'Dinheiro da Fifa é seu dinheiro': Infantino irá distribuir parte de reservas a confederações
Movimento vem em resposta à sugestão de Uefa, Concacaf e AFC para uso de parte dos US$ 6 bilhões previstos ao final de 2026
Para conter a oposição à sua reeleição, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, aceitou a proposta de Uefa, Concacaf e AFC para distribuir parte das reservas financeiras da entidade às confederações. O plano de repasse será avaliado pelo Conselho em 15 de outubro, com foco em critérios de governança, auditoria e manutenção da solidez da federação. A medida arrefeceu tensões políticas e fortaleceu a candidatura de Infantino para o pleito marcado para 28 de março, no Marrocos.
Gianni Infantino parece ter selado a paz com Uefa, Concacaf e AFC, que vinham marcando posição contrária à reeleição do presidente da Fifa. O dirigente prometeu acatar uma sugestão das três confederações e distribuir parte das reservas da entidade mundial.
Em carta endereçada aos presidentes das seis entidades continentais, à qual o Estadão teve acesso, Infantino foi direto ao recuperar uma frase dita por ele mesmo em 2016, quando tomou posse: "Dinheiro da Fifa é seu dinheiro. Dinheiro das associações-membro". "Os números e mecanismos agora propostos são novos. O princípio não é", completou.
Na réplica, Infantino coloca essa distribuição como uma ideia complementar à exploração comercial e ao investimento privado. A Fifa ainda pretende apresentar uma revisão do plano na reunião do Conselho, em 15 de outubro.
"A proposta comercial recente, que agora foi retirada, pretendia permitir que a Fifa investisse mais no futebol - não substituir o apoio que poderia ser fornecido de forma responsável a partir dos recursos existentes. Portanto, na verdade, teria sido uma adição", argumenta o presidente.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, irá agora consolidar todas as propostas em uma avaliação integrada para consideração pelo Conselho no dia 15. Foi pedido que modelos financeiros, suposições e informações de apoio sejam encaminhados a Grafstrom. Infantino já havia demonstrado abertura a novas ideias em comunicado enviado às associações na última semana.
A partir desta análise unificada, o Conselho deve estabelecer o método para a distribuição desses repasses de reservas da Fifa. Serão considerados:
- o valor, o momento e o objetivo desses repasses;
- o nível de reserva que a entidade deve manter para garantir "força financeira e independência";
- os critérios de elegibilidade, implementação, reporte e auditoria necessários para garantir benefícios sustentáveis e duradouros para o futebol.
"Eu não vou prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável por meio do processo de governança adequado da Fifa, aplicado de maneira justa e apoiado por arranjos transparentes e auditáveis", garantiu Infantino.
No texto assinado por Ceferin e Montagliani, havia uma insinuação de que o recebimento de verba pelo programa Fifa Forward estaria relacionado a apoio político. "Liberar parte dessas reservas demonstraria que as associações não deveriam ter de escolher entre desenvolvimento e boa governança; entre investimento e integridade; ou entre apoio financeiro e a capacidade de considerar propostas pelos seus méritos", diziam.
Na resposta, Infantino apaziguou. "Confiança não é a ausência de desentendimento. Ela é demonstrada quando nos envolvemos diretamente, testamos propostas contra os fatos e respeitamos decisões devidamente alcançadas por meio dos processos democráticos e institucionais da Fifa - mesmo quando o resultado difere daquele que preferíamos", escreveu.
O Conselho da Fifa, que se reúne daqui a duas semanas, é composto por 37 integrantes, incluindo Infantino, oito vice-presidentes e 28 membros eleitos pelas associações.
Apesar de todo desgaste causado a partir da apresentação do plano para investimento privado, Infantino tem recuperado apoio e projeções já consideram que ele tem força para se reeleger. As candidaturas serão inscritas até 28 de novembro. O pleito será em 28 de março, em Rabat, no Marrocos.
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