Brasil é esperança de 1º pódio para a América Latina nos Jogos Olímpicos de Inverno
Lucas Pinheiro Braathen, Nicole Silveira e Pat Burgener são os nomes que mais geram expectativa em Milão e Cortina
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo começam oficialmente nesta sexta-feira, 6, quando ocorre a abertura do evento, em edição na qual o Brasil chega com a expectativa de viver momentos históricos. As chances de medalhas são reais em pelo menos três modalidades, e ainda há esperança de resultados inéditos em algumas competições.
O nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, nos Jogos de Turim-2006, ainda é a melhor colocação brasileira em Olimpíadas de Inverno.
A empolgação de 2026 não é só brasileira, pois um pódio do País seria também o primeiro da América Latina. O principal candidato ao feito inédito é Lucas Pinheiro Braathen, que até 2024 competia pela Noruega.
Já em Cortina quem ergue o símbolo brasileiro é Nicole Silveira, pilota de skeleton, modalidade que consiste em descer um pista de gelo sinuosa deitada de bruços em um trenó pequeno, com a cabeça para frente. A gaúcha de 31 anos também gera expectativa, principalmente por causa de seus três bronzes em etapas de Copa do Mundo e do quarto lugar no Mundial de 2025.
"Foi muito emocionante receber o convite para ser uma das porta-bandeiras. É um orgulho enorme e uma honra poder levar a bandeira do Brasil nesse palco grandioso, especialmente nos esportes de inverno, em que o nosso país vem crescendo. Esse momento representa muito da trajetória que estou construindo ao longo dos anos. E, claro, ocupo esse lugar com responsabilidade, porque hoje o Brasil é um país respeitado no cenário esportivo. Isso mostra ao mundo que é possível lutar para chegar ao topo", disse Nicole.
O suíço-brasileiro Pat Burgener completa o trio mais badalado da delegação brasileira, até porque é um dos principais nomes da modalidade snowboard halfpipe mundial. Filho de mãe libanesa. Ele vive sua primeira temporada representando o Brasil após a troca de nacionalidade e conquistou um bronze pelo Brasil em etapa de Copa do Mundo neste ano.
Apesar de poucas chances de medalha, o bobsled, a famosa corrida de trenó do filme 'Jamaica Abaixo de Zero', também está entre as modalidades que valem prestar bastante atenção. A equipe liderada por Edson Bindilatti, em sua sexta participação olímpica, espera superar o top 20 alcançado em Pequim-2022 na prova 4-men - disputada em trenó com quatro pessoas -, depois de receber novos equipamentos que a deixa em condições mais parelhas frente aos adversários com mais tradição no esporte.
Apoiada financeiramente pelo COB, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) comprou um trenó 4-men de fabricação letã por 75 mil euros (cerca de R$ 456,1 mil na cotação atual). Os veículos mais caros, fabricados na Alemanha, podem chegar a 130 mil euros (R$ 790,5 mil).
"A gente sempre deu tudo o que os atletas precisavam em termos de estrutura e logística, mas essa aquisição de trenó foi algo a mais. A gente teve uma parceria específica com o Comitê Olímpico, que conseguiu casar para a gente fechar essa aquisição", explica Gabriel Karnas, diretor executivo de Esportes da CBDG.
O Brasil terá 18 representantes em Milão-Cortina. No bobsled, Bindilatti terá a companhia de Davidson de Souza, o Boka, Luís Bacca, Rafael Souza e Gustavo Ferreira. Além de Lucas Pinheiro, o esqui alpino terá também a participação de Christian Oliveira, Giovanni Ongaro e Alice Padilha. Pat Burgener tampouco está sozinho, pois Augustinho Teixeira é outro a competir no snowboard half pipe. Eduarda Ribera, Bruna Moura e Manex Silva serão os competidores do esqui cross-country.