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Não foram só Galvão e Evê: Boston vira sede terror para a imprensa e escancara desorganização nos EUA durante a Copa

Sedes da Copa têm sido alvo de críticas por dificuldades no transporte, falta de informações, problemas de logística e desinteresse local

11 jul 2026 - 13h53
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Estrada a pé, estoques e empilhadeiras: o caminho da imprensa no estádio de Boston
Estrada a pé, estoques e empilhadeiras: o caminho da imprensa no estádio de Boston
Foto: Ana Paula Almeida/Terra

Boston é uma das cidades mais bonitas e vivas dos Estados Unidos. Parques, vida saudável, pontos turísticos, boa comida, sotaque específico e bom atendimento. Tinha tudo para ser uma das melhores sedes da Copa do Mundo. Mas acabou virando o terror da imprensa.

Na quinta-feira, 9, durante o jogo entre França e Marrocos, Galvão Bueno e Everaldo Marques reclamaram duramente sobre as condições a que estavam submetidos durante a transmissão. Parece mimimi, mas diferentemente da maioria dos estádios, o Gillette Stadium não oferece cobertura em nenhum dos setores, exceto camarotes. As cabines de transmissão ficavam debaixo do sol, sob uma temperatura de quase 35ºC.

Estádio de Boston totalmente aberto, sem proteção contra o sol
Estádio de Boston totalmente aberto, sem proteção contra o sol
Foto: Paula Almeida/Terra

Mas não foi só isso. Grande parte dos jornalistas ficou alocada dentro dos boxes específicos de imprensa, cobertos e refrigerados. Mas chegar lá fazia parte de uma aventura, como o Terra testemunhou no dia da partida e também na véspera.

Chegar ao estádio já era um desafio, para todos. O estádio de Boston não fica na cidade, mas sim em uma vizinha, Foxborough, e só é acessado por uma rodovia que, em grande trecho, tem apenas duas faixas. Para se ter uma ideia, leva-se cerca de 1h40 para chegar a partir do centro de Boston.

Na véspera, os jornalistas que foram ao estádio acompanhar as entrevistas coletivas dos técnicos de França e Marrocos tiveram que rodar quase todo o perímetro do estádio pela estrada, a pé e sem calçada para pedestres.

Já dentro do perímetro, o centro de imprensa ficava fora do estádio, em um galpão gigantesco, mas usado em uma pequena parcela. Para encontrar a sala de entrevista coletiva dos treinadores e a zona mista dos jogadores, os jornalistas precisavam passar por áreas de estoque e logística, em meio a empilhadeiras, caixas e carrinhos de transporte. Na véspera, nada de placas nem sinalização. No dia do jogo, a situação melhorou ligeiramente.

Caos no transporte de jornalistas

O próprio transporte específico de imprensa para o estádio foi cenário de caos. Em todas as sedes, a Fifa disponibiliza os chamados ‘shuttles’ gratuitos para jornalistas a partir de hotéis localizados em pontos das cidades. Na maioria das sedes, tem funcionado bem, mas não em Boston.

Na parada principal, em um hotel no centro da cidade, a reportagem presenciou um show de horrores, parte fruto da ausência de representantes da Fifa no local, para organizar as filas, e grande parte devido ao desrespeito de vários jornalistas.

Quando o ônibus chegou, um verdadeiro empurra-empurra começou, sem que houvesse qualquer prioridade para quem tivesse chegado primeiro ao local de encontro. As poucas mulheres presentes – apenas cinco, em meio a cerca de 40 homens – não foram poupadas dos empurrões e gritos. A motorista do ônibus tentou organizar, gritando que não seria possível a entrada de todos. Sua voz foi engolida. Vinte e seis pessoas entraram, mas a maioria precisou ficar esperando o próximo shuttle, que sairia dali em meia hora.

Base da França

Boston foi escolhida como base para a Seleção da França durante a Copa. Os jogadores e comissão técnica ficaram hospedados em um hotel no centro da cidade, e treinavam na universidade de Bentley, a cerca de 20 minutos. Durante as primeiras fases, apesar de ser o grande favorito ao título, o time francês movimentava basicamente a imprensa do próprio país. Com o avançar da Copa, equipes de jornalismo das seleções eliminadas, como o Brasil, passaram a acompanhar mais de perto os Bleus.

Nem a Fifa, que organiza todo o serviço nos centros de treinamento, nem a própria assessoria de imprensa francesa contavam com o crescimento exponencial da cobertura. Na quarta-feira, 8, o Terra esteve no CT da França em Bentley. O volume de jornalistas se assemelhava ao tamanho da imprensa que acompanhava os treinos da Seleção Brasileira em Morristown, mas com uma diferença: a maioria dos presentes era estrangeira. Dividindo o espaço com os franceses estavam jornalistas brasileiros, argentinos, japoneses, tchecos, ingleses e mexicanos, entre outros.

Os três toldos armados ao lado do gramado para proteger os profissionais do sol entregava o cenário expectativa x realidade: quem chegou cedo conseguiu se proteger. Quem chegou mais tarde ficou debaixo de sol. Importante destacar: se no CT da França havia pelo menos três toldos, nos treinos do Brasil nem isso existia.

Desorganização generalizada

De maneira geral, todas as sedes da Copa nos Estados Unidos têm vivido grande desorganização. Nossa reportagem já passou por Nova Jersey, Miami, Filadélfia, Boston, Houston e Kansas City. Não são poucos os relatos de jornalistas que cobriram vários Mundiais e dizem que esse é o mais confuso. Há boa vontade, mas generalizada falta de informações entre os funcionários e voluntários.

Para ser justa com Boston, o estádio de Nova Jersey, palco da grande final, também é um dos mais criticados. O Terra já passou por lá para três partidas: Brasil x Marrocos, Brasil x Noruega e França x Senegal. Em todos os três jogos, foi possível notar diferença nas orientações e nas direções de entrada e saída. A própria chegada ao estádio foi alvo de protestos por parte da comunidade local, já que o trem expresso que leva ao Metlife Stadium nos dias de jogos custa cerca de 100 dólares.

Pesa ainda o fato de que, diferentemente do que se viu no México, o público norte-americano parece pouco envolvido com a Copa. A liga nacional de beisebol segue acontecendo normalmente, e a final da NBA, na segunda semana da Copa, parou Nova York, por causa do título dos Knicks, como nenhum jogo dos Estados Unidos no Mundial fez.

A saída da maioria das seleções latinas e de todas as africanas, cujos torcedores estão entre os mais fervorosos, também foi deixando um clima de fim de festa. Hoje, apenas argentinos, noruegueses e ingleses conseguem mobilizar multidões e ainda fazer lembrar aos Estados Unidos que tem Copa até o próximo dia 19.

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Fonte: Portal Terra
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