O que acontece com os brasileiros na Copa? 'Felicidade no meio do estresse', diz pesquisadora
Estudo mostra que futebol ativa os mesmos pilares do bem-estar no País: família, esperança e sensação de pertencimento
A cada quatro anos, as famílias reorganizam a rotina e compromissos são adiados por causa dos jogos da Copa do Mundo. Em um mundo de incertezas, o torneio cria uma trégua emocional coletiva e deixam as pessoas mais felizes. Simples assim. Mesmo que seja apenas até os 45 minutos do tempo, mais os acréscimos.
Isso é o que mostra a pesquisa "Mapa da Felicidade Real", realizada pela especialista em Ciência da Felicidade Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia.
É mais ou menos o que sente a publicitária Maria Clara Avelino Almeida, de 26 anos. Ela confessa que não acompanha nenhum time nem sabe o que discutem nas mesas redondas, mas diz que algo muda na Copa.
"A Copa evoca esse sentimento de pertencimento, essa brasilidade, aquela sensação de estar fazendo algo junto com as pessoas do meu País. Isso é muito bonito e muito gostoso de se viver", relata.
Qual palavra resume a felicidade?
Quando convidados a resumir felicidade em uma palavra, os brasileiros citaram principalmente elementos ligados a relações humanas. Família, filhos, amigos, amor e gratidão aparecem entre as respostas mais frequentes.
A presença de rede de apoio também se destaca: 87,2% afirmam ter parentes ou amigos com quem contar em momentos difíceis.
Na prática, assistir a um jogo da seleção reúne justamente esses ingredientes. Ela acontece em grupo, em casa, no trabalho, em bares ou nas ruas. O futebol fortalece laços já existentes e criar um sentimento de pertencimento nacional.
E qual é o efeito da derrota? "Quando perde, ela cria uma frustração. Acho que impacta a autoestima do brasileiro também."
Ainda assim, existe um componente emocional que resiste aos resultados dentro de campo. O estudo identificou um dado que ajuda a compreender esse comportamento:
- 93% dos entrevistados afirmam ter esperança em dias melhores.
"Enquanto os países mais felizes do mundo costumam ter uma infraestrutura da felicidade, com instituições fortes, segurança e estabilidade, o Brasil é um país cheio de desafios. Mesmo assim, o brasileiro mantém a esperança muito alta".
Dois pilares sustentam esse otimismo persistente: a fé e a família. "Independentemente do time estar bom, a gente acredita que pode dar certo. E existe também essa questão de estarmos num momento com a família. Isso traz a esperança de acreditar que, independentemente do que está acontecendo, amanhã pode ser melhor."
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