Gianni Infantino vira algo de nova denúncia na FIFA; saiba o motivo
Mais de 100 mil pessoas apoiam denúncia que questiona relação do dirigente com Donald Trump e supostas violações às regras de ética da entidade
Mais de 100 mil pessoas apoiaram uma denúncia da ONG FairSquare ao Comitê de Ética da Fifa contra Gianni Infantino, pedindo sua suspensão por dois anos. Ele é acusado de abuso de poder e quebra de neutralidade política devido à sua proximidade com Donald Trump, além de falhas de governança em projetos da entidade. A ação ocorre enquanto Infantino busca a reeleição para um quarto mandato, processo também contestado pela organização por supostamente violar o limite estatutário de reeleições.
Mais de 100 mil pessoas assinaram uma denúncia que pede à Fifa uma investigação contra Gianni Infantino, presidente da entidade, por supostas violações ao código de ética relacionadas aos seus vínculos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pela organização de direitos humanos FairSquare. A denúncia também conta com o apoio da campanha Reboot Fifa e foi encaminhada ao Comitê de Ética da entidade.
Segundo a organização, Infantino teria cometido possíveis violações envolvendo abuso de poder, falta de neutralidade política e descumprimento de deveres de lealdade. As acusações estão relacionadas principalmente à aproximação do dirigente com Trump.
Denúncia cita relação entre Infantino e Trump
Entre os episódios mencionados pela FairSquare está a relação mantida entre Gianni Infantino e Donald Trump durante a Copa do Mundo.
Durante a competição, Trump teria pedido ao presidente da Fifa que revisasse o cartão vermelho recebido pelo atacante norte-americano Folarin Balogun, que posteriormente foi suspenso.
A organização também questiona a atuação de Infantino em outras decisões envolvendo a entidade. Um dos pontos citados é o projeto Fifa Forward Enterprise, que previa a participação de investidores de private equity em eventos da Fifa.
A proposta provocou reações negativas e acabou sendo abandonada.
Para Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare, as novas acusações representam uma continuidade da denúncia apresentada anteriormente contra Infantino.
"Agora temos essa preocupação pública e política", afirmou McGeehan à Reuters, segundo o material divulgado pela organização.
Comitê de Ética ainda não apresentou atualização
A FairSquare afirma que a primeira denúncia foi recebida pelo Comitê de Ética da Fifa em 12 de dezembro de 2025. Desde então, segundo a organização, não houve uma atualização sobre o andamento do caso.
O novo documento reúne oito episódios que, na avaliação da entidade de direitos humanos, podem representar violações às regras de ética e governança da Fifa.
Entre as acusações está a suposta violação da neutralidade política da entidade por meio de manifestações públicas de apoio ao slogan e à agenda política de Trump.
Infantino também é acusado de ter criado o Prêmio da Paz da Fifa sem a aprovação ou participação do Conselho da entidade e, posteriormente, entregado a honraria a Trump.
Outro ponto questionado envolve o desenvolvimento do Fifa Forward Enterprise, que, segundo a FairSquare, teria sido conduzido de maneira secreta e sem seguir os processos de governança da organização.
FairSquare pede suspensão de Infantino
A organização afirma que pretende que Gianni Infantino seja suspenso das atividades relacionadas ao futebol por dois anos.
De acordo com McGeehan, porém, a iniciativa não tem como único objetivo uma punição ao dirigente. A FairSquare também questiona a capacidade da Fifa de fiscalizar e responsabilizar seus próprios dirigentes.
Infantino busca atualmente a reeleição para um quarto mandato como presidente da Fifa, prevista para março. Até o momento, segundo as informações apresentadas na denúncia, não surgiu um adversário considerado competitivo para disputar o cargo.
No mês passado, a FairSquare também pediu que a entidade declarasse Infantino inelegível para uma nova candidatura. A organização argumenta que o dirigente já teria atingido o limite de três mandatos previsto pelo estatuto da Fifa.
Entenda a discussão sobre os mandatos
Gianni Infantino foi eleito presidente da Fifa pela primeira vez em 2016. Em 2022, conseguiu que seu primeiro período à frente da entidade não fosse contabilizado no limite de três mandatos.
O argumento apresentado na ocasião foi de que aquele período correspondia à conclusão de um mandato que havia sido iniciado antes de sua chegada ao cargo, após a renúncia de Sepp Blatter.
Com isso, Infantino mantém a possibilidade de buscar um quarto mandato, enquanto enfrenta novas críticas e uma denúncia que pede uma investigação do Comitê de Ética da Fifa.
Até o momento, a Reuters procurou a Fifa para obter um posicionamento sobre as acusações apresentadas pela FairSquare.
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