Grêmio e Internacional caminham para o rebaixamento enquanto sonham com o Gre-Nal
Atlético e Cruzeiro entendem o tamanho de um clássico regional, sem esquecer do restante do Brasil
Após empatarem por 1 a 1 em um clássico fraco, Grêmio e Internacional seguem estagnados na zona de rebaixamento a oito rodadas do fim do Brasileirão. O apego excessivo à rivalidade local cega clubes, torcidas e imprensa para a grave crise da dupla gaúcha, que perde competitividade frente ao resto do país ao tratar o Gre-Nal como o único foco do ano. Para evitar a queda, ambos precisam superar essa obsessão paroquial e encarar a realidade dos pontos corridos antes que seja tarde.
Grêmio e Internacional fizeram mais um Gre-Nal tecnicamente fraco neste domingo. A dupla gaúcha empatou por 1 a 1 e permaneceu abraçada na zona do rebaixamento. O Inter é o 17.º, com 32 pontos, enquanto o Grêmio é o 18.º, com 31 pontos. Faltam oito rodadas para o final do Brasileirão, e o que me parece é que dirigentes, torcedores e treinadores não se atentaram para a realidade.
Antes de mais nada, respeito o Gre-Nal e sei que clássico deve ser encarado de maneira diferente. Mas entendo o técnico do Palmeiras quando ele tira o peso de um dérbi com o Corinthians. A leitura de quem está acostumado a ganhar títulos é simples: jogo de campeonato de ponto corrido vale o mesmo ponto, seja na 1.ª ou na 38.ª rodada.
O que me assusta é acompanhar o futebol gaúcho com os dois representantes na zona do rebaixamento e dirigentes, torcedores e imprensa especializada tratando o Gre-Nal como "o jogo", "a partida". Certa vez ouvi de um jogador gaúcho que "enquanto o futebol do Rio Grande do Sul não entender que a temporada não se resume ao Gre-Nal, a dupla seguirá patinando".
A rivalidade é essencial para a manutenção do amor pelo esporte, pelo clube, pelo futebol. Mas, enquanto a dupla fica medindo força para ver qual é o maior, qual é o melhor, deixam de ser adversários de outros. Esses outros crescem financeiramente, tecnicamente, e me parece que o futebol gaúcho fica cada vez mais isolado.
Galo e Cruzeiro são os dois grandes de Belo Horizonte. A rivalidade é maior ou menor? Não sei. Sei que, para o torcedor do Cruzeiro, é maravilhoso ganhar do Atlético-MG, e para a torcida do Galo é a mesma coisa. Mas eles entendem o tamanho que a rivalidade deve ter, para seguir olhando para fora dos seus limites.
Gre-Nal só vale título em final
Todo clássico é diferente. O torcedor acorda diferente, o jogador entende que é diferente. Mas há vida antes e depois do clássico. Mas, quando o tema é Gre-Nal, me parece que a vida começa e termina ali. Hoje, na entrevista coletiva, Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, disse que qualidade técnica precisa ser cobrada do Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Cruzeiro.
Não é assim, né? Mas o importante é ganhar o Gre-Nal! Então, talvez o melhor resultado tenha sido o empate. Assim, o perdedor não acha que o ano acabou e o vencedor não fica pensando que está tudo resolvido. Clássico é diferente, mas não é o ponto final de uma história.
Não me façam dar razão ao Abel Ferreira.
Grêmio e Internacional ainda podem se salvar
Mas é preciso acordar para a realidade. No Rio de Janeiro existe um time que vive para ganhar do Flamengo. Mas o seu torcedor nem lembra qual foi a última vez que isso aconteceu. Não vou dizer o nome, mas Fluminense e Botafogo encaram o Flamengo, que é a maior potência do Brasil, como um grande adversário no clássico.
Mas, quando acaba o jogo, é só mais um clássico, ganhando ou perdendo. Citei esse clube do Rio de Janeiro só para traçar um paralelo com o momento dele (que já dura 20 anos) e o caminho que pode ser traçado pela dupla gaúcha. Abram o olho!
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.