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"Minha punição é perpétua": Edílson expõe consequências "irreversíveis" da Máfia do Apito

Em podcast, ex-árbitro e pivô de um dos principais esquemas de manipulação no Brasil, relata como caso atravessou a carreira e vida pessoal

4 fev 2026 - 11h04
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Foto: Reprodução - Legenda: Edílson Pereira de Carvalho revive caso da Máfia do Apito / Jogada10

Edílson Pereira de Carvalho voltou a falar sobre a 'Máfia do Apito' mais de duas décadas depois de se tornar o rosto mais visível do escândalo que marcou o futebol brasileiro. Em entrevista ao podcast Canal do Cosme Rímoli, o ex-árbitro revisitou não só o esquema de manipulação de resultados revelado em 2005, mas, sobretudo, os impactos de sua participação no caso.

A denúncia que deu origem ao escândalo veio à tona em setembro de 2005, em reportagem da revista Veja. A reportagem desencadeou investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e de agentes do Combate ao Crime Organizado, em São Paulo. O caso inclusive ganhou dimensão institucional e esportiva, com reflexos no Campeonato Brasileiro da Série A.

Mais de 20 anos depois, o ex-árbitro ainda lida com consequências íntimas da participação no esquema. "Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira. Com a minha vida, minha família e meu casamento. Minha filha não fala comigo. Ninguém me dá emprego. Virei sinônimo de juiz ladrão", comentou.

Envolvimento na Máfia do Apito

O ex-árbitro reconheceu o dano causado à credibilidade do esporte ao tentar explicar seu envolvimento no esquema. Ainda durante o papo, Edílson também descreveu episódios do período em que esteve preso, conectando o processo judicial ao peso da exposição pública.

"Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação, recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era ótimo árbitro", e prosseguiu:

"Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu, bateu palmas e falou: 'obrigado, Edilson'. O Maluf sabia que eu me tornaria foco das notícias no Brasil. Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado. Minha filha não fala mais comigo. Acabei com a minha vida! Minha punição é perpétua…".

Desdobramentos do caso

O esquema envolvia os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e José Paulo Danelon — ambos filiados à Federação Paulista de Futebol (FFP), além de empresários ligados a casas de bingo. Conversas telefônicas gravadas revelaram a manipulação de partidas para beneficiar apostas ilegais, com pagamento de R$ 10 mil por jogo adulterado.

O desdobramento esportivo levou à anulação de 11 partidas do Brasileirão de 2005 apitadas por Edílson. O então presidente do STJD, Luiz Zveiter, recebeu autorização para decidir sozinho sobre o caso e justificou a medida como forma de retirar completamente a influência do árbitro da competição.

O escândalo também provocou mudanças institucionais, como a saída de Armando Marques da presidência da Comissão Nacional de Arbitragem. Ele acabou substituído interinamente por Edson Rezende, enquanto a CBF, sob comando de Ricardo Teixeira, declarou apoio às decisões do tribunal desportivo.

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Jogada10
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