Volta do Fla a Madureira traz à tona nostalgia do "preto e branco"
Antes da imersão nostálgica, é preciso se despir das chateações óbvias como o trânsito caótico, bilheteria que deixa o torcedor espremido na grade, e que isso não é estádio para um clube grande como o Flamengo receber seus torcedores. De fato, não é mesmo. Não mais do que 2,5 mil cadeiras oriundas da reforma do Maracanã, além de concreto para mais mil pessoas, suporta o acanhado Aniceto Moscoso, mais conhecido como Conselheiro Galvão, rua estreita à linha de trem da Supervia.
Há oito anos que o Flamengo não dava as caras no bairro do Mercadão, dos campeonatos de basquete street embaixo do viaduto, do estádio em que os atletas, após muito sufoco nas manobras por parte do motorista, desembarcam para o jogo na rua. Isso mesmo, precisou de cordão de isolamento e tudo. O ônibus nem em sonhos caberia no estacionamento do Madureira Esporte Clube (MEC).
São estas coisas do passado, em um dos estádios mais antigos do Brasil, fundado em 1941, pelo patrono do clube na época, justamente o que dá nome ao caldeirão, Aniceto Moscoso, que dão a incontestável sensação de nostalgia pura, coisa que a modernidade futebolística vai levando a um ostracismo sem volta. Ainda mais pensando que erguem-se arenas por todos os cantos deste País.
Conselheiro Galvão é um filme em preto e branco em que você abstrai o que for da sua época claramente, como os patrocinadores atuais da camisa, e foca suas atenções para alguns costumes que estádios como um Engenhão não proporcionam mais. Desde a curiosidade do atleta em atuar num campo apertado, cujas dimensões são 101m x 68m, quase o mínimo exigido pela Fifa (100m x 64m), ao prazer do torcedor em se refrescar do calor "saariano" do subúrbio carioca pagando por um copo grande e gelado de suco de maracujá pela bagatela de R$ 0,50.
Os ambulantes, aliás, vibravam com os fregueses proporcionados pelo caos futebolístico-social instalado em um trecho de terreno curto, que possui linha de trem, rua de duas mãos sem opção de estacionamento e apertada, motos passando, ônibus, carros de polícia etc. Cenário de antigamente com toques irrepreensíveis do disparate urbano atual.
Os jogadores e técnicos dizem que não se incomodam, mas fazendo a justa comparação de se colocar no lugar da pessoa, eu não gostaria de ser o Leonardo Moura no segundo tempo, quando atuou pelo lado dos poucos torcedores do MEC e ficou o tempo todo escutando ao pé do ouvido que a ex-mulher largou ele por outro homem e outros impropérios impublicáveis. O mesmo ocorreu com um ex-flamenguista, hoje no Madureira. Jean foi bastante xingado pelos torcedores rubro-negros e também teve que manter a concentração.
Uma partida em Conselheiro Galvão, que poderia ter sido também em Moça Bonita, em Bangu, e outros estádios acanhados Brasil afora, é o poder de canal direto torcedor-atleta-técnico. A "massa" presente pressiona, e o calor vai de encontro ao campo, mas a oportunidade do diálogo, quer dizer, da mensagem própria no sonho de intervir realmente na partida, se mostra presente apenas nestas situações com prazo de validade para mais uma década talvez? Provável. Enquanto isso, sempre com segurança e atenção, vale a pena aproveitar enquanto há tempo.
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