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Rogério Ceni e Mancini: farinha pouca, meu pirão primeiro

Técnicos fazem escolhas que vão na contramão do discurso da categoria

19 out 2021 10h54
| atualizado às 11h01
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Rogério Ceni e Vagner Mancini têm muita coisa em comum. São técnicos de potencial, competentes e com títulos importantes no currículo, o que os credencia como candidatos a ocupar o posto na Seleção brasileira nos próximos anos. Há outros pontos que os conectam e isso ficou comprovado mais recentemente, quando o primeiro assinou contrato com o São Paulo e o outro, com o Grêmio.

Rogério Ceni assumiu o São Paulo após a demissão de Crespo
Rogério Ceni assumiu o São Paulo após a demissão de Crespo
Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Entre os treinadores de futebol do País, numa discussão que já se estende por décadas, existe o clamor de que o trabalho deles precisa de uma garantia mínima e que não podem ficar tão expostos ao humor dos dirigentes de clubes.

A CBF tentou ajudá-los com a decisão de que no atual Brasileiro, uma vez demitido o técnico, cada equipe só poderia contar com um substituto até o final da competição.

Essa questão diz respeito também à relação que esses profissionais estabelecem com os clubes. Por extensão, só podem reivindicar se têm uma posição firme que justifique isso. Essa cartilha não foi seguida pela dupla. Mancini deixou o América-MG de supetão ao aceitar proposta do Grêmio. Não pesou em sua decisão a luta sem tréguas do clube mineiro em se manter na Primeira Divisão e deixar para trás a fama de sobe-cai-sobe-cai.

Já Ceni comandou treino no São Paulo horas depois da demissão de Hernán Crespo, num claro indício de que sua negociação com o Tricolor do Morumbi vinha em curso mesmo com o argentino ainda no comando da equipe. Em 2019, Ceni saiu do Fortaleza no meio do Brasileiro para treinar o Cruzeiro, gesto idêntico ao de Mancini com o América-MG.

Como sua passagem pelo Cruzeiro foi muito ruim, logo acabou desalojado de Minas. Numa atitude até surpreendente, o Fortaleza o aceitou de volta e Ceni, então, disse que cumpriria seu novo contrato até o fim, ressaltando que o episódio no Cruzeiro havia servido como lição de vida. Que o quê! Em 2020, o Flamengo fez o mesmo, pôs uma mala de dinheiro em cima da mesa, e ele não hesitou – largou o Fortaleza pelo meio do caminho novamente.

Ceni e Mancini têm tudo para obter bons resultados no São Paulo e no Grêmio. Mas, o que está em jogo, vai muito além disso.

 

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