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Interferência externa em Flamengo x Corinthians pode anular jogo? Entenda cenário

Suposta atuação do Observador do VAR na análise do lance que gerou expulsão de Carrascal, do Flamengo, gerou polêmica na Supercopa

6 fev 2026 - 19h28
(atualizado em 6/2/2026 às 03h58)
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Resumo
A polêmica sobre possível interferência externa na expulsão de Jorge Carrascal em Flamengo x Corinthians foi refutada pela CBF, que afirmou que os protocolos do VAR foram seguidos corretamente e sem influências indevidas.
Para a CBF, não houve interferência externa em revisão que determinou expulsão de Carrascal.
Para a CBF, não houve interferência externa em revisão que determinou expulsão de Carrascal.
Foto: CBF TV/Reprodução / Estadão

Uma suposta interferência externa na arbitragem de vídeo da partida entre Flamengo e Corinthians pela Supercopa Rei, que em último caso poderia levar à anulação da partida, provocou debate nas redes sociais após a expulsão do meia rubro-negro Jorge Carrascal

A polêmica se deu pela presença de Péricles Bassols, Observador do VAR, na sala da arbitragem de vídeo durante a análise da falta de Carrascal contra Breno Bidon, do Corinthians. A agressão, ocorrida ao fim do 1º tempo, passou despercebida pelo árbitro Rafael Klein, chamado para a revisão do lance só no intervalo. 

 A presença de Bassols na revisão foi questionada pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina como possível interferência externa. Para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porém, trata-se de medida prevista para a função desempenhada por Bassols na partida (veja comunicado na íntegra abaixo).

Ao Terra, Luiz Marcondes, advogado, professor de Direito Desportivo e presidente honorário do Instituto Iberoamericano de Derecho Deportivo, explica que são necessárias provas concretas da suposta intervenção de Bassols para que fosse comprovada a interferência externa, mas que, na prática, o protocolo do VAR foi cumprido de maneira técnica, como manda o Livro de Regras do Jogo da CBF. 

"É preciso identificar se esta pessoa alheia ao VAR inicia, por conta própria, o processo de revisão. Se isso aconteceu, está fora da expressão da norma do jogo. Nesse caso, é importante frisar que a decisão final é do árbitro", destaca Marcondes. 

Segundo o protocolo, o observador do VAR não pode 'estar envolvido em qualquer tomada de decisões, com a exceção de impedir uma infração do protocolo'. A CBF, por sua vez, afirma que Bassols 'limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro'.

"É importante destacar, também, quem teria apontado o lance para a revisão. A polêmica central é se as pessoas que estavam na sala do VAR e poderiam ser consideradas membros da equipe de assistência para análise do vídeo", afirma o especialista. 

Sobre a tomada de decisão de Rafael Klein para a expulsão de Carrascal, Marcondes ressalta que a Regra do Jogo prevê que incidentes graves que passaram despercebidos pelo árbitro central, com o provocado pelo jogador rubro-negro, têm estrutura jurídica para serem levados pelo VAR à arbitragem de campo. 

"Não tenho dúvida de que o preceito jurídico, que a norma específica que levou o árbitro a fazer o que foi feito, dá a condição de revisão e aplicação do cartão vermelho", pontua Marcondes. 

Carrascal foi expulso por Rafael Klein na final da Supercopa.
Carrascal foi expulso por Rafael Klein na final da Supercopa.
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Relembre o que aconteceu

No fim do primeiro tempo, Carrascal agrediu Breno Bidon, em lance que não foi visto pelo árbitro de campo, Rafael Klein. A etapa inicial foi encerrada, e os times foram aos vestiários.

A checagem do VAR foi concluída quando os jogadores já haviam descido para o intervalo. A intervenção do VAR em casos de conduta violenta é prevista a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo.

"No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo", diz a CBF, em nota.

Na imagem da cabine do VAR, é possível ver Péricles Bassols junto do VAR Rodolpho Toski Marques e do assistente de VAR, Emerson de Almeida Ferreira. Bassols justifica a revisão mesmo após o fim do primeiro tempo: "Conduta violenta pode ser revisada a qualquer momento", frase repetida por Toski Marques.

"Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário", explicou o árbitro de vídeo a Rafael Klein.

Carrascal merecia a expulsão? Veja análise do VAR sobre decisão polêmica em Flamengo x Corinthians:

O árbitro de campo respondeu: "Ok. Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do seu adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 (Carrascal) por conduta violenta, ok?".

Em outro comunicado, publicado ainda no domingo, a CBF já havia explicado o procedimento. A entidade informou ainda que houve uma queda de energia elétrica em setores do estádio, inclusive na cabine do VAR, durante o intervalo do jogo. "O sistema de contingência (no-break) manteve a operação do VAR por aproximadamente 15 minutos. Como a energia na região não foi restabelecida prontamente, a partida transcorreu sem o uso do VAR entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo", diz a nota.

O Corinthians abriu o placar no primeiro tempo, com Gabriel Paulista, de cabeça. No minuto anterior ao período em que o VAR esteve fora do ar, o time alvinegro ampliou com Memphis Depay, mas a arbitragem assinalou impedimento. Yuri Alberto balançou as redes nos acréscimos e garantiu a vitória por 2 a 0.

Veja o comunicado da CBF sobre possível interferência externa na revisão que determinou expulsão de Carrascal

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) repudia as ilações ao atribuir a expulsão do atleta Jorge Carrascal, do Flamengo, na Supercopa Rei, à suposta interferência de um agente externo, o Observador de VAR designado para a partida, Péricles Bassols.

A função do Observador de VAR na VOR (Video Operation Room) é zelar pelo cumprimento do Protocolo do VAR e garantir a correta aplicação das regras, sem qualquer participação na tomada de decisão do árbitro de campo. No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo.

Com o reinício da partida, ao informar que se dirigiria à ARA (Área de Revisão do Árbitro), o árbitro central, Rafael Klein, foi orientado pelo VAR quanto ao cumprimento do protocolo previsto para a situação. O Observador de VAR limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro. Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa.

Qualquer recomendação quanto à decisão final caracterizaria, esta, sim, interferência indevida - o que não ocorreu. A decisão foi tomada exclusivamente pelo árbitro central, após a revisão das imagens na ARA, procedimento recomendado pelo árbitro assistente de vídeo, Rodolpho Toski.

Por fim, a CBF reafirma que Péricles Bassols, Observador de VAR da partida, é instrutor de VAR da FIFA e da Conmebol, com atuação pautada pelo rigor técnico, pela observância das regras e pela integridade dos processos da arbitragem.

*Com Estadão Conteúdo.

Fonte: Portal Terra
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