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Tá russo! As lições que Brasil e Rússia têm para ensinar um ao outro

Fica a sugestão aqui para uma troca de experiências entre os países

15 jul 2018
04h12
atualizado às 04h12
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A Copa do Mundo da Rússia chega ao fim neste domingo e assim também termina a aventura da reportagem do Estado em solo russo, que partiu de São Paulo no dia 6 de junho e retorna na próxima terça-feira. Na bagagem, além dos copos do Mundial, de matrioshkas e mais uma ou outra lembrancinha, um caminhão de memórias inesquecíveis e uma mudança de pensamento na comparação entre o que vivemos por aqui e o nosso cotidiano no Brasil - há espaço para melhoras nos dois lados.

Antes da viagem, a expectativa era a de encontrar um país extremamente fechado, de um povo frio. Causava uma certa tensão as recomendações de muitas pessoas. Desde o dia em que pisamos em Moscou, percebemos como é diferente a relação da cidade com quem vive nela. Menos agressiva, em uma comparação um tanto quanto grosseira com São Paulo. Paulistano que sou, não suporto ouvir ninguém falando groselha sobre a cidade que tanto amo, mas sei muito bem quais são os seus principais problemas, entre eles a eterna sensação de insegurança.

E a tal sensação de insegurança foi o que sentimos na capital da Rússia nos primeiros dias de cobertura. "Mas vamos atravessar esse túnel escuro às três horas da manhã?" - olha a sensação aí... Depois de deliberar por quase dez minutos, um casal empurrando o carrinho de bebê na direção contrária nos deu a resposta. Atravessamos o túnel, chegamos do outro lado da avenida sem nenhum tipo de problema.

"Mas na Rússia não tem crimes?". Pelo números oficiais, sim, mas eu não vi ninguém sendo assaltado, por exemplo. Para efeito de comparação: em 2017, foram registrados 159.557 roubos em São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Em Moscou, no mesmo período, o índice oficial foi de 4.466, uma diferença de 3.573%.

Causa aquela "invejinha" também o transporte público, principalmente o metrô em Moscou. Se São Paulo tem estações nas principais regiões da cidade e ainda tem a rede em expansão, a capital russa tem paradas em quase todos os bairros, às vezes mais de uma, por linhas diferentes.

Outra coisa de que eu gostaria que as cidades brasileiras se apropriassem é a facilidade do acesso às artes. Moscou possui inúmeras exposições gratuitas, seja ao ar livre durante o verão ou em locais mais fechados e ao abrigo do frio no inverno. Precisei vir para a Rússia para entender como pode ser enriquecedor contemplar uma estátua, por exemplo. Ou então se divertir em um ambiente cultural, com exposições de livros antigos, discos, artistas de rua. Tudo sem gastar quase nada.

Os moscovitas também têm a sua lição de casa. Quem vive aqui precisa ter consciência de que um "bom dia", um "boa tarde" e um "boa noite" pode melhorar a vida não só do ouvinte, mas de quem fala também. Conversar, falar, essa coisa típica do brasileiro, faz muita falta por aqui. Até certo ponto, é compreensível esse jeito mais sisudo por conta da repressão que o povo sofreu (e ainda sofre) do governo - a liberdade de expressão é algo em falta por aqui e seria muito bem-vinda.

Fica a sugestão aqui para uma troca de experiências entre os países, cada um pegando o que o outro tem de melhor e incorporando em seu dia a dia. Da minha parte, espero um dia poder voltar e visitar Moscou e a Rússia com mais calma, sem tanta correria. E espero que o povo russo vá ao Brasil conhecer o calor que tanto falta aqui na maior parte do ano. No que depender de mim, serão sempre bem recebidos. Um recado aos meus trigêmeos (serve para todas as crianças): Artur, Raul e Malu, esse é um passeio maravilhoso para quando forem adultos. O mundo é inteirinho de vocês! Das Vidania, ou tchau, Rússia!

*REPÓRTER DO 'ESTADÃO'

Estadão

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