Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Olimpíada 2016

Poluição e obras: legado da Olimpíada de 2008 é questionável

10 out 2014 - 11h09
(atualizado às 11h10)
Compartilhar
Exibir comentários
Poluição quase "esconde" estádio mesmo para quem está dentro do Parque Olímpico
Poluição quase "esconde" estádio mesmo para quem está dentro do Parque Olímpico
Foto: Allan Brito / Terra

Se o Brasil quiser organizar uma Olimpíada que deixe um grande legado ao País, não deve se espelhar na China. O país asiático gastou uma fortuna (mais de R$ 60 bilhões), mas não conseguiu deixar uma boa herança para a população após Pequim 2008. Muitas medidas foram provisórias, como o controle da poluição, e outras simplesmente não foram colocadas em prática, como o aproveitamento de obras faraônicas, como o Cubo d'Água. Todos esses problemas têm sido perceptíveis durante a passagem da Seleção Brasileira por Pequim, onde acontecerá o amistoso contra a Argentina, neste sábado, pelo Superclássico das Américas.

O que mais chama atenção e afeta os jogadores é a poluição em Pequim. A cidade tem uma espessa camada de fumaça e poeira que cria um ambiente intragável para qualquer cidadão. Ao olhar para cima, é difícil até enxergar prédios que estão a uma quadra de distância. Existem dois fatores que causam isso: as indústrias e os carros.

A China tomou atitudes radicais contra eles por causa da Olimpíada e conseguiu melhorar ligeiramente esse cenário. Mas atualmente o quadro está até pior que em 2008. Em 2014, o índice de Qualidade do Ar de Pequim atingiu 755 pontos. O limite razoável da medição é no máximo 500, patamar aproximado da época da Olimpíada.

Seleção faz treino de muitos gols em campo reduzido:

Para os atletas isso é terrível, afinal eles precisam mais de oxigênio do que as pessoas comuns. Mas eles têm um preparo prévio e muitas orientações da comissão técnica. A principal medida é a hidratação, o que aumentou o número de intervalos nos treinos, que agora acontecem a cada 15 minutos ou menos.

E mesmo assim a poluição tem incomodado demais: "para respirar é complicado. Parece que você está perto de uma fogueira e ficar respirando fumaça é complicado. Mas não tem como driblar e não podemos dar desculpa, porque vão dizer que jogador ganha bem para isso", comentou o atacante Robinho, em entrevista nesta quinta-feira.

Aliás, a Seleção Brasileira vai jogar em um local que é símbolo de outro problema do legado olímpico chinês: o Estádio Ninho de Pássaro é uma das obras que não conseguiu ter um bom aproveitamento depois da Olimpíada.

Pequim tem apenas um time na primeira divisão chinesa, o Beijing Guoan, que prefere mandar as partidas no Estádio dos Trabalhadores, principalmente por causa da localização. Então o Ninho depende de outros eventos alternativos para se sustentar e já recebeu partidas de jogadores veteranos e até um rodeio, em 2011.

Cubo d'Água tem obras em todos seus arredores
Cubo d'Água tem obras em todos seus arredores
Foto: Allan Brito / Terra

Mas o problema não é só o estádio. Ele fica em uma região chamada de Parque Olímpico, onde também estão localizados o Cubo d'Água e a torre Ling Long Pagoda. O primeiro tem vários canteiros de obra até hoje e não se consolidou como um local para treinos ou competições. Virou um atrativo como parque aquático, cheio de brinquedos curiosos, que atrai muitos turistas no verão. Já a torre recebia estúdios de televisão, que ficavam alocadas em diferentes andares. Mas agora é sede de eventos esporadicamente e dificilmente é usado com 100% da capacidade.

Outro benefício questionável da Olimpíada foi a abertura do país a estrangeiros. A cultura chinesa sempre foi mais fechada, mas isso começou a mudar por causa dos Jogos, pois os chineses aprenderam a receber milhares de pessoas no país. Mas é algo questionável porque ainda é raro encontrar pessoas que falem inglês, por exemplo, o que causa muitos problemas para quem não entende mandarim, a língua local.

Pontos positivos

Para não dizer que não falei das flores: Pequim melhorou em quatro pontos de forma realmente satisfatória. O primeiro impressiona turistas logo na chegada, pois o aeroporto internacional é muito grande, moderno e bem organizado, um dos melhores do mundo.

A diminuição do trânsito também aconteceu graças a medidas adotadas antes da Olimpíada 2008. A rede de metrô expandiu de forma incrível e também aumentaram as ciclovias na cidade, criando novas alternativas de transporte e desafogando o movimento dos carros.

Os outros dois pontos positivos têm alguma ressalva, mas merecem a celebração: o número e qualidade dos hotéis aumentaram bastante, ainda que muitos quartos fiquem vazios em alguns períodos do ano; e os comércios têm crescido de forma incrível, mas esse é um processo que já acontecia mesmo antes da Olimpíada, pois a China resolveu se abrir para o mundo em prol de melhorias na economia. São apenas esses pequenos pontos postivos que o Brasil pode observar para fazer uma Olimpíada com ótimo legado em 2016.

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade