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Copa Coca-Cola

Nelson Rodrigues ajudou a fazer do Brasil o país do futebol

7 set 2012 - 08h16
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Se o futebol é um esporte que move os sonhos e as paixões das pessoas, poucos conseguiram traduzir estes sentimentos em palavras tão bem quanto Nelson Rodrigues. Dono de frases e expressões que se eternizaram entre os torcedores, o dramaturgo, que em 2012 completaria 100 anos, deixou um conjunto de crônicas esportivas que ajudaram a fazer do Brasil sinônimo de futebol espetáculo.

Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 2012
Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 2012
Foto: Futura Press

José Carlos Marques, professor do programa de mestrado em Comunicação da Unesp e autor do livro "O futebol em Nelson Rodrigues", afirma que o estilo de escrita do autor ia na contramão do jornalismo praticado na época. "O jornais estavam passando por uma profunda reforma, retirando adjetivos e advérbios. Mas ele apostava em textos com grande elaboração literária e em uma estética repleta de exageros, que surpreendia o leitor pelo inusitado", explica.

E foi justamente desta maneira que Nelson ajudou a criar a imagem de que o futebol praticado no Brasil é algo genial, fabuloso, especialmente após os textos que ele escreveu durante a Copa de 1970. "Enquanto o resto do mundo estava preocupado com preparação física e táticas de jogo, ele acreditava que isso era besteira, pois tudo poderia ser superado pela nossa habilidade e o talento", diz Marques.

Para Nelson o que menos importava era o resultado das partidas. Na verdade, o autor estava atento à forma como o futebol mexia com a vida e as emoções humanas. Por isso, chamava aqueles que estavam preocupados com as estatísticas de "idiotas da subjetividade", e acrescentava que "o pior cego é o que só vê a bola". Marques lembra que as crônicas do dramaturgo, por exemplo, ignoravam de propósito o papel da preparação feita pelo Brasil antes da Copa de 1970.

"Em cinco das seis partidas que disputamos naquele mundial o jogo foi para o intervalo empatado. O time fazia a diferença na segunda etapa, quando o adversário estava cansado, mas Nelson jamais valorizaria isso em seus textos, pois seria argumentar contra nosso talento", explica.

Primeiro a reconhecer majestade

Uma das características dos textos de Nelson é que ele adorava colocar apelidos nos jogadores. As boas atuações de Amarildo na Copa de 1962 renderam a ele a alcunha de "Possesso". Didi foi outro a ser homenageado, ganhando o nome de "Príncipe Etíope". Porém, a expressão que permanece até hoje na boca do povo é o que ele usou para caracterizar Pelé: "rei".

"Há uma crônica de 1957 na qual ele afirma que Pelé tinha um ar de majestade no trato com a bola. Esse é o primeiro registro de alguém chamando o jogador de rei, e foi escrito antes mesmo de Pelé explodir na Copa de 1958", conta Marques.

Outro artifício usado pelo dramaturgo era criar personagens para aproximar o leitor de suas narrativas. Alguns dos mais famosos são Gravatinha e Sobrenatural de Almeida. "Você lê sobre a grã-fina das narinas de cadáver e fica imaginando como seria ela: uma mulher de nariz em pé, que na verdade representava a forma como a elite via o futebol."

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Fonte: PrimaPagina
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