As grandes tendências da 2026: o que o maior evento de saúde da América Latina revelou sobre o futuro do consumo saudável?
Naturaltech 2026 aconteceu neste fim de semana em São Paulo
Fui à Naturaltech 2026 com a missão de entender para onde caminha o mercado de produtos saudáveis no Brasil, e saí de lá com a certeza de que estamos diante de uma virada. A 20ª edição da maior feira de saudabilidade da América Latina, realizada entre os dias 10 e 13 de junho no Distrito Anhembi, em São Paulo, reuniu mais de 1.700 marcas e 836 expositores em quatro dias de muito lançamento, palestra e, principalmente, de sinais claros sobre o que o consumidor consciente vai querer daqui pra frente.
Conversei com especialistas, marcas e visitantes ao longo dos dias, e o que ouvi confirmou, e muito, o que os corredores da feira já mostravam visualmente. Vou contar aqui as cinco tendências que mais me chamaram a atenção.
Tendência 1: Proteína segue forte e agora presente em tudo, e de formas que você não esperava
A proteína segue como a grande estrela do mercado, mas o que mudou é a forma de consumir. Esqueça o shake de academia como única opção. Na Naturaltech 2026, vi proteína em água, em café, em snack salgado, em sobremesa, em homus e até em mingau.
Um dos lançamentos que mais me chamou atenção foi o da Bendu, marca que chegou à feira com os Salty Chips, salgadinhos proteicos com 11g de proteína por embalagem, sem glúten, sem lactose e feitos com apenas seis ingredientes. Mais um case perfeito de clean label encontrado em snack salgado, uma categoria que a marca ainda não havia explorado. Segundo Marcelo Azevedo, fundador da Bendu: "Sabíamos que existia uma oportunidade no mercado, mas não queríamos lançar qualquer produto. Foram mais de 18 meses de trabalho até chegarmos ao resultado que queríamos."
A mensagem é clara: proteína deixou de ser exclusividade do universo fitness e passou a fazer parte da alimentação cotidiana de quem busca saúde e bem-estar. A Caffeine Army reforça isso com o SuperCoffee Protein+, um café funcional que combina 15g de proteína com fibras prebióticas e ingredientes para foco e energia, tudo numa dose só.
Tendência 2: Clean label: o rótulo limpo como promessa de confiança
Outra tendência que não dá sinais de desaceleração é o clean label, produtos com poucos ingredientes, reconhecíveis e sem aditivos desnecessários. O consumidor está cada vez mais atento ao que está escrito na embalagem, e as marcas já entenderam o recado.
Essa lógica apareceu tanto nos alimentos quanto nos cosméticos. Na beleza, o Clean Beauty Awards, premiação realizada durante a feira, destacou produtos formulados com alta concentração de ingredientes naturais e sem substâncias controversas. Marcas como a Inner Beauty e a CO.RE Brasil exemplificam bem esse movimento: fórmulas de alta performance que não abrem mão da transparência dos ingredientes.
Tendência 3: Fibras e saúde intestinal como prioridade
Uma das novidades mais presentes nas conversas e nos lançamentos foi a fibra prebiótica. O intestino virou protagonista do bem-estar, e a indústria está respondendo a isso. Produtos com foco em saciedade, saúde intestinal e microbioma apareceram em formatos os mais variados: de barrinhas a bebidas, muitas vezes combinando proteína e fibra na mesma embalagem.
A PINC chegou à Naturaltech com a linha PINC Bar Crispy, barras com 6g de fibras prebióticas e 10g de proteína em apenas 32g de produto, desenvolvida especialmente para consumidores que buscam alta densidade nutricional em pequenas porções. O Grupo Piracanjuba apresentou toda uma linha de bebidas com prebióticos, reforçando que o cuidado com o microbioma já é demanda mainstream, não mais de nicho.
E a Mahta, que você vai conhecer melhor na tendência 5, também é um exemplo forte aqui: a marca lançou a Mahta Bar, barrinha feita com superalimentos amazônicos que entrega 12g de proteína vegetal e 11g de fibra por unidade (47% da ingestão diária recomendada), com fibra prebiótica, zero polióis e zero aditivos artificiais. A proposta é simples: uma barra que não apenas parece saudável na tabela nutricional, mas que de fato nutre o intestino.
Tendência 4: Hidratação inteligente: eletrólitos e drinks funcionais
Se por um lado a proteína dominou a área de alimentos, nas bebidas o grande tema foi hidratação funcional. A categoria de drinks com eletrólitos, ativos funcionais e benefícios específicos explodiu na feira, e o formato preferido é a latinha ou a garrafa pronta para consumo.
Três marcas resumem bem o movimento. A Moving levou à Naturaltech um dos maiores estandes da feira e apresentou o Hydro Protein PRO, bebida que une 20g de proteína, 3g de creatina e eletrólitos numa única garrafa zero açúcar. Nas palavras de Fernando Gorayeb, Co-CEO da Moving: "Estamos vivendo um momento muito importante, tanto em expansão quanto em fortalecimento de marca dentro do mercado de bebidas funcionais. Os lançamentos refletem nossa proposta de desenvolver produtos que entreguem funcionalidade real, praticidade e sabor para um consumidor cada vez mais atento à saúde."
Já a LIQUIDZ aposta em sachês de eletrólitos em pó com sódio, potássio e magnésio, mais de 600mg de minerais por porção, zero açúcar e feito com água de coco, para quem quer hidratar de verdade sem precisar de uma latinha. E a SEDE chegou com uma proposta diferenciada dentro do universo de energéticos funcionais: além do já conhecido Foco & Disposição, lançou dois novos rótulos, Calma & Equilíbrio (com L-teanina e magnésio para momentos de pausa) e Energia Social & Carisma (com L-triptofano e jambu para potencializar interações). A frase do CEO Alex Rosário resume bem o espírito da categoria: "A energia não é única, ela muda ao longo do dia."
O conceito de bebida não alcoólica com funcionalidade está claramente em alta, e começa a ganhar espaço até em ocasiões sociais, onde antes reinavam os refrigerantes.
Tendência 5: Economia regenerativa: marcas que fazem bem ao planeta, à sociedade e a quem consome
A tendência que talvez seja a mais estrutural de todas vai além do produto em si. Cada vez mais marcas chegam à Naturaltech com um discurso, e uma prática, de economia regenerativa: negócios que consideram o impacto ambiental, social e humano de forma integrada.
O exemplo mais completo que encontrei na feira foi a Mahta, que se define como a primeira empresa "Regen(eration)-Based" do mundo. A marca trabalha com superalimentos amazônicos (castanha-do-Brasil, frutas nativas, ativos da floresta) produzidos por comunidades extrativistas locais em sistemas agroflorestais. Cada produto comprado, segundo a marca, contribui diretamente para a preservação da Amazônia e para o sustento das famílias produtoras. Não é sustentabilidade como marketing: é um modelo de negócio construído sobre regeneração do solo, da floresta e das pessoas.
A pergunta que norteia essas marcas já não é só "o produto é saudável?", mas "ele é bom para quem produz, para quem consome e para o planeta?"
A Naturaltech 2026 deixou evidente que o mercado saudável brasileiro amadureceu. Não se trata mais de uma tendência de nicho, é um movimento de consumo mainstream, com marcas cada vez mais sofisticadas, consumidores mais exigentes e uma indústria que aprendeu a unir ciência, sabor, sustentabilidade e propósito em um único produto.A próxima edição já tem muito a superar.
*Por Amélia Whitaker, co-fundadora do movimento 5am Club, em especial para o ENM
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