Infantino propõe repasse milionário a federações em meio a pressões na Fifa
Chefe da Uefa declarou que futebol 'não precisa de imperadores'
Visando conter pressões e assegurar sua reeleição em 2027, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, propôs repassar milhões de dólares às 211 federações-membros. A iniciativa ocorre após o fracasso de seu plano de privatização da Copa do Mundo e em meio a fortes atritos com a Uefa, que pediu a liberação de ao menos US$ 10 milhões por país. O valor final será debatido em outubro pelo Conselho da entidade, enquanto Infantino tenta apaziguar a oposição e manter sua liderança.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, indicou nesta terça-feira (29) sua intenção de distribuir milhões de dólares às 211 associações-membros da entidade máxima do futebol mundial.
Em carta enviada às seis confederações continentais, citada por múltiplos veículos de comunicação, o dirigente ítalo-suíço garantiu que apoiará "o nível máximo de financiamento adicional que possa ser fornecido de forma responsável".
"Não vou pré-julgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser disponibilizado de forma responsável através do processo de governança adequado da Fifa, aplicado de forma justa e apoiado por mecanismos transparentes e auditáveis. A ambição é bem-vinda. As evidências financeiras, a governança e a implementação devem agora sustentá-la", declarou o dirigente.
A proposta de Infantino surge em meio à crescente pressão decorrente do fracasso de seu plano de privatização da Copa do Mundo. Além disso, a medida foi interpretada nos bastidores como uma tentativa do gestor de apaziguar as federações e assegurar seu mandato na liderança do futebol mundial.
O valor exato a ser repassado a cada país estará em pauta na reunião do Conselho da Fifa no próximo dia 15 de outubro. A Uefa e a Concacaf solicitaram à entidade que distribua ao menos US$ 10 milhões a cada associação-membro a partir de suas reservas financeiras.
Apesar da crescente oposição, Infantino planeja continuar no comando da Fifa, cargo que ocupa há uma década. Aos 56 anos, o dirigente confirmou sua candidatura em meio a severas críticas à sua gestão e sob a ameaça de processos judiciais.
Em uma velada referência a Infantino, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, declarou que o futebol "não precisa de imperadores". Embora seja um dos principais opositores do atual chefe da Fifa, o dirigente esloveno afirmou, em entrevista ao podcast The Rest is Politics, que não disputará a presidência do órgão nas eleições de março de 2027, para as quais Infantino é, no momento, o único candidato oficial.
"Sim, nós crescemos, inovamos e aprimoramos nossos clubes e competições, mas nunca nos esqueçamos de que o futebol é maior do que aqueles que o administram. Nós somos seus guardiões, não seus donos. Ninguém tem o direito de vender o seu futuro", declarou Ceferin.
Paralelamente, a Fifa enviou uma petição a um tribunal da Flórida, nos Estados Unidos, acusando a Uefa de orquestrar uma "campanha de desinformação" a respeito do plano, agora retirado, de abrir a entidade ao capital privado. A federação internacional alega que a confederação europeia tenta "influenciar indevidamente" o pleito do próximo ano. .
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