"Patinho feio", inglês chega ao auge com 31 anos e vira referência
- Dassler Marques
- Direto de Gdansk (Polônia)
É justamente no setor onde os ingleses estão acostumados a ter suas maiores decepções que surge uma liderança evidente para a desfalcadíssima equipe de Roy Hodgson. Por ali já passaram Hargreaves (há anos com lesões), Paul Scholes (aposentado da seleção), Frank Lampard (sempre abaixo de seu potencial), Steven Gerrard (também abaixo) e Jack Wilshere (a maior esperança do futuro, mas também com lesões). Recentemente, Gareth Barry se somou à lista ao ser cortado por uma fratura na mandíbula. A vaga, conquistada com atuações consistentes, ficou para Scott Parker. E ele estará em campo nesta segunda-feira, contra a França, pela abertura do Grupo D,
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Aos 31 anos, o meia central do Tottenham chega a seu primeiro grande torneio com a seleção inglesa e representa, como poucos, o retrato do que se tornou o time de Hodgson: sem tantos jogadores badalados e com a expectativa de mais suor que nas últimas competições internacionais, sobretudo a Copa 2010. Parker passou por todas as seleções inglesas de base, desde o sub-15, e só se firmou de verdade entre os mais velhos nos meses recentes. Teve uma convocação em 2003, outra em 2004 e mais uma em 2006. Inconsistente, só virou peça-chave com Fabio Capello e se manteve com o novo treinador. São 10 convocações desde 2011.
"Eu nem me lembro qual foi meu último torneio com a seleção. Proavelmente o Europeu Sub-21 (há uma década), mas foi há tanto tempo que não me lembro como fomos. Sem dúvida que é uma ausência importante, então esse torneio será uma experiência muito satisfatória na minha carreira. Isso é uma grande realidade, é o que eu sempre quis como jogador e que tenho ambicionado bastante", resumiu Parker às vésperas da Euro.
Em evolução, o volante de espírito de liderança conseguiu sua vaga no grupo após superar uma grande irregularidade que marca sua carreira. Promessa, deixou o Charlton para se juntar ao milionário Chelsea em 2004, mas nunca saiu de trás da sombra do titular e astro Frank Lampard. Passou por Newcastle e West Ham com destaque, mas não convenceu suficientemente para aparecer pela seleção. Só mesmo a serviço de um dos grandes, o Tottenham, é que cavou um espaço privilegiado nos jornais. Na última temporada, superou todos os concorrentes no clube londrino, como o brasileiro Sandro.
Em meio a tanta descrença pelos problemas, a Inglaterra encontra em um jogador entusiasmado e de perfil baixo a possibilidade de espalhar boas vibrações aos demais, exatamente o que espera Hodgson com um elenco cheio de jovens. Casos de Walcott, Hart, Chamberlain, Henderson, Welbeck, Kelly, Carroll, Young, Jones e Butland, que totalizam dez abaixo dos 25 anos. Após tantas campanhas decepcionantes de times cheios de expectativas, os ingleses agora veem uma nova atmosfera. A começar pelo meio-campo, com Parker.