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Universidades e organizações usam álbum de figurinhas para debater problemas sociais no Brasil

Racismo estrutural e população em situação de rua são alguns dos temas que são abordados com base na febre da Copa do Mundo

16 dez 2022 - 20h10
(atualizado às 21h11)
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Inspiradas pela "febre" de colecionar figurinhas da Copa do Mundo, universidades e organizações não-governamentais criam álbuns para chamar a atenção para problemas sociais do País, como o racismo estrutural e a população em situação de rua.

A Universidade Zumbi dos Palmares, que trabalha pela inserção de pretos e pretas no ensino superior, criou o Álbum Antirracista. A publicação digital conta a história de 62 jogadores que já foram vítimas de discriminação e estão disputando (ou disputaram) a Copa do Mundo no Catar. Sete deles são brasileiros (Neymar, Gabriel Jesus, Éder Militão, Alex Sandro, Fred, Richarlison e Vinicius Junior).

Os jogadores ocupam as mesmas posições do álbum original, com destaque para as conquistas de cada um deles. A mensagem simbólica é que o racismo não foi capaz de apagá-las. A publicação traz ainda uma petição para pressionar a Fifa a banir os países em que acontecerem atos racistas da próxima Copa. "A intenção foi alertar para a existência do racismo construído a partir do apagamento da contribuição do negro para o esporte e mostrar a resistência até no álbum de figurinhas", afirma o professor José Vicente, Reitor e Diretor Geral e Acadêmico da Faculdade Zumbi dos Palmares.

O problema é recorrente. Momentos após a eliminação do Brasil na Copa do Catar, Vinícius Júnior foi alvo de comentários racistas. Por meio das redes sociais, o jogador Ivan Alejo, do Cádiz, da Espanha, usou emojis de dança e de macacos para comentar sobre o resultado do duelo entre brasileiros e croatas. Momentos após a publicação, Alejo apagou o tweet.

Em setembro, Pedro Bravo, presidente da associação de empresários de jogadores da Espanha, disse em uma emissora de TV que o atacante brasileiro tinha que parar de "fazer macaquice" em campo. De acordo o relatório anual do Observatório de Discriminação Racial, os casos de racismo no futebol brasileiro já chagavam aos 64 até o mês de agosto. O número a marca de 2021.

Uma das histórias do álbum é de Larissa Nascimento, mulher trans de 49 anos que vive no Centro de Acolhida Casa Florescer, na região central. "Nunca me encaixei nos padrões exigidos pela sociedade. Desde antes da minha transição eu já sofria bullying por não me encaixar no típico biótipo masculino. Eu sei da importância do futebol para o Brasil, mas para mim sempre foi um meio muito machista e segregador", relata Larissa.

A mulher trans Luani Gabrielly Nogueira, de 29 anos, afirma que se sentiu não só acolhida, mas "vista". "Vivi preconceito familiar e fui expulsa de casa. Na rua, a gente vive uma situação de ser invisível", conta a autônoma que sonha ser enfermeira.

COMO CONSEGUIR OS ÁLBUNS?

Na página https://albumantirracista.com.br/, será possível fazer o download da versão digital do álbum. Quem deseja ajudar a causa das pessoas em vulnerabilidade pode fazer uma doação, de qualquer valor, pelo site spinvisivel.org/selecaoinvisive e completar o álbum. Todos os doadores receberão a versão completa do álbum "Seleção Invisível".

Estadão
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