É maravilhosa, principalmente o açaí", continua a menina, que também gostou das churrascarias paulistanas.

Nesse período fora, Sky estuda e faz as lições da escola. Os pais não abrem mão dos estudos. No Japão não existe ensino em casa, mas a menina conta com o apoio da escola para poder viajar para competições. Mas se as notas começarem a piorar, a situação muda. Por isso ela mantém o pique também em cima dos livros.

Sky parece saber muito bem o que quer da vida. "Eu quero ir para a Olimpíada. E meu sonho também é poder ensinar crianças a surfar e a andar de skate", conta a menina, que já fez coisas parecidas quando esteve no Camboja e em Cuba. Para ela, seu esporte não é perigoso. "Não penso nisso, penso na diversãro. É o meu playground", diz, abrindo um lindo sorriso.

Estadão
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