Após oportunidade contra Marrocos, lateral aposta em versatilidade para voltar a ser lembrado na Seleção
Arthur foi convocado quando ainda atuava no América-MG e, agora, espera oportunidade atuando pelo Bayer Leverkusen
Arthur, de 23 anos, se prepara para iniciar sua terceira temporada no futebol alemão com a camisa do Bayer Leverkusen, mas foi atuando em Minas Gerais que viveu um dos momentos mais especiais de sua carreira. Quando defendia o América-MG, em 2023, foi convocado pelo então interino Ramon Menezes para o primeiro amistoso da Seleção após a Copa do Mundo do Catar.
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Mais do que ser chamado, o lateral-direito teve a oportunidade de entrar em campo nos minutos finais da derrota por 2 a 1 para o Marrocos, coincidentemente o adversário do Brasil na estreia do Mundial. O momento, é claro, vai ficar para sempre na memória do atleta.
“Na hora que ele me chamou, escutei meu nome assim e tudo silenciou em volta. Fui correndo e o Bremer me desejou boa sorte, falou para eu aproveitar a oportunidade. Passou um filme na cabeça, troquei de camisa rápido e me preparei para entrar, escutei as instruções, e aí na hora que a bola saiu novamente finalmente subiu a plaquinha. Foi incrível, era um sonho e eu pude realizar”, recorda em entrevista ao Terra.
Ao ser convocado, Arthur quebrou um jejum de quase 50 anos sem jogadores do Coelho vestindo a camisa da Seleção Brasileira. O último havia sido Dario Alegria, em 1965. O feito foi bastante celebrado pelo clube e o lateral até ficou sabendo da convocação antes do anúncio oficial.
“No dia dessa convocação, eu estava confiante, mas tentando não criar muitas expectativas para depois não ficar chateado. Meu pai, antes da convocação, me deixou no CT do América, porque a gente ia ficar concentrado para o jogo. Assim que ele me deixou, ele: ‘Negão, Deus vai abençoar e estou sentindo que essa convocação vem. Só que, antes do treinamento, o Mancini juntou todo mundo e falou: ‘rapaziada, hoje nós vamos ter um corredor especial, porque nós temos um atleta convocado para a Seleção Brasileira. E aí era eu, isso foi antes da convocação. Fiquei meio sem reação na hora que ele falou meu nome. Eu não sabia o que eu fazia. A convocação seria depois do treino, saí correndo e peguei o telefone pra poder ver ao vivo”, conta.
Mesmo que já soubesse que seria chamado, a emoção aumentou após ter o nome mencionado pelo técnico: “Quando o Ramon falou meu nome, me arrepiei todo e fiz questão de ligar pros meus pais no momento exato que falou meu nome. Já tava todo mundo chorando, meus pais foram lá depois do treino me ver pra me abraçar e foi um momento muito mágico”.
Neste sábado, Arthur vai ver a Seleção Brasileira enfrentar o Marrocos novamente, mas dessa vez como torcedor. A expectativa, porém, fica pela expectativa de ser lembrado por Carlo Ancelotti nos primeiros meses após a Copa do Mundo.
“Agora estou adaptado, mais forte fisicamente e mentalmente também. Acredito que tenho as minhas individualidades, sou um jogador ambidestro, tenho essa opção de jogar tanto pela direita como pela esquerda. Na Alemanha, também aprendi a jogar como ala, então tenho mais essa função, tanto pela direita como pela esquerda, pode ser um diferencial ali para que eu chame a atenção do Ancelotti. Ele também já passou muito tempo aqui na Alemanha como treinador, sabe o quão exigente é a liga”, projeta.
Toda essa evolução mencionada por Arthur tem sido alcançada com a camisa do Bayer Leverkusen. Logo em sua primeira temporada, integrou o histórico time liderado por Xabi Alonso, que desbancou o Bayern de Munique e conquistou o Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e a Supercopa da Alemanha.
Na época recém-chegado ao clube, disputou apenas cinco partidas na temporada, o suficiente para dar duas assistências. Apesar da pouca minutagem, o aprendizado com Xabi Alonso marcou a carreira de Arthur.
“O Xabi é um cara muito ativo. Está sempre querendo se movimentar. Ele participava do nosso treino chutando contra o goleiro, batendo falta. Ele participava ativamente e também sempre foi muito didático. Ele também é um cara que que te ajuda bastante, no meu caso, como era o meu primeiro ano,ele chegava bastante em mim, a gente trocava ideia, ele me falava coisas que ele pensava que poderia agregar ao meu jogo, que eu poderia fazer para que eu me adaptasse mais rápido ao estilo de jogo alemão. Ele era muito tranquilo e muito alegre também”, fala o camisa 13.
Com o passar do tempo, passou a ganhar a confiança dos treinadores e participou de 31 partidas na última temporada. O tempo só não foi maior por causa de um “balde de água fria”: uma ruptura do ligamento do tornozelo esquerdo. Ainda assim, se destacou pelo trabalho que reduziu pela metade o tempo de recuperação.
“Optei por trabalhar incansavelmente de manhã na parte do clube e a tarde aqui em casa com o meu fisioterapeuta e gestor de performance, o Vitor, que eu fiz questão de chamá-lo para me ajudar nesse processo e ele veio para a Alemanha, me ajudou a passar por esse processo. A gente trabalhou de manhã, de tarde, à noite aqui em casa para que eu pudesse recuperar o mais rápido possível possível e deu tudo certo, voltei aos gramados com seis semanas”, lembra.
Hoje com um total de 64 partidas com a camisa do Leverkusen e adaptado à Alemanha, Arthur não escapou dos perrengues comuns de quem vai tentar a vida longe de casa. O lateral chegou a tomar o idioma, mas as aulas feitas ainda no Brasil o ajudaram a dar até mesmo entrevistas em alemão com menos de um ano morando no país europeu.
Por outro lado, o frio que o camisa 13 até subestimava quando morava em Belo Horizonte o assuntou: “Eu saí de Minas falando que eu gostava de frio, mas quando cheguei aqui mudei de ideia, porque o frio aqui é bem puxado.”
Diante as diferenças culturais, Arthur contou com o apoio da família para facilitar a adaptação aos costumes alemães.
“Sempre tive minha família próximo de mim. No meu primeiro ano, eles estavam aqui, meus pais, a minha irmã, meu cunhado, então eles me ajudaram nesse processo de adaptação. Eles deixaram o clima mais leve para que eu não sentisse tanto essa pressão de uma cultura nova, de língua nova, de alimentação nova, mas foi um processo que no começo é sempre difícil você mudar assim drasticamente a sua rotina, mas tudo ocorreu da melhor forma possível”, completa.
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