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Uefa mantém ameaça de boicote e quer saída imediata de Infantino mesmo após pedido de desculpas

Federação europeia não recua e irá investigar se dirigente concordou em vender ações da Copa do Mundo a investidores por valores abaixo do mercado

6 ago 2026 - 12h44
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A Uefa está determinada em conseguir uma saída imediata de Gianni Infantino da presidência da Fifa. A federação europeia não foi convencida pelo pedido de desculpas do dirigente pelo plano fracassado de criar uma subsidiária para vender ações a investidores e mantém a ameaça de boicote às competições da entidade caso o dirigente permaneça no cargo.

Segundo o o jornal britânico The Telegraph, a Federação Inglesa de Futebol (FA) continua determinada a derrubar Infantino após o dirigente rechaçar um pedido de renúncia em reunião com a alta cúpula da Fifa em Rabat, no Marrocos, nesta quarta-feira, 5. Os dirigentes do futebol europeu e da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) trabalham para garantir apoio suficiente para desencadear a saída do cartola ítalo-suíço ou apresentar um candidato viável à presidência.

Já o canal de televisão britânico Sky News informou que a Uefa não mudou sua posição e ameaça não participar de torneios da Fifa. A federação europeia rejeitou a credibilidade da declaração emitida pela entidade máxima do futebol e afirma que as "condições não foram cumpridas" para o fim do boicote à Copa do Mundo.

Por sua vez, o The Guardian afirma que a Uefa planeja encomendar uma avaliação independente após suspeitas de que Infantino tenha concordado em vender os lucros futuros do torneio por um valor abaixo do mercado.

Em 28 de julho, a Fifa anunciou o plano de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), um braço comercial da entidade para vender ações de torneios da entidade, como a Copa do Mundo, para investidores.

A proposta previa a criação de uma subsidiária, a Fifa Forward Enterprise (FFE), para gerir os direitos comerciais das competições. A ideia era vender de 20% a 30% do novo braço comercial, a investidores privados — entre eles, a empresa de private equity de Josh Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para convencer o colégio eleitoral do futebol mundial, a Fifa havia estruturado um plano inicial de repasses às 211 federações nacionais filiadas, em programa denominado Fifa Fast-Forward (FFFP). Para financiar esta primeira fase, a FFE pretendia captar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no mercado.

Lideradas pela Uefa, federações de diferentes partes do mundo manifestaram preocupação com a condução do processo e a falta de transparência na proposta, abandonada pela Fifa em 31 de julho após a forte repercussão negativa.

Em carta enviada às filiadas na quarta-feira, 5 de agosto, a entidade reconheceu erros na forma como tratou o tema e pediu desculpas. Ao mesmo tempo, afirmou que não irá mais "tolerar quaisquer ataques à sua integridade", recado interpretado nos bastidores como um alerta aos dirigentes que articulam pela saída de Infantino.

Estadão
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