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Seleção alemã de futebol não vai mais jogar em países que discriminam mulheres

Proposta do novo presidente da Federação impede que as equipes nacionais disputem jogos em localidades onde mulheres não têm acesso a estádios

8 nov 2019
18h10
atualizado em 9/11/2019 às 16h07
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O presidente da Federação Alemã de Futebol, Fritz Keller, informou em artigo publicado no jornal Die Welt de quarta-feira ter apresentado um projeto que impede a seleção alemã de jogar em países onde mulheres não têm acesso aos estádios de futebol ou outras instalações esportivas de forma discriminatória.

De acordo com Keller, a proposta foi aprovada por unanimidade na diretoria da Federação. "Precisamos entrar em discurso juntos no futebol alemão para responder a perguntas complexas de maneira diferenciada. Quais valores são inquebráveis ??para nós? Os direitos das mulheres, por exemplo", afirma o dirigente no artigo.

Fritz Keller foi eleito presidente da DFB em setembro, substituindo Reinhard Grindel, que renunciou em abril após escândalo envolvendo o recebimento de presentes de luxo. Keller fez parte da diretoria do SC Freiburg desde 1994, e havia assumido a presidência do clube em 2014.

Polêmica

No texto, Keller comenta ainda a recente controvérsia envolvendo os jogadores de origem turca na seleção da Alemanha. Em outubro, o meia Ilkay Gündogan e o volante Emre Can geraram polêmica por curtir postagem no Instagram que mostrava jogadores da Turquia fazendo uma saudação militar como celebração de um gol. Gündogan e Can, posteriormente, removeram a curtida da publicação e negaram apoio à ação militar no país.

Em julho de 2018, Mesut Özil, também de origem turca, anunciou sua aposentadoria da seleção alemã. Ele alegou ser alvo de discriminação por parte da Federação após um encontro entre ele e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. "O direito à liberdade de expressão é indispensável e protegido constitucionalmente. Nenhum clube, e certamente a DFB, pode ou irá proibir seus membros de expressar opiniões dentro da estrutura dos valores de nossa constituição. Por razões esportivas, no entanto, uma politização desproporcional das equipes deve ser interrompida", disse Keller ao Die Welt. "Não devemos mais fingir que esses desafios sociais e esses desenvolvimentos políticos globais não existem".

Estadão
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