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Paixão e reforços: torcedores ficam sócios para ajudar times

Ver o time mais forte se tornou o principal motivo que fez o torcedor aderir ao programa de sócios

15 jan 2016
09h04
atualizado às 10h18
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O sucesso dos programas de sócios torcedores é inegável, principalmente em 2015. Segundo o 'Movimento por um Futebol Melhor', mais de um milhão de torcedores, de 66 times, aderiram ao programa desde janeiro de 2013. O programa foi responsável por uma mudança considerável no modo como os torcedores dos principais times vão aos jogos. 

As grandes filas em bilheterias perderam espaço para o congestionamento nos sites dos times. As novas arenas pelo Brasil criaram forma de modernizar o acesso aos jogos e, ao mesmo tempo, beneficiar aquele torcedor que se dispõe a pagar para ser sócio torcedor. Nomes como pré-venda e rating se tornaram populares aos frequentadores dos novos estádios.

Grêmio foi o primeiro clube a inaugurar sua nova arena e a reformular o acesso aos jogos
Grêmio foi o primeiro clube a inaugurar sua nova arena e a reformular o acesso aos jogos
Foto: Lucas Uebel / Getty Images

O torcedor Flávio Bandeira é associado ao Grêmio desde 2006, quando os jogos ainda eram no antigo Olímpico, e conta quais diferenças encontrou nos últimos dez anos em que acompanhou partidas do tricolor gaúcho:

“As coisas mudaram muito com a mudança para a Arena. Foi criado um novo ambiente virtual para a aquisição dos ingressos e levou um tempo para cair no gosto do torcedor. Na época do Olímpico, eu conseguia comprar ingressos pelo internet banking do banco patrocinador do time, hoje isso não é possível”, conta Flávio.

Flávio aderiu ao programa em um momento conturbado do clube, após o rebaixamento para a Série B. O desejo de ajudar o time e acompanhar as melhorias no Grêmio o motivou a ser sócio. “Até torcedores que moram longe, que raramente vão aos jogos, aderem ao sócio torcedor para contribuir com o clube. O programa permite que entre desde os torcedores mais humildes, que ajudam e não podem pagar pelos ingressos caros, até os com poder aquisitivo melhor, que se associam para ter sua cadeira cativa na Arena”, diz o gremista.

Sócio torcedor desde 2006, Flávio Bandeira (a direita) acompanhou as mudanças do Olímpico para a nova Arena
Sócio torcedor desde 2006, Flávio Bandeira (a direita) acompanhou as mudanças do Olímpico para a nova Arena
Foto: Reprodução

O Terra realizou pelo Twitter uma enquete sobre os motivos que levam o torcedor a aderir ao programa de sócios. 55% dos participantes votaram que são ou seriam sócios para ajudar o time. Conseguir descontos para os jogos foi a segunda opção mais votada (26%), enquanto a opção "desconto em produtos", uma das bandeiras do Movimento Por Um Futebol Melhor, foi votada por apenas 9% dos seguidores.


A palmeirense Juliane Madison se manteve leal ao programa de sócios, mesmo não morando em São Paulo. Frequentadora do antigo Palestra e do Pacaembu, Juliane mudou-se para o Recife pouco depois da inauguração do Allianz Parque e, mesmo assim, continua pagando as mensalidades do Avanti. “Continuo para ajudar o Palmeiras. Sei que sem esse apoio do torcedor as chances de não termos um time mais forte são grandes”.

Juliane Madison foi em apenas uma partida do Palmeiras desde que mudou-se e mesmo assim não deixou de ser sócio torcedora
Juliane Madison foi em apenas uma partida do Palmeiras desde que mudou-se e mesmo assim não deixou de ser sócio torcedora
Foto: Reprodução

A ideia de que com mais sócios o time fica mais forte foi levantada pelo marketing do próprio Palmeiras em 2015. O time divulga que a compra do atacante Dudu foi viabilizada graças ao dinheiro arrecado pelo Avanti. Essa propaganda ajudou o time a conseguir mais de 62 mil adesões somente em 2015.

Alguns clubes, cientes da disponibilidade dos seus torcedores em ajudar o time, já possuem planos para quem não consegue frequentar o estádio. O plano mais barato do Corinthians (R$ 9) não garante descontos para a Arena, mas permite que o torcedor consiga ingressos em jogos em que o Corinthians é visitante. O São Paulo também tem um plano exclusivo para torcedores que não residem na capital paulista. Ao contrário do seu rival, o plano de R$ 25 permite a compra de ingressos para jogos em casa, mas não para jogos fora.

Dudu chegou ao Palmeiras em 2015 em negociação bancada pela verba arrecadada pelo Avanti
Dudu chegou ao Palmeiras em 2015 em negociação bancada pela verba arrecadada pelo Avanti
Foto: Leonardo Benessatto / Futura Press

Apesar do sucesso inegável, a política praticada pelos clubes para a venda de ingressos foi alvo de críticas durante o ano. O caso mais emblemático foi das torcidas organizadas do Palmeiras, que protestaram contra os valores cobrados para jogos no Allianz Parque. O clube paulista ainda aumentou os valores dos planos no meio da temporada, e mesmo assim o número de associados continuou crescendo.

Atualmente, o não sócio enfrenta dificuldades para assistir ao seu time. O valor elevado do ingresso, junto com a preferência dada aos sócios, dificulta com que outros torcedores consigam ter acesso aos jogos. A lógica dos clubes é que isso motive o torcedor a se associar, e isso não é visto como um problema. Segundo a Fundação Procon-SP, o clube mandante pode estipular o preço que quiser para os ingressos, desde que os coloque a venda em até 72 horas antes da partida.

Outra questão apontada pelo Procon é da venda de meia entrada através da internet. O órgão informou que São Paulo, Palmeiras e Corinthians já foram autuados por não disponibilizarem ingressos de meia entrada nos sites em que comercializam as entradas.

Torcida organizada do Palmeiras protestou contra os valores altos cobrados pelo clube desde a mudança para o Allianz Parque
Torcida organizada do Palmeiras protestou contra os valores altos cobrados pelo clube desde a mudança para o Allianz Parque
Foto: Murilo Dias

 

Fonte: Terra
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