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Escola gaúcha de técnicos reúne resultadistas e adeptos do jogo bonito

17 dez 2018
08h13
atualizado às 08h13
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A renomada e já consagrada escola gaúcha de treinadores reúne e, ao mesmo tempo, coloca frente a frente profissionais de dois estilos diferentes: os que priorizam o resultado "versus" aqueles que têm como objetivo o jogo bonito e menos pragmático.

História

A divisão é histórica. De um lado, estão os conceitos de Carlos Froner, vencedor de 11 campeonatos estaduais e técnico da Seleção Brasileira em 1966, que tinha uma postura mais "linha-dura" com relação às suas equipes, além do estilo com pragmatismo tático.

Do outro, está a figura de Ênio Andrade, tricampeão do Campeonato Brasileiro e uma das principais inspirações do atual comandante do Brasil, Tite. Seu Ênio, como era conhecido, defendia uma abordagem mais próxima com seus atletas e montava táticas que tinham, como prioridade, a troca de passes.

Campeonato Brasileiro

Foi a partir da presença dessas duas figuras que a escola gaúcha foi tomando forma. Na edição deste ano da primeira divisão do futebol brasileiro, nove técnicos do Rio Grande do Sul passaram por clubes da competição. A lista é composta por Osmar Loss, Lisca, André Jardine, Tiago Nunes, Roger Machado, Felipão, Paulo César Carpegiani, Mano Menezes e Renato Gaúcho.

O treinador campeão da disputa, aliás, pertence à tal escola e não negou ou escondeu seu propósito de jogo em entrevista coletiva concedida em novembro. Felipão afirmou com todas as palavras: jogando feio ou bonito, o detentor do troféu Palmeiras ia atrás do resultado.

"Se não estamos jogando de uma forma brilhante para alguns, estamos jogando de forma concreta para chegar no objetivo. Eu sempre fui um treinador de resultado, nunca me escondi atrás de outra carapuça, eu jogo pelo resultado. Feio ou bonito vai de cada um, para algumas pessoas eu sou bonito", contou o técnico após a vitória do Verdão para cima do Fluminense, por 3 a 0.

Por outro lado, Tiago Nunes, do Atlético-PR, é símbolo da mentalidade de Ênio Andrade. Assumindo o time interinamente após o trabalho ruim feito por Fernando Diniz, o gaúcho de Santa Maria "virou a mesa" e fez um segundo semestre digno de elogios - e efetivação - no Furacão.

Neste mês, após o triunfo da equipe paranaense contra o Flamengo, pela última rodada do Brasileirão, o comandante do time destacou o estilo de jogo e o ambiente instaurado dentro do clube fundado em 1924.

"A vitória de hoje demonstra o poder do nosso grupo, a personalidade dos atletas, não sentiram a pressão, o repertório que a equipe tem, vir aqui e jogar no contra-ataque contra o Fluminense na quarta-feira, e um jogo de proposição hoje. É uma equipe muito madura. Estou muito feliz pelo resultado, da maneira que foi, virar aqui dentro, Maracanã lotado. Muito feliz por essa família que a gente construiu em termos de ambiente", afirmou à ocasião.

Velha e nova guarda

No entanto, a distinção da escola gaúcha, atualmente, não diz respeito somente aos estilos exercidos pelos técnicos: há, também, uma diferenciação na faixa etária. E isso é aspecto importante na seguinte questão: não é porque a nova guarda (como Tiago Nunes), somente por ser jovem no cenário nacional, exerce um bom trabalho - assim como a velha guarda, somente por estar associada a conceitos mais antigo com relação ao futebol contemporâneo, não desempenha bem a função. Felipão é, também, o exemplo deste último cenário: com 70 anos, o pentacampeão mundial levou o Palmeiras à sua décima conquista da Série A.

Já Osmar Loss e Roger Machado simbolizam que, nem sempre, os treinadores da nova guarda são garantia de sucesso.

O primeiro deixou o comando principal do Corinthians após a derrota para o Ceará de Lisca - outro nome da escola gaúcha - com oito vitórias, quatro empates e dez derrotas na bagagem: total de 42% de aproveitamento dos pontos conquistados. Foram 20 gols marcados e 19 gols sofridos. Além disso, o técnico também acabou sendo eliminado pelo Colo-Colo na fase de oitavas de final da Libertadores da América.

Já Roger Machado nunca conseguiu extrair aquilo que se esperava do elenco do Palmeiras. Após 27 vitórias, nove empates e oito derrotas no comando da equipe alviverde, o natural de Porto Alegre deixou o cargo após o revés para o Fluminense, também pelo Campeonato Brasileiro.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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