Chapecoense vive um luto sem fim
Morte do presidente do clube de covid-19 é mais uma tragédia para a cidade de Chapecó
O acidente aéreo com a delegação da Chapecoense na Colômbia, em novembro de 2016, no qual morreram 71 dos 77 ocupantes, é um trauma que não cicatriza na história do clube e das pessoas que perderam parentes e amigos no desastre. No entanto, a dor na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, envolvendo diretamente a Chapecoense, continua intensa e teve um novo pico na semana passada, quando o presidente do clube, Paulo Ricardo Magro, morreu de covid-19.
O dirigente, então com 59 anos, estava internado na UTI do Hospital da Unimed, em Chapecó desde 18 de dezembro. Morreu no dia 30 em razão de complicações decorrentes da doença. Paulo Magro assumiu o comando do clube no lugar de Plinio David de Nes Filho, o Maninho, em agosto de 2019.
Maninho foi quem ficou na presidência do clube após a morte do presidente Sandro Palaoro, um dos passageiros do voo da Chapecoense.
Em março do ano passado, um novo baque abateu o clube e a cidade. No dia 26 daquele mês, o jornalista Rafael Henzel, 45 anos, teve mal súbito quando se divertia numa partida de futebol em Chapecó. Foi levado ao hospital, onde morreu minutos depois ao sofrer um infarto.
Rafael Henzel era um dos sobreviventes do voo e trabalhava na Rádio Oeste Capital, de Chapecó. Ao longo dos dois anos e meio que viveu após a queda do avião, o jornalista atuou como um bálsamo para as famílias das vítimas do acidente. Explicou que tudo ocorrera de forma repentina e que ninguém teve tempo nem de ser tomado de susto quando da colisão com o solo colombiano.
Henzel deixou seu registro sobre a tragédia no livro “Viva como se estivesse de partida” (Editora Principium), no qual aborda de forma delicada os acontecimentos do dia 29 de novembro de 2016 e passa uma mensagem de esperança para quem perdeu o rumo com a morte de entes queridos no acidente.