Planejamento previdenciário é essencial para jogadores de futebol garantirem aposentadoria próxima ao teto do INSS, explica advogada
Advogada Ana Almeida comentou sobre como jogadores podem se prevenir para o futuro após carreira cheia de contratos no futebol
A carreira de um jogador de futebol costuma ser marcada por contratos milionários, visibilidade e um tempo relativamente curto de atividade profissional. Porém, quando o assunto é aposentadoria, muitos atletas ainda têm dúvidas sobre como funciona a contribuição para a Previdência Social e qual valor poderão receber ao encerrar a carreira.
De acordo com a advogada Ana Almeida, especializada em direito previdenciário, os jogadores profissionais que possuem contrato formal com clubes têm suas contribuições ao INSS realizadas diretamente pela instituição empregadora.
"Quando o atleta é registrado pelo clube, ele passa a ter vínculo formal de trabalho. Nesse caso, quem faz o repasse das contribuições previdenciárias ao INSS é justamente o clube, que funciona como empregador", explica a advogada.
Segundo ela, um ponto importante nessa categoria é o nível salarial. Como muitos jogadores recebem valores elevados, suas contribuições frequentemente ultrapassam o limite máximo considerado pelo sistema previdenciário.
"Atualmente, o teto do INSS em 2026 é de R$ 8.475,55. Mesmo que o atleta receba um salário muito superior, a contribuição previdenciária é limitada a esse teto. Ou seja, ainda que ele ganhe muito mais, o valor considerado para cálculo da aposentadoria não ultrapassa esse limite", destacou a advogada Ana Almeida.
Isso significa que, caso o jogador tenha contribuído ao longo de toda a carreira com valores acima do teto, existe a possibilidade de se aposentar com um benefício próximo a esse valor máximo. No entanto, isso não é automático.
"Hoje, após a reforma da Previdência, o cálculo da aposentadoria considera todas as contribuições feitas a partir de julho de 1994 até a data do pedido de aposentadoria. Além disso, existe um coeficiente aplicado ao cálculo. Quanto maior o tempo de contribuição, maiores são as chances de o segurado alcançar um benefício próximo ao teto", explica.
Por outro lado, se o tempo de contribuição for menor, o valor final da aposentadoria pode ficar abaixo do limite máximo.
"Não basta apenas contribuir sobre o teto. O tempo de contribuição influencia diretamente no cálculo. Por isso, é fundamental analisar cada caso individualmente", ressalta a especialista.
Outro fator relevante é que existem diferentes modalidades de aposentadoria previstas na legislação previdenciária. Entre elas estão a aposentadoria por idade, a aposentadoria por pontos e as regras de transição criadas após a reforma da Previdência.
"Cada jogador pode se enquadrar em uma regra diferente. Por isso, é necessário verificar quanto tempo ele já contribuiu e qual regra é mais vantajosa para o caso específico", afirma.
"Com um planejamento previdenciário é possível fazer simulações e entender qual será o valor aproximado da aposentadoria e qual o melhor momento para o atleta se aposentar. Em muitos casos, o segurado não precisa necessariamente esperar os 65 anos para ter direito ao benefício", concluiu Ana Almeida.
Para jogadores de futebol e outros profissionais com carreiras de curta duração, compreender o funcionamento das regras previdenciárias pode ser decisivo para garantir segurança financeira no futuro.