Jornalista japonesa começou a acompanhar Seleção por causa de Zico e ganhou fama por amizade com Felipão
Kiyomi Nakamura vai para sua oitava Copa do Mundo cobrindo o Brasil
Uma coisa é fato em entrevistas coletivas e jogos da Seleção Brasileira: Kiyomi Nakamura estará por lá. Você pode até não lembrar pelo nome, mas com certeza já ouviu sua voz em compromissos dos jogadores com a imprensa.
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Nascida no “interior do interior do Japão” e formada em literatura americana e inglesa, a repórter cobriu a Canarinho pela primeira vez em 1998. Ou quer dizer, acompanhou o Mundial de Zico, na época coordenador técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Quando Zico assumiu como coordenador técnico, achei que era a minha oportunidade e fiz o projeto para acompanhar três meses de preparação até o final. Acompanhar o que o nosso Zico ia fazer na Seleção Brasileira. Achei que três meses fossem suficientes para saber da Seleção Brasileira, mas nada de suficiente. A seleção brasileira não tem como comparar com outra coisa. Não é apenas uma seleção de futebol. É emoção, paixão, raiva, alegria, felicidade”, conta ao Terra.
O que era para ser apenas três meses para seguir o ídolo virou uma motivação para Kiyomi. Ela sentiu que precisava viver o Brasil de perto e resolveu se mudar para o Rio de Janeiro em 2001, um ano antes da Copa do Mundo disputada em sua terra natal.
Ao chegar, enfrentou algumas dificuldades principalmente devido ao idioma. Mas, sem medo de tirar dúvidas e com força de vontade, Kiyomi apostou em um misto de estudos sozinho e aulas particulares para aprender o português.
“Quando quis aprender português, já estava trabalhando na televisão. Como o trabalho de imprensa é todo enrolado, não tem horário, comecei aprendendo sozinha, com livro, vídeo, fita. Eu queria ir para a aula, mas não conseguia, por isso aprendia sozinha. Fiz amizade com alguns brasileiros, descendentes de japoneses que moravam lá. [Depois] também paguei por professores que me ensinavam, fiz [aulas] algumas vezes”
Se escolheu o Rio de Janeiro também graças ao calor humano, até hoje ir aos quiosques das praias cariocas para beber chope com as amigas é o que a jornalista mais gosta de fazer quando não está na cobertura da Seleção Brasileira. Agora, se o assunto é trabalho, ela sempre estará ao lado de Jorge Ventura, seu amigo e cinegrafista de longa data.
“No começo da minha vida no Brasil, precisei entrevistar o João Havelange. Na época, eu ainda estava fazendo videorreportagem com a câmera, mas com ele não dava para fazer assim. Perguntei ao assessor dele quem era o melhor cinegrafista e ele disse que ia levar um. No dia de gravar, cheguei, olhei e ele já era careca, com roupa toda preta. Parecia uma pessoa muito rigorosa, mas eu não podia ter medo. Falei ‘bom dia’, então ele virou e falou ‘bom dia [animado]’. Ah, bom, pensei em começar a fazer tudo com ele, mas no primeiro ano estava fazendo com ele só matéria especial, mas a partir da Copa 2002, já como dupla, até agora sempre junto”, recorda sobre a parceria.
Nos bastidores da Seleção Brasileira, também criou um carinho especial por algumas figuras. A ligação mais emblemática é com Felipão, que, inclusive, a deixou mais conhecida no País.
“Todos os técnicos me ajudaram muito, deram atenção. O que agradeço ao Felipão é que, por causa dele, muitas vezes ando na rua e me perguntam: ‘Você é amiga do Felipão?’, ‘Você é repórter da Seleção?’ Por isso, facilitou muito o meu trabalho”, completa.
Agora, em sua oitava cobertura de Copa do Mundo, a jornalista demonstra confiança no hexacampeonato da Amarelinha, mas, claro, sem cair em oba-oba.
“Claro que não foram normais esses quatro anos, por isso eu estava muito preocupada. Com a chegada do Ancelotti, acho que está sendo para montar o time. Vários técnicos estavam tentando montar e faltava tempo. Falta tempo para o Ancelotti também, mas ele está montando, experimentou, testou e agora realmente para finalizar, convocou jogadores que ele queria convocar e vai finalizar e rumo ao hexa”, completa.

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