Cidadania brasileira pode tirar estrangeiros do novo limite no Brasileirão? Entenda requisitos
Oito atletas 'de fora' do Brasil não contam como estrangeiros em 2026; lista pode aumentar
Com o novo limite para atletas de fora no Brasileirão a partir de 2027, jogadores com dupla cidadania não ocuparão vagas de estrangeiros. A naturalização exige quatro anos de residência contínua — prazo reduzido para quem tem cônjuge ou filhos brasileiros —, domínio do português e ficha limpa. Diversos atletas e técnicos da Série A já estão aptos ao processo, que garante direitos civis plenos no país e não impede que continuem defendendo as seleções de suas nações de origem pelas regras da Fifa.
O Brasileirão de 2026 tem 159 jogadores estrangeiros inscritos. Há, porém, um grupo de oito atletas que não entra nesta conta: aqueles que têm dupla nacionalidade. Eles não serão contabilizados também para o novo limite de atletas de fora do Brasil relacionados a cada rodada a partir de 2027.
São três possibilidades para que eles não ocupem vagas de estrangeiros: nascer no Brasil (para aqueles que se naturalizaram para jogar em outra seleção); ter raízes familiares brasileiras ou dupla nacionalidade.
O argentino Walter Kannemann tem dupla cidadania, expedida em março, após dois anos do processo em aberto. O zagueiro chegou ao Grêmio em 2016. A partir de 2020, a cidadania já poderia ser requisitada. É o mesmo trâmite pelo qual passa o goleiro Agustín Rossi, do Flamengo.
Contratado em 2023, o argentino deu entrada para tirar cidadania brasileira em outubro de 2025. Ele tem contrato até dezembro de 2027. Além disso, o fato de ter raízes familiares no Sul do Brasil pode contribuir para não precisar cumprir o prazo de residência.
Quais são os requisitos para obter naturalização brasileira?
Como no caso de Walter Kannemann, são necessários, no mínimo, quatro anos de residência no Brasil. O prazo diminui para um ano no caso de pessoas refugiadas ou imigrantes que tenham filho ou sejam casadas (ou em união estável) com um brasileiro.
Ainda são exigidas a capacidade de comunicar-se em português e inexistência de condenação penal ou comprovação de reabilitação.
Jogadores da Série A que podem solicitar cidadania brasileira
- Atlético-MG: Alan Franco
- Bahia: Michel Araújo e Acevedo
- Flamengo: Arrascaeta, Agustín Rossi, Guillermo Varela e Erick Pulgar
- Fluminense: Germán Cano, Agustín Canobbio e Soteldo
- Grêmio: Villasanti
- Internacional: Gabriel Mercado
- Palmeiras: Gustavo Gómez, Flaco López e Joaquín Piquerez
- Red Bull Bragantino: Isidro Pitta e Andrés Hurtado
- São Paulo: Arboleda e Calleri
- Santos: Miguelito
- Vitória: Brítez e Emmanuel Martínez
*Considerando tempo de residência no Brasil
Abel Ferreira, que já demonstrou desejo de tirar a cidadania brasileira, cumpre os requisitos. "Se há brasileiros que querem tirar o passaporte português, este é um português que quer tirar o passaporte brasileiro", disse o técnico em 2024, quatro anos após a chegada ao Brasil.
O Mercosul tem, desde 2002, um acordo que permite o trabalho de estrangeiros em países do bloco e associados (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile), desde que cumpram exigência sobre residência. Entretanto, isso não equivale à cidadania, sem ter o mesmo efeito no Brasileirão.
O estrangeiro que adquire a cidadania brasileira pode ter documento de identidade e passaporte do Brasil, além de passar a ter direitos civis e políticos, inclusive votar e ser votado. Apenas o exercício de alguns cargos e funções (como o de Presidente da República) é reservado exclusivamente a pessoas com nacionalidade brasileira originária.
Fifa já mudou regras para naturalização, que é diferente de cidadania
No Palmeiras, o paraguaio Gustavo Gómez, o argentino Flaco López e o uruguaio Joaquín Piquerez cumprem os requisitos para ter dupla nacionalidade. Todos jogam pelas seleções de seus países, e a cidadania não impediria que continuassem a representar as equipes nacionais.
Os flamenguistas Arrascaeta (Uruguai), Guillermo Varela (Uruguai) e Erick Pulgar (Chile) vivem a mesma situação. Já o goleiro Rossi poderia até mesmo jogar pelo Brasil, se comprovasse raízes brasileiras ou completasse cinco anos vivendo no País. Convocado pela Argentina em 2021, ele não atuou em jogos oficiais.
Para jogar por uma seleção diferente do país em que tem cidadania, o jogador precisa cumprir um de três requisitos básicos:
- ter nascido em território do país;
- ter pelo menos um dos pais biológicos ou um dos avôs biológicos nascido no país;
- morar continuamente por 5 anos no país após os 18 anos.
Em 2021, a Fifa mudou as regras para a "migração" entre seleções. O limite são três jogos oficiais pelo time principal antes dos 21 anos. Nesse caso, é preciso estar ausente de convocações por três anos e já ter o registro por outro país anteriormente.
Também é possível atuar por uma seleção na base e por outra no profissional, desde que se tenha registro duplo até os 21 anos. Dessa forma, João Costa, atacante de 20 anos do Cruzeiro, pode jogar pelo Brasil, mesmo tendo participado de jogos de Portugal na base.
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