Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Bola de Ouro e Fifa The Best: atletas ganhadores jamais conquistaram a Copa do Mundo após o prêmio

No Catar, Benzema e Lewandowski chegam como os melhores do mundo da 'France Football' e da Fifa, respectivamente, e terão de lidar com 'maldição'; entenda histórico

19 out 2022 - 15h12
Compartilhar
Exibir comentários

Alguns jogadores recebem destaque especial antes de começar a Copa do Mundo, independentemente do local ou do período em que o torneio é disputado. são os ganhadores do prêmio de melhor do mundo. Historicamente, no entanto, o vencedor da premiação concedida pela Fifa - e durante 2010 e 2016 em parceria com a revista francesa France Football -, não tem vida fácil na maior competição entre seleções do mundo.

Com os holofotes sobre si, esses craques não costumam repetir o desempenho que tiveram por seus clubes na seleção nacional. São visados e a marcação é dura. Ao analisar o histórico da premiação, instituída pela Fifa em 1991, os jogadores vencedores têm um desempenho aquém do esperado no principal palco do futebol mundial neste século e nunca ganharam a competição.

Neste ano, Robert Lewandowski, jogador do Barcelona e da seleção polonesa, chega ao Catar com esse "peso" sobre os ombros. Eleito no início de 2022 como o melhor do mundo no prêmio Fifa The Best, a premiação levou em consideração os feitos do atacante enquanto ainda estava no Bayern de Munique.

Foi a segunda vez que Lewandowski conquistou o prêmio. Em 2021, em cerimônia que levou em consideração o ano em que os campeonatos foram paralisados pela pandemia, o atacante já havia sido eleito como melhor do mundo. Já em sua segunda premiação, venceu após marcar 69 gols em 69 jogos pelo Bayern de Munique e Polônia na temporada 2020/21.

Pela France Football, Karim Benzema foi eleito, nesta semana, o melhor jogador da temporada 2021/22. Campeão da Liga dos Campeões, Campeonato Espanhol e artilheiro do Real Madrid, o atacante voltou a ser chamado para defender a seleção francesa após polêmica com o companheiro de equipe Valbuena - ele foi considerado culpado como cúmplice de chantagem.

Neste levantamento do Estadão, leva-se em consideração as premiações concedidas pela Fifa e pela France Football desde 1991, ano em que a entidade máxima do futebol passou a premiar o melhor do mundo. Neste período, sete Copas do Mundo foram analisadas: 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. Em nenhuma delas o melhor jogador do mundo foi campeão mundial. É uma sina que carregam.

Vale ressaltar que, antes de 1995, jogadores sem nacionalidade europeia não poderiam concorrer ao prêmio da Bola de Ouro pela France Football. Pelé e Garrincha, craques nas três primeiras conquistas da seleção brasileira, nunca venceram o prêmio de melhor jogador do mundo enquanto ainda atuavam - anos depois, a revista francesa concedeu os prêmios retroativamente aos jogadores.

Copa do Mundo 1994 - Roberto Baggio

Roberto Baggio foi eleito melhor do mundo pela Fifa e pela France Football após seu desempenho na temporada de 1992/93 pela Juventus. Meia-atacante, Baggio se destacou no início da década de 1990 pelo clube de Turim, onde conquistou uma Copa da Itália, um Campeonato Italiano e uma Copa da Uefa - antigo nome da Liga Europa.

Em sua temporada de melhor do mundo, Baggio marcou 30 gols e deu 11 assistências em 43 jogos, além de conquistar a Copa da Uefa. Seu desempenho lhe conferiu uma vaga na Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos.

No Mundial, Baggio teve um desempenho apagado na primeira fase - a Azzurra se classificou em terceiro no grupo, atrás de México e Irlanda -, mas ele foi o principal jogador da Itália no mata-mata. Nos quatro jogos, incluindo a final, marcou cinco dos seis gols da seleção, eliminando Nigéria, Espanha e Bulgária no caminho.

Na decisão, contra a seleção brasileira, Baggio dividia com Romário o posto de melhor jogador da competição. Apesar de seu desempenho ao longo da fase eliminatória, o jogador ficou marcado por sua cobrança desperdiçada na disputa de pênaltis. Em um chute por cima do travessão, Baggio foi o "responsável" pelo tetracampeonato mundial do Brasil.

Copa do Mundo de 1998 - Ronaldo

Para a disputa da Copa de 1998, Ronaldo chegou à França com o status indiscutível de melhor do mundo por causa de seu desempenho pelo Barcelona na temporada de 1996/97. Campeão da Supercopa da Espanha, da Recopa Europeia e do Campeonato Espanhol (este de forma invicta), o atacante foi a escolha tanto da France Football quanto da Fifa.

A premiação da entidade máxima, por considerar o ano letivo para a premiação, elegeu Ronaldo por seu desempenho no ano de 1997 - reta final da temporada de 1996/97 e início da 1997/98, na qual havia se transferido para a Inter de Milão. Em seu único ano no Barcelona, marcou impressionantes 47 gols em 49 jogos.

Na Copa do Mundo de 1998, tanto Ronaldo quanto o Brasil chegaram como favoritos ao título. Atuais campeões mundiais, a seleção brasileira, comandada por Zagallo, teve algumas dificuldades na fase de grupos - sofreu na estreia contra a Escócia e perdeu para a Noruega -, mas se classificou em primeiro do grupo A.

Nos seis primeiros jogos, Ronaldo marcou quatro gols nos seis primeiros jogos, que levaram o Brasil a disputar a decisão contra a França. Antes da partida, o atacante era a principal peça ofensiva da equipe de Zagallo, mas uma convulsão na véspera da final limitou o seu jogo.

Zagallo chegou a escalar Bebeto para a decisão, mas voltou atrás minutos depois ao colocar Ronaldo como titular. Limitado e sem estar em sua melhor condição física, não conseguiu a derrota brasileira diante da França. 3 a 0, com dois gols de Zidane.

Apesar da derrota, Ronaldo foi eleito como melhor jogador do torneio, à frente do próprio Zidane e do croata Davor Suker, artilheiro com seis gols. Na Copa seguinte, em 2002, o "Fenômeno" daria a volta por cima, conquistando sua segunda Copa do Mundo.

Copa do Mundo de 2002 - Luís Figo/Michael Owen

Em 2002, foi a primeira vez em que uma Copa do Mundo teve dois países sede (Coreia do Sul e Japão). Da mesma forma, a competição teve dois melhores do mundo: Luís Figo e Michael Owen, eleitos pela Fifa e pela France Football, respectivamente.

Português, Figo viveu uma polêmica nos início dos anos 2000: sua transferência do Barcelona, em que era ídolo e havia disputado cinco temporadas com o clube, para defender o Real Madrid, seu maior rival na Espanha. A história foi documentada em "O Caso Figo: A Transferência que Mudou o Futebol", disponível na Netflix.

Em seu primeiro ano no Real, marcou 14 gols e deu 26 assistências, em 50 jogos, conquistando um Campeonato Espanhol no período. Foi eleito melhor do mundo pelo seu desempenho no ano de 2001 - final da temporada 2000/01, início da 2001/02 -, mas não teve o mesmo nível na Copa do Mundo. Com Portugal, foi eliminado ainda na fase de grupos, em uma chave composta por Coreia do Sul, EUA e Polônia, com apenas uma vitória - e sem marcar gols.

Já Owen obteve um melhor resultado no Mundial. Enquanto defendia o Liverpool, alcançou as quartas de final com a Inglaterra - acabou eliminado pelo Brasil, derrota por 2 a 1. Marcou dois gols naquela edição, ambos no mata-mata - contra Dinamarca e Brasil.

Copa do Mundo 2006 - Ronaldinho Gaúcho

Antes de chegar ao Mundial na Alemanha, Ronaldinho Gaúcho havia alcançado o ápice da sua carreira no Barcelona. Eleito melhor do mundo em 2005, conquistou dois Campeonatos Espanhóis, em 2004/05 e 2005/06, e uma Liga dos Campeões, em 2005/06, o meia chegou como o camisa 10 de uma seleção brasileira estrelada: era membro do "quadrado mágico", composto por Adriano, Kaká e Ronaldo Fenômeno.

Nas temporadas de 2004/05 e 2005/06, o meia teve um destaque especial durante o ano de 2005, que lhe conferiu o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa e a Bola de Ouro. Nestas duas temporadas, disputou 87 jogos, com 39 gols e 40 assistências. Já na Copa do Mundo, Ronaldinho não repetiu seu desempenho no Barcelona com o Brasil.

Em cinco jogos na Alemanha, Ronaldinho - assim como toda a seleção brasileira comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira - não encantou. Em cinco jogos, passou em branco em todos, sem marcar um gol sequer. O Brasil foi eliminado nas quartas de final, contra a França de Zidane e Henry.

Copa do Mundo 2010 - Lionel Messi

Em 2009, foi a primeira vez que Lionel Messi foi eleito o melhor jogador do mundo, tanto pela Fifa quanto pela France Football. Entre 2009 e 2012, o argentino foi unânime na premiação, com quatro títulos seguidos. Pelo Barcelona, conquistou no ano de 2009, ao lado do técnico Pep Guardiola, todos os títulos possíveis: Campeonato Espanhol, Copa do Rei da Espanha, Supercopa da Espanha, Mundial de Clubes e Champions League.

Antes de chegar na África do Sul, disputou, entre 2008 e 2010, 104 jogos, 85 gols e 31 assistências. Os números o credenciaram à Bola de Ouro e ao Melhor do Mundo da Fifa em 2009, mas o argentino não conseguiu repetir o desempenho com a seleção argentina.

Em sua segunda Copa do Mundo, Messi foi subutilizado por Maradona, então treinador da Argentina. Em cinco jogos, o meia não marcou um gol sequer, sendo utilizado em uma posição diferente daquela em que jogava no Barcelona - um falso nove, enquanto foi um meia-atacante, por vezes um ponta, com Maradona.

Mesmo assim, foi eleito melhor do mundo pelo ano de 2010 - primeira premiação unificada entre a Fifa e a France Football. Em janeiro de 2011, superou Xavi e Iniesta, campeões mundiais com a Espanha e seus companheiros de Barcelona. "Não esperava ganhar hoje. Já estava feliz por estar aqui com meus companheiros, e ganhar de novo faz deste um dia muito especial. Quero dividir o prêmio com meus companheiros, minha família e com todos os barcelonistas e argentinos", afirmou após vencer a premiação da noite.

Copa do Mundo 2014 - Cristiano Ronaldo

Na década de 2010, Cristiano Ronaldo e Messi dominaram as premiações de melhor jogador do mundo. Mas em 2014 - premiação que levou em consideração o ano de 2013 -, foi apenas a primeira do português na década e a segunda de sua carreira.

Mesmo sem ganhar nenhum título pelo Real Madrid em 2013, seu desempenho em números no ano o fez superar Lionel Messi e Franck Ribéry na eleição da Fifa e da France Football. Ao todo, foram 69 gols marcados ao longo de todas as competições - artilheiro do mundo e chuteira de ouro da Uefa.

Já na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, CR7 chegou como campeão da Champions League, na temporada 2013/14, mas repetiu a performance de seu compatriota Luís Figo. A seleção portuguesa foi eliminada ainda na fase de grupos, em uma chave com Estados Unidos, Gana e Alemanha - campeã do mundo nesta edição.

Jogando como um ponta-esquerda, marcou apenas um gol, diante da Gana, e sofreu uma goleada de 4 a 0 da Alemanha, que consolidou a eliminação da equipe na fase de grupos. Apesar disso, assim como Messi na Copa de 2010, foi eleito o melhor jogador do mundo em 2014, muito por conta de seu desempenho no Real.

Copa do Mundo 2018 - Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo foi o único atleta dessa lista que disputou duas Copas do Mundo na condição de melhor jogador do mundo. Entre 2016 e 2018, conquistou o tricampeonato da Champions League pelo Real Madrid (temporadas de 2015/16, 2016/17 e 2017/18, esta um mês antes do início do Mundial).

Diferentemente de 2014, Cristiano atuou como um centroavante com a seleção portuguesa. Nessa nova posição, na primeira partida da Copa, marcou os três gols do empate com a Espanha em 3 a 3. No segundo jogo, anotou o único gol da vitória sobre Marrocos, por 1 a 0.

Com quatro tentos em duas partidas, ele superou seu número de gols nos outros três Mundiais que disputou - em 2006, 2010 e 2014, somou três gols ao todo. Apesar desse início como artilheiro e principal jogador da Copa do Mundo até a segunda rodada, CR7 não conseguiu seguir com seus números na Rússia. Contra o Irã, na terceira rodada, e Uruguai, partida da eliminação nas oitavas de final, passou em branco. No Catar, disputará sua última Copa como jogador por Portugal.

Lista de vencedores da Bola de Ouro antes de 1991/Seleção campeã da Copa no ano seguinte

  • 1957 - Di Stefano (ESP) - Brasil
  • 1961 - Sívori (ITA) - Brasil
  • 1965 - Eusébio - Inglaterra
  • 1969 - Rivera (ITA) - Brasil
  • 1973 - Cruyff - Alemanha
  • 1977 - Simonssen (DIN) - Argentina
  • 1981 - Rummenigge (ALE) - Itália
  • 1985 - Platini (FRA) - Argentina
  • 1989 - Van Basten - Alemanha
Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade