Acolhedor, estádio do Operário tem problemas de estrutura
Ótimo clima da final não esconde os obstáculos do Estádio Germano Krüger
Da mesma forma que um time do interior chegar a uma final de competição revive os bons momentos das equipes de fora da capital paranaense, os estádios comprovam a falta de estrutura para atender a demanda de um jogo decisivo. O Germano Krüger, do Operário, é mais um exemplo desse problema.
Construído em outubro de 1941 e com capacidade para 8.795 torcedores, o estádio da equipe alvinegra recebeu um público de 7.067 pagantes, sendo 7.895 total. Com o ingresso mais barato custando R$ 100, a torcida do "Fantasma" se fez presente e incentivou o time para conquistar a importante vitória por 2 a 0 contra o Coritiba no domingo, gols de Peixoto e Joelson.
O clima na cidade era de festa total e o estádio, de fato, é acolhedor e simpático. Mas, em grandes jogos, escancara a necessidade de melhorias. Uma hora antes de iniciar o confronto, as filas para entrar no local dobravam as esquinas da Rua Emílio de Menezes - somente dois portões liberavam a entrada da torcida ao Germano Krüger. A demora era tanta que, com 20min de primeiro tempo, os torcedores ainda estavam chegando a arquibancada.
"Poderiam organizar melhor para o jogo. Chamaram a torcida, ela veio e todo mundo sabia que era partida de casa cheia. A gente releva pela felicidade da final, mas incomoda", reclama Paulo Matos, 48 anos, comerciante. "Todo esse tempo fora, pelo menos, fez eu gastar mais aqui fora que é barato.Lá dentro fica salgado", brinca.
Os preços nas três lanchonetes espalhadas pelo estádio eram de R$ 4 (água), R$ 5 (refrigerante), R$ 6 (cachorro-quente), além de alguns ambulantes comercializando pipoca, amendoim e outros doces. Até cerveja, proibida no Brasil, estava sendo vendida a R$ 6. No intervalo, inclusive, o estoque já tinha acabado para lamentação dos torcedores, que festejavam o triunfo parcial daquele momento e queriam uma "gelada" para diminuir o calor. "Vamos ter que comemorar depois na rua, né? O título está perto", comemora Carlos Henrique Pedroso, 25 anos, advogado, que ficou sete minutos na fila - o banheiro também tinha, mas com um tempo menor de demora.
É bem verdade que, desde 2013, o estádio vem passando por melhorias. Neste ano, por exemplo, o Operário retirou as grades e instalou 960 cadeiras no setor social compradas por R$ 50 mil do Atlético-PR - assim, a torcida da casa fica "colada" no banco de reservas e a ideia é cobrir essa parte. Além disso, a direção reformou camarotes, sala de imprensa, sala de musculação, sala do departamento de futebol e vestiário. “Instalamos mil cadeiras padrão Fifa, catracas eletrônicas, novos banheiros, bares, acessos e estacionamento”, comemora Antonio Mikulis, ex-presidente e atual diretor de futebol do clube.
Imprensa com torcida
As dificuldades dos jogos no interior do Estado já são conhecidos para os integrantes da imprensa. Vale ressaltar que a Vila Capanema, do Paraná, também dificulta o trabalho. E , neste domingo, não foi diferente. Com 10 cabines para rádio e televisão, a estrutura não foi suficiente para atender toda a cobertura da finalíssima.
Três rádios de Curitiba e cinco TV´s ficaram na arquibancada para trabalhar, junto com a torcida do Operário, no setor coberto. A imprensa escrita também. A promessa era de que esse espaço fosse isolado por corda e com a presença de policiais. Ficou só na palavra.
Nelinton Rosenal, narrador da Clube FM, fez exercícios e trabalhou conforme os torcedores à sua frente se mexiam. Levantar e abaixar, além de se preocupar com a possibilidade de gritar gol do time da capital paranaense. "Todo ataque do Operário, eu tinha que levantar para ver a jogada. O medo real era de sair um gol do Coritiba e ter que gritar. A gente não sabe a reação que poderia ter, podia acabar apanhando. Já tive experiências no interior e não foram nada boas. Tem torcedor fanático que não sabe entender e separar o trabalho de cada", lamenta.
A falta de tomadas e a internet wi-fi pegando mal só aumentaram o drama vivido pelos jornalistas presentes no estádio do Operário. "A falta de estrutura para um campeonato de primeira divisão é lamentável. Devia ter mais investimento e condições mínimas para trabalhar. O que me preocupa é que, mesmo se a Federação exigir isso, a gente sabe que os clubes do interior sofrem com a falta de dinheiro. Mas que precisa melhorar muito, isso é fato e, com boa vontade, poderia resolver parte do problema", finaliza Rosenal.