Jorge Henrique admite surpresa e diz: "mostramos a cara do Corinthians"
Ele foi o grande personagem da semana. Não porque marcou o gol da vitória na semifinal contra o Al Ahly, do Egito, muito menos por ter se envolvido em alguma polêmica. Jorge Henrique entrou no lugar de Douglas com uma missão específica diante do Chelsea, na grande decisão do Mundial de Cubes da Fifa: conter o ímpeto do perigoso atacante Hazard.
» Confira por ângulos diferentes a vitória corintiana no Mundial
» Título do Corinthians tem pouco destaque na Europa; veja capas
» Da viagem à coroação, relembre o Mundial em 100 fotos exclusivas
"Quando ele me chamou, deu um estalo", confessou o atacante corintiano, em entrevista exclusiva ao Terra após ter participado dos 90 minutos da vitória marcante sobre o Chelsea, por 1 a 0. "Vou ser bem sincero, não esperava mesmo, até porque fiquei muito tempo machucado, não sei quantos meses sem ter uma partida toda. Os jogadores que estavam atuando estavam bem na minha frente, então foi uma surpresa muito grande", disse.
Após chegar ao Parque São Jorge, em 2009, no ano do retorno corintiano à Série A do Campeonato Brasileiro, Jorge Henrique falou também sobre o que representa o Corinthians, hoje, para sua carreira, clube que lhe proporcionou,os quatro principais títulos que um profissional pode almejar: Copa do Brasil (2009), Campeonato Brasileiro (2011), Libertadores da América e Mundial de Clubes da Fifa (2012). Só tem menos títulos dentro deste grupo do que o capitão Alessandro e o zagueiro Chicão, que jogaram e venceram a Série B; confira a entrevista abaixo.
Terra: O segundo tempo que o Corinthians fez diante do Chelsea mostrou que, de fato, a equipe foi merecedora, que os europeus não teriam mais a tão falada hegemonia?
Jorge Henrique: Mostrou a cara do Corinthians. A Libertadores foi desse jeito, marcando bem e agredindo o adversário, sempre legal e sem dar pontapé. Então, estou feliz pelo grupo que a gente tem e pelo título que conquistamos.
Terra: O técnico Tite, ao sacar o Douglas da equipe, lhe deu a missão de segurar os avanços do Hazard. Você acredita que cumpriu bem essa missão?
Jorge Henrique: Acho que sim. O esquema que o professor armou previa algumas funções que eu acho que consegui cumprir. Fico feliz. Às vezes você não aparece tanto, mas para a equipe é fundamental na parte tática. Fico agradecido pelo reconhecimento do meu trabalho, pelas funções que eu venho exercendo na equipe. Acho que para o grupo foi fundamental.
Terra: Quando você chegou aqui ao Japão para a disputa do Mundial passava pela sua cabeça que você realmente pudesse ser titular de uma decisão como essa?
Jorge Henrique: Não. Vou ser bem sincero, não esperava mesmo, até porque fiquei muito tempo machucado, não sei quantos meses sem ter uma partida toda. Os jogadores que estavam atuando estavam bem na minha frente, então foi uma surpresa muito grande. Mas eu estava preparado. Gosto de jogar decisão, jogo grande. Fico feliz pelo reconhecimento do meu trabalho nesse momento (por parte do Tite), já que às vezes você pensa que não tem ninguém olhando, mas o professor está sempre observando, olhando, e graças a Deus ele me colocou para exercer essa função.
Terra: Como foram esses dias após a conversa que você teve com o Tite e que você soube que jogaria contra o Chelsea? Ficou muito ansioso?
Jorge Henrique: O pensamento quando você não está na equipe é de pensar em entrar, e observar o adversário durante a partida, ou na preleção. Na hora que ele me chamou, deu um estalo muito grande. Poxa, vou estar numa final de Mundial. Para mim é importante. Sempre fui um cara que me doei para equipe, sem aparecer muito, então acho que depois da conversa com o professor, a minha noite foi totalmente diferente. Pensando como poderia ajudar, em dar um passe, e até fazer um gol. Acho que o sonho de todo o jogador é estar num grupo desse e consegui realizar isso.
Terra: Em 2008, você jogou uma final de Copa do Brasil contra o próprio Corinthians e fez até um gol. Você imaginava um dia que o Corinthians poderia, um dia, ser tão significante na sua carreira? Você foi campeão da Copa do Brasil, do Brasileiro, da Libertadores e, agora, do Mundial.
Jorge Henrique: Não mesmo, para ser bem sincero, nunca imaginei jogar num clube como o Corinthians. Quando eu pisei no Corinthians eu sabia que tinha uma responsabilidade muito grande de jogar numa equipe enorme, de uma torcida maravilhosa, que apoia o jogo todo, mesmo perdendo. Não vaia jogador. Tudo o que a gente faz hoje é para os nossos familiares, mas também para a torcida que a gente tem.
Terra: Como é que foi o clima no vestiário, e o que você está planejando após desembarcar no Brasil?
Jorge Henrique: Muito bom. Agora é comemorar. Depois de conquistar o mundo, é hora de dividir essa alegria que a gente teve aqui essa noite com os amigos, familiares. É curtir as férias, bem leve.
Terra: Vai fazer o quê?
Jorge Henrique: Vou para Recife. Tenho um restaurante e boate lá. Vou reunir os amigos e comemorar. Hoje eu estou realizado. Estou com 30 anos, e conquistei todos os títulos sonhados pelo torcedor, e sempre recebi o reconhecimento da torcida fora de campo. Fico feliz pelo trabalho que venho fazendo no Corinthians. O que der para continuar ganhando, eu vou lutar para isso.