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Gringos encantam e Série A volta a ter metade dos técnicos estrangeiros

Zubeldía, Milito e Artur Jorge mudam a cara e São Paulo, Atlético-MG e Botafogo, respectivamente, e profissionais de fora do País voltam a ganhar força no mercado nacional

20 mai 2024 - 11h44
(atualizado às 14h51)
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Álvaro Pacheco
Álvaro Pacheco
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A contratação do português Álvaro Pacheco pelo Vasco da Gama fez a Série A do Campeonato Brasileiro chegar a uma marca de dez técnicos estrangeiros, metade dos empregados na primeira divisão. Os "gringos" voltaram a ser sensação neste início de temporada, especialmente após o impacto causado por Luis Zubeldía (São Paulo), Gabriel Milito (Atlético-MG) e Artur Jorge (Botafogo). Ao todo, são seis portugueses e quatro argentinos

Zubeldía acumula sete partidas de invencibilidade desde a sua chegada ao São Paulo. São cinco vitórias e dois empates, com um aproveitamento de 80,9%. Com passagem vitoriosa pela LDU, do Equador, o treinador de 43 anos foi contratado com a missão de retomar o protagonismo da equipe tricolor, que vinha de eliminação precoce no Paulistão e sofrendo para vencer adversários de menor expressão com Thiago Carpini, atualmente no Vitória, à beira do gramado.

Sob o comando de Zubeldía, o time são-paulino marcou 13 gols e sofreu apenas 4 até o momento, terminando a maioria dos jogos com ampla posse de bola e amassando os rivais. O argentino teve méritos de fazer a equipe garantir a classificação antecipada às oitavas da Libertadores, além de recuperar jogadores, como o zagueiro Alan Franco, e dar espaço para atletas da base, como Rodriguinho, Patryck, João Moreira, William Gomes e Juan. As "crias" de Cotia, aliás, foram importantes na vitória por 3 a 1 fora de casa sobre o Águia de Marabá, no Pará, que praticamente garantiu o time na próxima fase da Copa do Brasil.

Roteiro semelhante aconteceu com Gabriel Milito no Atlético-MG. Ex-zagueiro do Barcelona, o treinador, também de 43 anos, estava no Argentinos Juniors e chamou a atenção da diretoria atleticana por conseguir fazer a equipe de Buenos Aires medir forças diante de adversários teoricamente mais fortes — além de derrotar o Corinthians em Itaquera no ano passado, deu trabalho ao futuro campeão Fluminense nas oitavas da Libertadores de 2023. Milito emplacou uma série invicta de 12 jogos e conheceu a sua primeira derrota somente na última semana, com o revés por 2 a 0 para o Peñarol.

Milito tem 71,7% de aproveitamento no comando do Atlético, com 26 gols marcados e 12 sofridos. Em quase dois meses no Brasil, ele levou a equipe alvinegro ao título do Campeonato Mineiro, derrotando o rival Cruzeiro na decisão, e chega na última rodada da fase de grupos da Libertadores com chances de fazer a equipe atleticana ter a melhor campanha da competição, o que daria a vantagem de decidir o mata-mata em casa. Milito, assim como Zubeldía, tem como característica o domínio sob o adversário durante os 90 minutos, diferentemente de Felipão, que estava no cargo até março, e se notabilizou pelo trabalho na parte defensiva.

Por sua vez, Artur Jorge mudou o patamar do Botafogo com pouco tempo de trabalho. O português de 52 anos foi escolhido a dedo por John Textor e a negociação durou aproximadamente um mês para ser concluída. Depois de levar o modesto Braga, de Portugal, dois anos consecutivos para a Champions League, o profissional desembarcou no Brasil com a missão de elevar o futebol da equipe e reverter o cenário ruim na Libertadores. Apesar da estreia com derrota no torneio continental, Artur Jorge conseguiu capitanear o alvinegro carioca à classificação antecipada às oitavas e colocou o time no G-4 do Brasileirão.

Com um estilo arrojado, com quatro atacantes que variam de posição ao longo das partidas, Artur Jorge tem sete vitórias, um empate e três derrotas sob o comando do Botafogo, com um aproveitamento de 66,6%. São 20 gols marcados e 10 sofridos. Entre os resultados mais importantes estão a vitória por 2 a 0 no clássico com o Flamengo, no Maracanã, e o 1 a 0 sobre o Universitario, em Lima, que garantiu o time na próxima fase da Libertadores.

Além do Vasco e o trio citado acima, Corinthians, Cuiabá e Cruzeiro também foram atrás de estrangeiros para comandar suas equipes nesta temporada. O time do Parque São Jorge demitiu Mano Menezes ainda em janeiro e tirou o português António Oliveira do time mato-grossense, que acertou com também português Petit, estreante no futebol brasileiro. Já o clube mineiro fechou com o argentino Nicolás Larcamón no início do ano, mas sacou o treinador após a eliminação na primeira fase da Copa do Brasil e contratou Fernando Seabra, ex-técnico do sub-20, para sua primeira experiência em um time profissional.

Números

O recorde de técnicos estrangeiros na Série A do Campeonato Brasileiro aconteceu no ano passado, quando a elite do futebol brasileiro chegou a ter 11 "gringos" empregados na função. Ao longo dos últimos 20 anos, os clubes que mais tiveram estrangeiros no comando foram Atlético-MG e São Paulo, com seis treinadores cada. Indo na contramão da tendência, o Fluminense é a única equipe entre as grandes do País que contou somente com brasileiros durante o período, no qual conquistou dois Brasileirões (2010 e 2012).

Ao longo dos últimos 20 anos, 73 técnicos estrangeiros foram contratados por times da primeira e da segunda divisões do futebol brasileiro — contando Álvaro Pacheco, que ainda não estreou no Vasco. Atualmente, a Série B conta com dois treinadores de fora do País entre os 20 na competição: o português Paulo Gomes, do Botafogo-SP, e o argentino Mariano Sosa, no Sport.

Desde dezembro de 2020 no Palmeiras, Abel Ferreira é o técnico estrangeiro com o maior número de títulos no futebol brasileiro, com dez conquistas. O compatriota Jorge Jesus, que treinou o Flamengo entre 2019 e 2020, e ergueu cinco taças. Vojvoda, do Fortaleza, vem logo atrás. São três Estaduais e uma Copa do Nordeste faturados com o time cearense, totalizando quatro troféus.

Veja a lista dos técnicos na Série A do Campeonato Brasileiro em 2024

  • Athletico-PR: Cuca (BRA)
  • Atlético-GO: Jair Ventura (BRA)
  • Atlético-MG: Gabriel Milito (ARG)
  • Bahia: Rogério Ceni (BRA)
  • Botafogo: Artur Jorge (POR)
  • Corinthians: António Oliveira (POR)
  • Criciuma: Cláudio Tencati (BRA)
  • Cruzeiro: Fernando Seabra (BRA)
  • Cuiabá: Petit (POR)
  • Flamengo: Tite (BRA)
  • Fluminense: Fernando Diniz (BRA)
  • Fortaleza: Juan Pablo Vojvoda (ARG)
  • Internacional: Eduardo Coudet (ARG)
  • Juventude: Roger Machado (BRA)
  • Palmeiras: Abel Ferreira (POR)
  • Red Bull Bragantino: Pedro Caixinha (POR)
  • São Paulo: Luis Zubeldía (ARG)
  • Vasco: Álvaro Pacheco (POR)
  • Vitória: Thiago Carpini (BRA)
Estadão
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