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Campeonato Inglês

"Dono" do Estádio Olímpico, West Ham tem projeto questionado

11 fev 2011 - 12h36
(atualizado às 12h54)
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Ulisses Neto
Direto de Londres

Como não transformar 500 milhões de libras (cerca de R$ 1,35 bi) dos cofres públicos em um enorme elefante branco? Esse é o principal desafio da Companhia para o Legado do Parque Olímpico, a OPLC na sigla em inglês. A empresa estatal foi criada para confirmar que Londres não repita os mesmos erros cometidos em outras cidades com casos emblemáticos de desperdício de recursos, como Montreal e Atenas.

Hoje, a OPLC anunciou que o Estádio Olímpico, que terá capacidade para 80 mil pessoas durante os Jogos de 2012, será repassado para o West Ham United, equipe da primeira divisão do Campeonato Inglês. O clube, atual lanterna da competição, conseguiu derrotar o Tottenham Hotspurs em uma disputa política que envolveu declarações polêmicas, críticas efusivas e ataques dos dois lados.

O projeto do West Ham para ocupação do Estádio Olímpico de Londres prevê uma reforma orçada em cerca de 100 milhões de libras (R$ 270 milhões). As obras devem começar logo após o final dos Jogos Paraolímpicos e a previsão é de que tudo esteja pronto em dois anos, com o local recebendo partidas de futebol no início da temporada de 2014/2015.

A pista de atletismo, principal alvo da disputa entre West Ham e Tottenham, será mantida, o que vai deixar a arquibancada a pelo menos 45 metros de distância do gramado. Para os padrões dos estádios mais modernos da Europa, isso é considerado um problema sério.

Os adversários do projeto insistiram que a manutenção da pista é inviável e que a visão dos torcedores será bastante prejudicada. O presidente da empresa de entretenimento americana AEG, sócia na proposta do Tottenham, prevê que a arena estará falida em 10 anos.

"Em nenhum lugar do mundo é possível construir um estádio com capacidade para 60 mil lugares que abriga futebol e atletismo ao mesmo tempo e ainda fazer com que isso funcione", previu Tim Leiweke.

A própria torcida do West Ham, que em sua maioria apoiou o projeto de mudança, ainda tem dúvidas sobre a qualidade da nova casa. "Essa é uma mudança por dinheiro. Eu não queria ver o time saindo do Upton Park, temos muita história por aqui. E também será um gramado (no novo estádio) que não é tão perto da torcida. Por isso, eu acho que não vai ser bom, no final das contas", disse o torcedor Andy Walkings.

O atual estádio do West Ham, o Boleyn Ground (popularmente conhecido como Upton Park), tem capacidade para 35 mil pessoas e foi construído em 1904. Mesmo com o time em má fase, a lotação máxima é atingida com frequência.

Dessa forma, a diretoria do clube espera atrair ainda mais público com o estádio maior. O torcedor Ben Huges, que afirma seguir a equipe todos os finais de semana, afirma que "o estádio vai ajudar a capitalizar o crescimento na torcida do West Ham. Será uma excelente oportunidade. Nós já temos uma grande história que só tende a crescer. Com certeza, o fato de nos mudarmos para um lugar maior facilita bastante as coisas".

Viabilidade

No entanto, grandes questionamentos cercam o projeto escolhido pela OPLC como o mais indicado para garantir o legado olímpico em Londres.

Atualmente, o West Ham ocupa o último lugar do Campeonato Inglês. O rebaixamento para a segunda divisão é iminente e o resultado será uma arrecadação menor com mais dificuldades para atrair público nos jogos menos importantes. Fora da elite do futebol da Inglaterra e com menor exposição na mídia, o clube ainda terá problemas para financiar as reformas necessárias de adequação do Estádio Olímpico.

A autoridade regional de Newham, onde está localizada a arena, prometeu emprestar 40 milhões de libras para as obras. Mas o repasse de recursos ainda não está totalmente confirmado. A palavra do momento na Inglaterra é "austeridade" e despejar milhões e milhões dos cofres públicos em um time de futebol, justamente da região mais carente da cidade, é uma ideia que está sendo bastante questionada por moradores e líderes locais.

Além do empréstimo público, o West Ham pretende arrecadar mais 20 milhões de libras com a venda do seu atual estádio. Outros 35 milhões serão repassados pelo Comitê Olímpico.

O comércio no entorno do Upton Park também já lamenta a decisão e prevê um futuro desolador com a saída do time da região. O empresário Jeyachambiam Jeyarbbam, dono de um pub a poucos metros da arena, não vê outra alternativa senão fechar as portas daqui a alguns meses.

"Não será só o meu negócio, a saída do West Ham vai acabar com todos os principais pubs do bairro. São aproximadamente 30 pubs nesta área que vão fechar", lamenta. "E é claro que outras lojas e restaurantes também serão muito afetados. Cerca de 50% do meu faturamento anual vem do movimento nos dias de jogos. Por isso, a presença do West Ham aqui é muito importante". Jeyarbbam afirma que um comitê de comerciantes da área tentou negociar com o clube de futebol, mas não obteve grandes resultados.

Apesar da decisão por unânimidade tomada pelo conselho da OPLC, o Tottenham já avisou que não pretende desistir do plano de se mudar para Stratford. O time ameaça recorrer à justiça para reverter o resultado do processo de seleção e afirma ter sido usado para justificar um jogo de cartas marcadas. No entanto, o projeto do Tottenham não conta nem mesmo com o apoio dos seus próprios torcedores, que não querem se mudar da região Norte de Londres para a região Leste.

"Nós deveriamos ficar aqui mesmo, esse é o nosso lugar, em Tottenham. Nós também podemos crescer aqui. Aliás, esse era o plano original", ressalta o torcedor Steven Soverage. Além disso, os Spurs pretendiam demolir o recém-construído estádio olímpico e retirar a pista de atletismo, opção altamente criticada pela OPLC.

Fachada Upton Park
Fachada Upton Park
Foto: Ulisses Neto / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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