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Tite afirma que grupo pediu que Brasil não sediasse Copa América: 'Ficamos à mercê'

Técnico critica organização do torneio e repete manifestação da seleção feminina por 'assédio não' após acusação contra presidente afastado da CBF

12 jun 2021 19h28
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O técnico da seleção brasileira, Tite, criticou a organização da Copa América no Brasil e revelou que os atletas chegaram a pedir que o País não recebesse o torneio. Segundo o treinador, a demanda foi levada a Rogério Caboclo, presidente da CBF que está afastado, mas não foi aceita. Tite também lamentou a politização do torneio.

O Brasil se ofereceu à Conmebol para ser sede da Copa América após as desistências da Colômbia, por conta de protestos sociais, e da Argentina, por conta da situação ruim do país na pandemia. Com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Brasil foi anunciado pela Conmebol como a casa do torneio, o que desagradou aos jogadores da seleção por conta da pouca informação que receberam. Os atletas chegaram a cogitar um boicote, mas terminaram soltando um manifesto no qual prometem jogar.

"Pedimos antes ao presidente da CBF. Eu pedi, os atletas pediram, o Juninho pediu antes de ser definida que ela (a Copa América) fosse no Brasil. Nós fomos leais e pedimos antes. Antes de levar ao presidente da República, ao país, colocamos essa situação que não gostaríamos, pelo respeito, por tudo o que estava envolvendo, por um lado sentimental. Ficamos à mercê, pediram tempo para nós, aí a situação ficou definida e ficamos expostos. Esse é o real, o que acompanhei em relação a essa situação toda. Então decidimos nos manifestar de forma conjunta, mas já que ela foi definida, temos orgulho do nosso País, de representar a Seleção, eu tenho orgulho de ser técnico da Seleção", contou Tite.

O técnico criticou a decisão de mudar o torneio de sede 13 dias antes do início. "Quando um campeonato é feito de forma atabalhoada, rápida, excessivamente como a Conmebol fez, ela está sujeita a isso. E vai mudar de novo. Vai modificar de novo. Independentemente do país que fosse", disse.

Ainda assim, o treinador reforçou que vai cobrar dos atletas o máximo de empenho para ser campeão. "Colocamos que somos contrários à realização da Copa América e não vai ter desculpa agora. Não tem bengala, muleta. Vai jogar. Vamos nos cuidar da melhor maneira possível e vamos jogar com a exigência. (Disse a eles:) "o técnico vai cobrar, vocês vão nos cobrar a nossa performance, porque é essa nossa responsabilidade, foi isso o que optamos", contou.

O técnico ainda lamentou o viés político que as manifestações contra a Copa América acabaram tomando. "Isso aqui não tem viés político nenhum, isso aqui tem uma crítica direta à Conmebol e a quem decidiu da CBF ser a Copa América aqui. Ela (a crítica) não tem viés político e eu tenho um respeito muito grande a tudo isso e à minha história. Eu não tenho partido político nenhum ao longo da minha trajetória, não tenho, sempre votei em pessoas, não partidos, por isso me sinto em paz para falar. Politizaram essa situação, infelizmente politizaram", afirmou Tite, que virou alvo de ataques de bolsonaristas nas redes sociais após ficar claro que os jogadores eram contra a Copa América.

Por fim, Tite ainda reforçou o protesto da seleção feminina após as acusações de assédio moral e sexual contra Rogério Caboclo. Na última sexta (11/6), as jogadoras entraram em campo para um amistoso contra a Rússia com uma faixa dizendo 'Assédio não!', depois de publicarem um manifesto na internet sobre a situação.

"Eu tenho uma opinião e vou repeti-la. O fato é gravíssimo. Assédio não! Tenho respeito à coragem da funcionária por um assunto tão difícil ser exposto. Eu torço para que a Justiça de todos os envolvidos venha de forma clara e justa", disse Tite. Caboclo foi afastado por 30 dias pelo Conselho de Ética da CBF.

Estadão
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