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Clubes paulistas acumulam prejuízo de R$ 307 milhões em 2019

Pandemia do novo coronavírus deve fazer clubes terem receitas até 25% menores na temporada 2020

5 mai 2020
05h12
atualizado às 07h51
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Os quatro principais clubes paulistas fecharam na última semana os balanços financeiros da temporada 2019 com algumas preocupações e certos de que o ano atual será ainda mais complicado. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo acumularam juntos o prejuízo de R$ 307,9 milhões no último exercício, número que representa um grande desafio para diretorias, já que todas terão pela frente em 2020 o desafio de lidar com um cenário econômico marcado pela diminuição de receitas causada pela pandemia do novo coronavírus.

(Foto: Divulgação/Arena Corinthians)
(Foto: Divulgação/Arena Corinthians)
Foto: Gazeta Esportiva

Segundo estudo dos balanços dos clubes feitos pela consultoria Sports Value, São Paulo e Corinthians foram os maiores responsáveis pelo futebol paulista terminar 2019 no vermelho. O clube do Morumbi teve prejuízo de R$ 156 milhões, enquanto o clube alvinegro registrou o recorde negativo de R$ 177 milhões (juntos, somam R$ 333 milhões). Embora Palmeiras e Santos tenham mostrado superávit, o resultado foi tímido. A equipe da Vila Belmiro lucrou R$ 23,5 milhões graças principalmente às vendas de atletas e o clube alviverde arrecadou R$ 1,7 milhão.

De acordo com o responsável pelo estudo, Amir Somoggi, os números da temporada de 2020 devem ser piores pela grande queda de receitas causadas pelos novo coronavírus. "Será o ano do choque de gestão no futebol brasileiro. É uma temporada decisiva. A situação é grave. Os clubes estão gastando demais", explicou o especialista.

Pelas previsões de Somoggi, os clubes brasileiros terão um impacto de mais de R$ 1 bilhão em 2020 com a queda de receitas provocadas pela pandemia. A arrecadação pode ter uma redução de até 25%. Não por acaso, várias equipes têm realizado diminuições salariais nos elencos para diminuir os prejuízos, como forma até de antecipar a esse revés. "O efeito do coronavírus será brutal. Mas tem uma outra questão mais assustadora: os times até podem cortar as receitas nesses meses, mas quando o futebol voltar, não quer dizer que a entrada de recursos também voltará imediatamente", alertou.

Sobre os números da última temporada, o especialista comenta que os números são negativos pela falta de controle nos gastos. Juntos, os quatro principais times do futebol paulista gastaram nos seus elencos em 2019 cerca de R$ 1,7 bilhão, um aumento de 21% em comparação aos custos de 2018. As contratações caras e salários altos são as principais causas desses resultados.

"O São Paulo está em um nível em que o gasto com futebol é maior do que toda a receita. Isso tinha de ser no máximo até 80% da receita", disse. Somoggi avalia que o Palmeiras é quem desfruta de uma condição mais favorável, por ter uma diversificação maior de receitas, porém reitera que o time alviverde teve como um grande aliado em 2019 o acordo para vendas de direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro.

A temporada deve ser movimentada para três dessas quatro equipes por causa de eleições para presidente. Corinthians, Santos e São Paulo terão disputas nas urnas no fim deste ano. Já o Palmeiras, só terá o processo eleitoral no fim de 2021.

Análise - Rui Costa*

'Os dirigentes vão ter de reinventar com essa crise'

O cenário de imprevisibilidade é desafiante na crise causada pelo novo coronavírus. Nenhum gestor de clube imaginou que teria esse problema no futebol, com a perda de receitas e até um distanciamento afetivo do torcedor, que não sabe quando voltará a ver o time em campo. O momento é oportuno para que as pessoas entendam a magnitude das funções de quem é gestor no futebol. Os dirigentes vão ter de reinventar com essa crise e será necessário ter transparência nos objetivos.

A saída para a crise é a criatividade. Os valores de vendas de jogadores vão cair muito, então essa receita será bem menor para os clubes. O papel dos dirigentes e dos presidentes é entender que os processos de gestão vão precisar ser mais longos, com planejamentos em triênios e não mais válidos apenas por um ano. Quem for dirigente, terá de se acostumar a passar até várias janelas de transferência sem contratar atletas.

É bom que o profissional do futebol nesse período de crise do coronavírus seja alguém com visão mais geral sobre vários processos, porque pode até acumular mais de uma função e precisar ter uma visão do marketing, por exemplo. O convencimento será importante, porque os jogadores também precisam se conscientizar dessa situação delicada que o futebol brasileiro viverá.

*Diretor de futebol, atuou em clubes como Grêmio, Chapecoense, Athletico-PR e Atlético-MG

Estadão
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