'Código 304': entenda a mensagem por trás da comemoração de Lamine Yamal, craque da Espanha na Copa
Jovem estrela traz para o campo homenagens ao bairro em que foi criado e expressão de sua fé
Lamine Yamal é a principal revelação da seleção espanhola nos últimos anos e, agora, sonha com o título da Copa do Mundo. Além da atuação em campo, o jovem é símbolo da diversidade no futebol. Ao comemorar seus feitos, faz seu tradicional gesto com as mãos, representando o número 304. Filho de pai marroquino e mãe guinéu-equatoriana, nasceu em Esplugues de Llobregat, na província de Barcelona, mas foi criado no pequeno bairro de Rocafonda, na cidade de Mataró — local que carrega consigo por meio da celebração que faz referência às suas origens.
Localizada a 30 quilômetros da Ciudad Condal, Rocafonda reune uma humilde comunidade multicultural e operária com forte histórico de imigração. O bairro ficou conhecido durante a Eurocopa de 2024, quando Yamal tinha apenas 16 anos, tornando-se o mais jovem a participar da fase final da competição e marcando o gol que abriria caminho para a classificação nas semifinais contra a França.
Tipicamente realizado pelos muçulmanos, o gesto, conhecido como Sujud ou Sajdah, é realizado durante as orações diárias e reconhece a grandeza de Alá (Deus) e mostra sua gratidão a ele.
O preconceito
Em março, a seleção da Espanha realizou um amistoso preparatório contra o Egito. Nesta ocasião, torcedores espanhóis realizaram um canto preconceituoso, entoando a frase "quem não pular é muçulmano".
No dia seguinte da partida, Yamal realizou uma postagem em suas redes.
"Sei que era contra o time rival e não era pessoal contra mim, mas, como pessoa muçulmana, isso não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável", disse o jogador.
Lamine ainda repudia o ato de usar religião como forma de provocação.
"Entendo que nem toda a torcida é assim, mas aos que cantam essas coisas: usar uma religião como provocação em campo faz de vocês pessoas ignorantes e racistas. O futebol é para aproveitar e animar, não para faltar com o respeito às pessoas pelo o que são ou no que creem", concluiu.
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