Entrevista com Túlio Maravilha
Túlio -
Primeiro vamos fazer o gol 900, com certeza vai ter uma festa, uma comemoração, porque não é qualquer um que chega a uma marca histórica dessas. Que eu tenha conhecimento, só o Pelé e o Romário ultrapassaram essa marca. Então primeiro vamos fazer o 900, comemorar com aquela festa toda e depois vamos para o projeto 1.000 gols. Eu tenho certeza que mantendo a média de 40 a 50 gols por ano, até o fim de 2011 eu vou chegar nesse milésimo gol com a camisa do Botafogo do Rio de Janeiro.
Terra - Como você imagina que vai ser esse milésimo gol?
Túlio -
Seu eu pudesse escolher, seria um gol antológico de bicicleta contra o Flamengo, no Maracanã lotado. Mas nem tudo é possível e isso é apenas um sonho. O importante é que o gol mil saia, nem que seja de pênalti, de falta, de canela, de bico, de joelho, de cabeça, o importante é sair.
Terra - Se for de mão ou impedido também vale?
Túlio -
Vale também. Se o juizão validou o gol, então vale. Já fiz gol de mão contra a Argentina, já fiz gol impedido em final de Campeonato Brasileiro em 1995 contra o Santos e nem por isso deixei de ser campeão brasileiro e artilheiro. Então não importa de que maneira, o que importa é que saia esse milésimo gol o mais rápido possível.
Terra - E se não sair esse gol? Você está preparado para isso?
Túlio -
Só não sai se Deus não quiser, se não me der saúde. É uma obsessão, um objetivo, uma meta traçada na minha vida. É um projeto de vida e profissional, então nem que seja de muleta eu vou chegar a esse milésimo gol.
Terra - Você sonha com esse gol quando está dormindo?
Túlio -
Sonho todos os dias. Sonho com o milésimo, sonho com o 900, com o 950, principalmente com o milésimo. Eu sempre vou atrás de meus sonhos e meus objetivos. Meu lema é o seguinte: acredite nos seus sonhos. Por isso eu estou conseguindo, passo a passo, chegar aos meus objetivos.
Terra - Já existe alguma negociação com o Botafogo para que seu milésimo gol saia com a camisa do clube carioca?
Túlio-
Já está tudo combinado. Quando estiver faltando um ou dois gols para chegar no milésimo, eu vou fazer um jogo oficial, do Campeonato Brasileiro ou do Campeonato Carioca para marcar o milésimo e dedicar aos torcedores botafoguenses de todo o Brasil. O acordo já está firmado com o presidente Maurício Assumpção.
Terra - Quem faz o controle da contagem dos seus gols?
Túlio -
Eu mesmo que faço o controle, que faço tudo. Gol para mim é igual filho. Eu sei quantos filhos tenho, então sei quantos gols tenho, de que maneira foi, quando foi, onde foi. Está tudo gravado na minha memória.
Terra - E você conta também jogos não oficiais?
Túlio -
Claro, se não contar categoria de base, amistoso, é humanamente impossível chegar aos mil gols. Pelé, se for colocar na ponta do lápis, tem 700 e poucos gols em jogos oficiais. A mesma coisa acontece com o Romário e comigo.
Terra - É verdade que você só vai parar quando fizer 1016 gols, para homenagear as Olimpíadas do Rio?
Túlio -
Exatamente. Se eu cheguei aos 900, por que não chegar aos mil? Se eu cheguei aos mil, por que não chegar ao 1016? Então é uma questão de objetivo, de projeto. Já que o Rio de Janeiro foi escolhido a sede das Olimpíadas, então nada mais justo do que encerrar a carreira com uma homenagem.
Terra - Qual foi sua maior decepção no futebol?
Túlio -
Eu não tenho decepção, não. Quando perde um pênalti, quando perde um jogo, uma final de Campeonato é porque era para perder. Você tem que saber perder, faz parte do jogo.
Terra - E qual o seu maior gol perdido?
Túlio -
Sinceramente, não tenho tanta lembrança assim de gol perdido. Eu só procuro lembrar dos gols que fiz, porque só erra quem está lá. Mas sei que se tivesse feito os gols que eu perdi, com certeza eu teria feito mais de 2.000 gols.
Terra - E o seu gol mais bonito?
Túlio -
O gol mais bonito foi em 1991 com a camisa do Goiás, no Campeonato Goiano. Ganhamos de 4 a 0, eu fiz 3 gols e um deles foi de bicicleta.
Terra - Qual foi o gol mais feio que você já fez?
Túlio -
O mais feio, como diria Dadá Maravilha, não existe gol feio. Feio é não fazer gol. Todo gol para mim é bonito e importante. E cada golzinho é importante para chegar ao milésimo.
Terra - Você se lembra de já ter roubado o gol de outro, colocado para dentro do gol em cima da linha, essas coisas?
Túlio -
De ter roubado eu não lembro. Lembro de gols que não foram meus e o juiz acabou dando, gol contra.
Terra - Como você vê a atual situação do Botafogo?
Túlio -
O Botafogo está em uma situação delicada, mas vai conseguir superar e continuar na Série A, graças ao seu presidente, Maurício Assumpção, que é um cara de visão, um homem sério e tenho certeza que com o apoio da torcida o Botafogo vai ficar na primeira divisão.
Terra - Você tem mágoa de algum clube?
Túlio -
Não, não tenho.
Terra - Nem do Corinthians, quando você chegou como estrela e foi parar no banco de reservas?
Túlio -
Eu não tenho mágoa nenhuma do Corinthians. Fui campeão, fui artilheiro no banco, então só tenho boas recordações. Fui contratado para ser artilheiro e fui. Fui contratado para ser campeão e fui. Então, saí de lá com o dever cumprido. Eu poderia ter jogado mais, mas não aconteceu. Nem tudo sai do jeito que a gente quer, então valeu a passagem pelo Corinthians e vida que segue.
Terra - Você acha que teve pouca chance na Seleção Brasileira?
Túlio -
A minha passagem pela Seleção Brasileira foi a maior média de gols que um jogador já teve. Foram 14 jogos e 13 gols. Foi uma satisfação e um dever reconhecido por todos. Mas a minha instabilidadade de sair de um clube e ir para outro me atrapalhou. Eu nunca tinha condições de dar uma sequência. Isso atrapalhou muito a minha carreira.
Terra - Qual era o motivo dessa instabilidade?
Túlio -
A instabilidade se devia a minha falta de paciência, o time não estava bem e aí eu resolvia mudar. Eu também não aceitava ficar no banco. No Corinthians, por exemplo, eu saí porque não aceitava ficar no banco. Eu resolvi sair de lá e saí.
Terra - Você sempre foi um jogador que soube muito bem usar a auto-promoção, o marketing, a provocação ao seu favor. Você acha que os jogadores deveriam fazer mais isso, ser mais "politicamente incorretos" nesse sentido? O futebol ficaria mais divertido dessa maneira?
Túlio -
Com certeza. Eu sempre fui uma pessoa que valorizou muito isso. Todos sabem do meu jeito brincalhão, mas muitas vezes que brincava estava dizendo a verdade. O jogador tem que falar o que pensa e não falar sempre as mesmas frases prontas. Acredito que, por isso, eu, Edmundo, Romário, entre outros, sempre ganhamos espaços na mídia.
Terra - O que você vai fazer quando parar de jogar? Vai continuar a carreira política ou pretende ser técnico de futebol?
Túlio -
Quando eu parar de jogar vou seguir minha carreira política (Túlio foi o terceiro deputado mais votado de Goiás e se elegeu pelo PMDB). Também quero ser palestrante, comentarista de futebol e empresário de jogador. Já tenho contatos para tudo isso, mas só vou oficializar quando parar de jogar.
