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Por que as bandeiras de Arábia Saudita e Iraque não tocaram o gramado na Copa do Mundo?

Países de origem muçulmana, ambos exibem símbolos religiosos em suas bandeiras

17 jun 2026 - 17h34
(atualizado às 17h50)
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Bandeira da Arábia Saudita não toca o gramado.
Bandeira da Arábia Saudita não toca o gramado.
Foto: Molly Darlington/ Getty Images

Algo diferente aconteceu antes do apito inicial nos jogos entre Arábia Saudita x Uruguai, e Iraque x Noruega, válidos pela primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.

Durante a tradicional cerimônia de entrada das seleções, as bandeiras gigantes dos quatro países não tocaram o gramado, como costuma ocorrer nas partidas oficiais do torneio. 

A decisão representou uma exceção ao protocolo normalmente adotado pela Fifa e foi motivada por questões religiosas relacionadas aos símbolos nacionais da Arábia Saudita e do Iraque. Para manter a uniformidade da cerimônia, as bandeiras de Uruguai e Noruega também permaneceram suspensas e foram carregadas pelos funcionários responsáveis pela apresentação.

No caso da Arábia Saudita, a razão está diretamente ligada à presença da Shahada em sua bandeira nacional. A inscrição representa a declaração de fé islâmica e traz a frase: “Não há Deus além de Deus, e Maomé é o Seu Mensageiro”. Dentro da tradição islâmica, permitir que palavras consideradas sagradas toquem o chão é visto como um ato de desrespeito.

As próprias orientações oficiais do Ministério da Cultura da Arábia Saudita determinam que a bandeira não deve tocar superfícies localizadas abaixo dela, como o solo, a água ou até mesmo mesas, justamente em razão do conteúdo religioso presente no símbolo nacional.

Já a bandeira do Iraque exibe a expressão “Allahu Akbar”, que significa “Deus é o Maior”, uma das frases mais importantes e conhecidas do Islã. Embora a legislação iraquiana não estabeleça uma proibição formal semelhante à saudita, a presença da inscrição religiosa faz com que o símbolo receba tratamento especial e seja cercado por cuidados específicos.

Para os muçulmanos, permitir que o nome de Deus toque o chão, seja pisado ou fique sujeito à sujeira é considerado uma forma de profanação. Por esse motivo, as autoridades esportivas optaram por adaptar o protocolo durante a cerimônia.

Nos demais jogos da Copa do Mundo, o procedimento tradicional foi mantido. Em partidas envolvendo seleções sem símbolos religiosos em suas bandeiras, os enormes pavilhões nacionais continuaram sendo estendidos normalmente sobre o gramado antes do apito inicial.

Fonte: Portal Terra
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