Ronaldinho renasce e pode rever ‘desafeto’ Guardiola em Mundial
Eleito melhor jogador do mundo em 2004 e 2005, o meio-campista Ronaldinho Gaúcho foi peça essencial na ascensão do Barcelona rumo ao topo do futebol europeu na última década. Entretanto, depois de uma temporada de insucesso, o atleta brasileiro perdeu parte de seu prestígio no clube catalão e, em 2008, acabou negociado com o Milan. Atual treinador do Bayern de Munique e comandante da equipe blaugraná naquela ocasião, Josep Guardiola foi um dos maiores defensores da transferência.
Pouco mais de cinco anos depois de sua venda ao time italiano, o camisa 10 pode reencontrar o técnico no Mundial de Clubes desta temporada. Com o título inédito da Copa Libertadores da América, o Atlético-MG, de Ronaldinho Gaúcho, conquistou uma vaga no torneio internacional, que já tinha lugar garantido ao Bayern de Munique, último vencedor da Liga dos Campeões da Europa.
Contratado pelo Barcelona em negociação com o Paris Saint-Germain, em julho de 2003, o atleta brasileiro chegou ao clube catalão credenciado pelo título da Copa do Mundo de 2002. Para assegurar a transferência do meio-campista, o time blaugraná precisou superar a concorrência de grandes adversários, como Real Madrid e Manchester United, e desembolsar 32,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 95,2 milhões, em valores atuais).
O alto investimento realizado pelo Barcelona não demorou a dar retorno e Ronaldinho se tornou um referencial técnico dentro de campo. Atuando pela faixa esquerda do gramado e tendo auxilio de jogadores como Samuel Eto’o e Deco, o brasileiro conduziu o time catalão rumo ao bicampeonato espanhol (2004/2005 e 2005/2006), bi da Supercopa da Espanha (2005 e 2006) e Liga dos Campeões (2006).
Além dos títulos, o camisa 10 ainda acumulou conquistas individuais, sendo eleito melhor jogador do mundo em dois anos consecutivos (2004 e 2005). O desempenho tornou o atleta gaúcho em ídolo dos torcedores catalães e o fez chegar a Copa do Mundo de 2006 como destaque da Seleção Brasileira, que ainda contava com nomes como Ronaldo, Kaká, Adriano, Roberto Carlos e Cafu.Apesar de sucumbir na disputa do Mundial em território alemão, onde acabou eliminado pela França nas quartas de final, o meio-campista ainda realizou mais uma boa temporada pelo Barcelona, em 2006/2007. Porém, o desempenho do brasileiro caiu na sequência dos meses, rumores sobre saídas frequentes a noite catalã tomaram conta dos noticiários e o meio-campista perdeu parte do prestígio conquistado.
Em fase de transição, o clube espanhol acertou a saída do treinador holandês Frank Rikjaard e contratou Josep Guardiola para a temporada 2008/2009. Logo em sua chegada, o novo técnico solicitou a venda de Ronaldinho, Eto’o e Deco, alegando que seria o melhor para o planejamento de mudança de estilo do time blaugraná. O camaronês ainda permaneceu por mais um ano antes de ir para Internazionale, mas o brasileiro e o português foram negociados com Milan e Chelsea, respectivamente.
Depois de passagem frustrada pela equipe italiana, ficando fora, inclusive, da Copa do Mundo de 2010, Ronaldinho acertou seu retorno ao Brasil, em janeiro de 2011, para atuar pelo Flamengo. No entanto, em junho do último ano, o meio-campista rescindiu com o clube carioca por problemas financeiros e acertou com o Atlético-MG.
Aos 33 anos, o camisa 10 vive sua melhor fase desde que deixou o Barcelona. Principal armador do time alvinegro, Ronaldinho é responsável por ditar o ritmo da equipe dirigida por Cuca dentro de campo e ainda é um dos líderes no vestiário. Embalado pelo momento, o atleta gaúcho chega ao Mundial de Clubes em bom momento da carreira.
Organizado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado), o torneio será realizado em Marrocos e ocorrerá entre 11 e 21 de dezembro deste ano. Além de Bayern de Munique e Atlético-MG, outros três clubes já tem vaga garantida na competição: Monterrey (México), Auckland City (Nova Zelândia) e Raja Casablanca (Marrocos). O confronto entre brasileiros e alemães, Ronaldinho e Guardiola, será possível apenas em eventual final.
Vencedor da última edição da Liga dos Campeões, o clube bávaro passa por fase de transição depois da saída de Jupp Heynckes e chegada de Guardiola. Assim como fez na equipe catalã, o treinador busca fixar o estilo de valorização da posse de bola e escolheu o esquema tático 4-1-4-1. Em relação ao time que venceu o torneio continental, a principal mudança é a entrada de Thiago Alcântara, ex-Barcelona, na vaga de Javi Martínez.