Vozinha: ex-goleiro do Brasil analisa 'segredos' do astro de Cabo Verde, que enfrenta a Argentina
Carlos Germano, ídolo do Vasco e convocado à seleção na Copa do Mundo de 1998, compara métodos de treino e relembra quais foram seus 'dias de Vozinha'
Vozinha volta a entrar em campo por Cabo Verde nesta sexta-feira, 3, para enfrentar a Argentina na segunda fase da Copa do Mundo de 2026, com mais uma chance de fazer história. 'Muralha' do empate com a Espanha na primeira rodada, ele já provou que a atuação na estreia não foi um golpe de sorte e já agrada a grandes nomes da posição, como Carlos Germano, ídolo do Vasco e com nove jogos pela seleção brasileira.
Em entrevista ao Estadão, o ex-goleiro destacou quais pontos mais admira no cabo-verdiano e o que é mais importante para um atleta que defende a meta brilhar em um torneio com concorrência tão forte. Ainda, relembrou quais foram seus 'dias de Vozinha' quando jogava e como a cobertura midiática da época poderia ter descoberto outros tão bons e subvalorizados quanto ele era antes do Mundial.
Para Carlos Germano, o mais importante em um arqueiro não é necessariamente fazer defesas milagrosas ou demonstrar puro reflexo, mas o quanto ele domina a posição. O primeiro a mostrar isso na Copa, segundo ele, não foi nem Vozinha, mas sim Alireza Beiranvand, do Irã, na partida com a Bélgica.
"A tranquilidade dele, a colocação e a saída de bola aérea; o cara foi perfeito", avalia o ex-goleiro, adicionando que o iraniano fez o jogo "parecer fácil". "Ele estava sempre pronto para praticar a defesa. O goleiro não é ação, é reação. E ele estava sempre reagindo aos ataques do time adversário. Se tomasse uma decisão antecipada, poderia ser pego desprevenido. Parecia que estava sendo fácil", explica.
Juntar tranquilidade a jogo com os pés resulta em um goleiro nível de Copa do Mundo. O importante é parecer que não faz esforço. "Quando se está bem colocado e a bola em seu raio de ação, você não faz esforço para praticar defesa. Só quando sai um pouquinho é que faz aquelas que a gente gosta de fazer, mas é sempre melhor jogar seguro. A colocação e tranquilidade são fundamentais", analisa.
O 'dia de Vozinha' de Carlos Germano contra Romário em 1996
Se comparar o nível da seleção brasileira com a cabo-verdiana, ser convocado para uma Copa do Mundo com a amarelinha é um feito maior, mas Carlos Germano, com humildade, conta que já teve seus 'dias de Vozinha' na década de 1990. E uma delas em um clássico sempre importante para a torcida vascaína.
"Eu encarnei o Vozinha em um Vasco x Flamengo, acho que no retorno do Romário para o Brasil e a estreia dele pelo Flamengo contra o Vasco. Esse jogo no Maracanã termina 0 a 0. Aquele foi meu dia, estava inspirado", relembra o ex-goleiro.
O motivo de tantos estarem em evidência é a evolução dos treinos, segundo o ídolo do Vasco, que tratam o arqueiro como parte do trabalho de toda a equipe. "É uma coisa que a gente não fazia antigamente. A única forma que a gente participava era com os coletivos, que hoje estão praticamente extintos", conta.
"Antes, você fazia 10 quedas para cada lado, depois mais 15. Hoje são seis, sete no máximo, mas com muita velocidade e tempo de reação. E quando eu era treinador de goleiros do Vasco, eles faziam o trabalho de posse de bola, com os pés, sempre utilizando esse jogador", segue. Em suma, o treino de defesas hoje é quase incorporado ao tático e de outros fundamentos, e o resultado é visto na Copa do Mundo.
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