Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Prostituição, partidas combinadas e coação, a outra cara do futebol tailandês

16 abr 2013 - 10h04
Compartilhar

As acusações de corrupção ligadas ao futebol tailandês, que, apesar da sua falta de popularidade, também movimenta inúmeros negócios paralelos, dispararam desde que vários magnatas afastados da política por práticas ilegais passassem a assumir a presidência dos clubes locais.

A combinação de resultados, a intimidação dos jogadores e árbitros e as festas com prostitutas realizadas após a conquista de um resultado positivo são algumas das práticas que marcam o Campeonato Tailandês.

"Vi como o presidente da minha equipe entrava no vestiário dos árbitros acompanhado por seus guarda-costas, todos armados com pistola, durante o intervalo de uma partida", revelou à Agência Efe um jogador de futebol da Primeira Divisão do Campeonato Tailandês, que também denunciou que alguns contratos são assinados sob ameaça.

O jogador, que pediu para manter seu anonimato por questões de segurança, também afirmou que já soube de casos de compra de jogadores rivais para "interferir" no resultado dos jogos.

No último mês de fevereiro, a Associação de Futebol da Tailândia abriu uma investigação para esclarecer as acusações de uma suposta tentativa de compra de árbitro durante a final do campeonato, disputada no último mês de novembro entre as equipes Buriram e Army United.

O arbitro que apitou esta final, o japonês Yoshida Toshimitsu, denunciou à Confederação Asiática de Futebol que um desconhecido se aproximou antes do início da partida e lhe ofereceu uma quantidade de dinheiro para que suas decisões favorecessem um dos clubes.

Esta denúncia foi precedida por um escândalo que sacudiu o mundo do futebol, o qual se refere a um esquema de manipulação de resultados a partir de uma grande máfia com sede em Cingapura.

As acusações de corrupção já fazem parte da tradição do futebol na Tailândia, onde os presidentes dos clubes costumam estar relacionados à casos de fraude e apropriação indevida.

Em maio de 2007, a Corte Suprema ditou a dissolução do partido político Thai Rak Thai, liderado pelo ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, sentença que representou a cassação de 111 políticos, que ficaram proibidos de assumir cargos públicos por 50 anos.

Por causa deste veto, muitos destes políticos afastados, com uso de dinheiro e de sua influência, chegaram até a presidência dos clubes de futebol do Campeonato Tailandês a fim de ganhar dinheiro e, principalmente, elevar sua popularidade entre os habitantes das províncias que dominam.

Entre eles estão: Newin Chidchob, presidente do Buriram, uma das equipes que disputaram a final do último campeonato nacional; Anucha Nakasia, dono do Chainat; e Sontaya Kunplome, maior acionista do Pattaya United, todos eles pertencentes a poderosos clãs familiares.

O ex-atacante Robbie Fowler, que jogou 11 temporadas no Liverpool, e o técnico sueco Sven-Goran Eriksson, que treinou a seleção inglesa, passaram pelo Campeonato Tailandês após a grande campanha de publicidade iniciada há cinco anos para incorporar patrocinadores e redes de transmissões ao campeonato.

A abundância de dinheiro no futebol da Tailândia também deu margem para algumas operações imobiliárias duvidosas. Apesar da baixa média de público registrada, 4,5 mil no último ano, dez estádios foram construídos e outros reformados.

Este fluxo de dinheiro também permitiu que os clubes tailandeses contratassem jogadores mais famosos, ou seja, que já atuaram nas melhores competições europeias.

"Antes da disputa de uma partida importante, um dos diretores se dirigiu a todo o time para nos prometer que, em caso de vitória, teríamos uma festa em um dos locais mais exclusivos de Bangcoc com álcool e mulheres como pagamento", relatou outro jogador do futebol tailandês.

Em maio de 2011, o atual presidente da liga tailandesa de futebol e diretor da Fifa, Worawi Makudi, conseguiu se esquivar das acusações de corrupção que foram feitas contra ele pelo então presidente da Associação de Futebol Inglesa, David Triesman.

Segundo o britânico, Worawi cobrou os direitos de televisão de um amistoso, que seria disputado entre Tailândia e Inglaterra, em troca do respaldo à candidatura inglesa para a Copa do Mundo de 2018.

A suposta evasão de impostos sobre os lucros adquiridos pela venda dos direitos televisivos do Campeonato Tailandês fez com que um comitê anticorrupção abrisse uma nova investigação contra a Associação de Futebol da Tailândia em setembro de 2012.

O próprio Worawi, que se apresentou como candidato à Presidência da Confederação Asiática de Futebol, denunciou uma campanha contra a indicação de seu nome e indicou que, se for eleito, adotará "ações legais" contra todos aqueles que tentarem manchar seu nome.

EFE   
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra