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Doria é criticado por permitir volta dos treinos só em julho

FPF e clubes se dizem surpresos com anúncio e esperavam que o retorno fosse imediato

18 jun 2020
05h09
atualizado às 08h13
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Os clubes de São Paulo e a Federação Paulista de Futebol (FPF) ficaram bastante insatisfeitos e surpresos com a decisão anunciada nesta quarta-feira pelo governador João Doria de autorizar a volta dos times aos treinos apenas para 1º de julho. Dirigentes e comissões técnicas das equipes esperavam uma liberação imediata para a retomada das atividades depois de mais de três meses de paralisação causada pela pandemia do novo coronavírus.

Governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Foto: Divulgação/Governo de São Paulo / Estadão Conteúdo

A frustração ecoada entre clubes e a FPF é resultado da expectativa criada na noite da terça-feira, quando o vice-governador Rodrigo Garcia enviou ao presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), Antonio Olim, uma mensagem com a informação de que Doria confirmaria a liberação em entrevista coletiva marcada para a quarta-feira. Cientes desse contato, os clubes já se preparavam para reabrir as portas, mas ficaram surpresos quando Doria anunciou que a autorização seria a partir de 1º de julho.

Em nota oficial, a FPF lamentou a data. "O anúncio, com o distante reinício das atividades, causou estranheza", diz o texto. A entidade convocou para a tarde desta quinta uma reunião extraordinária com as equipes para debater o retorno. Vários dirigentes e clubes procurados pelo Estadão se disseram surpresos com o governo. "O anúncio foi bem negativo. A data articulada para a volta era o dia de hoje (quarta)", afirmou o diretor executivo da Inter de Limeira, Enrico Ambrogini.

Os quatro principais clubes do Estado já se organizavam para receber novamente os jogadores nos próximos dias. As diretorias compraram testes e realizaram até adaptações nas estruturas físicas nos centros de treinamento para preservar o isolamento social neste início de retomada. As equipes tinham montado um cronograma para exames e atividades individuais. Alguns jogadores que estavam em outras cidades e até fora do Brasil haviam sido avisados para voltar o quanto antes, pois a reapresentação seria em breve.

"O anúncio do governador pegou todo mundo de surpresa. Daqui a pouco não vai dar mais para esperar, porque em agosto já querem começar o Campeonato Brasileiro e já tem times de outros Estados voltando a jogar", criticou o presidente do TJD-SP, Antonio Olim. "Hoje em dia está mais fácil pegar o coronavírus no shopping do que jogando futebol. Deveriam ter liberado os treinos", criticou.

O presidente do Santo André, Sidney Riquetto, demonstrou resignação. "Eu não sei mais o que fazer. Eu desanimei. A parte financeira está difícil porque estamos sem jogar e sem ter recursos. Ainda vamos ter de esperar mais tempo. Parecia que teria uma liberação imediata, mas mudou tudo", lamentou. "Outros presidentes pensam o mesmo que eu. Já tínhamos de voltar a treinar logo", completou.

"Nós não entendemos o motivo de a data ser 1º de julho e não agora. Até as prefeituras haviam autorizado a volta aos treinos. A decisão do governo foi uma surpresa. A proposta dos clubes é para se fazer apenas treinos individuais. Os jogadores estão mais protegidos em um CT do que ir ao mercado", disse o presidente do Mirassol, Edson Hermenegildo.

No Novorizontino, o presidente Genilson Santos afirmou que contava em poder receber nesta semana os jogadores para a bateria de exames. "Vejo que agora ficou mais difícil, porque os clubes se programaram, se organizaram em cima do protocolo médico da FPF e agora tudo se atrasou. Nós pensávamos que o retorno (aos treinos) seria antes e nos preparamos para isso", disse.

DIFERENTE

No Botafogo-SP, a preocupação no momento é maior até com a pandemia. O município de Ribeirão Preto está em situação crítica no combate à pandemia. Como o alerta continua ate o dia 28, a equipe considera mais seguro voltar somente em julho. "Pelo menos podemos conseguir ter condições melhores de saúde pública na cidade. Pelo menos estamos com essa data definida agora, mas é preocupante ficar tanto tempo parado", disse o presidente do Conselho de Administração da S/A do Botafogo, Adalberto Baptista.

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Estadão
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