Ancelotti revela como vai reerguer o Brasil e diz que seleção não terá uma única identidade
Treinador espera ser possível reaproximar torcedor da seleção brasileira e vê geração atual com talento
Sem ganhar uma Copa do Mundo desde 2002, o Brasil voltará ser vencedor, na visão de Carlo Ancelotti, com "atitude, compromissos e sacrifício de todos". Essa é síntese da estratégia que vai implementar o renomado treinador italiano para reerguer a seleção mais vitoriosa do mundo.
"É tentar colocar em pouco tempo toda a qualidade que nós temos", começou a dizer Ancelotti nesta segunda-feira em sua primeira entrevista após escolher 25 atletas para os duelos com Equador e Paraguai, em junho. "Primeiro é se classificar e depois se preparar para o Mundial. Qualidade nós temos. Eu tenho muita confiança de que podemos nos sair bem e construir um time que possa competir contra qualquer um".
Ancelotti repetiu, durante a coletiva, que não falta qualidade na atual geração brasileira, dos mais jovens aos experientes, e que jogadores como Endrick, fora da lista por causa de lesão, ainda vão evoluir. "O futebol hoje é mais exigente do que quando eu comecei, por exemplo. Agora se exige dos jovens principalmente os grandes clubes que eles sejam esperto para jogar no nível máximo. Tem que estar preparado para fazer isso".
Ele reforçou não olhar a idade para convocar, mas sim "o passaporte" e os atributos, quando perguntado sobre a ideia de unir jovens e veteranos. "Casemiro está aqui, porque ele merece estar aqui pelas suas qualidades. Entre as qualidades, estão experiência, conhecimento, liderança. Não significa que está este porque é jovem. O Estevão está aqui porque tem qualidade", explicou.
"Logicamente a conexão com jovens traz entusiasmo, motivação e vontade. Experiência traz conhecimento, leitura das situações, liderança. Em um time, tudo isso tem que se juntar. O Estevão pode ajudar o Casemiro com o seu entusiasmo. O Casemiro pode ajudar o Estevão na atitude, no compromisso. Sempre é uma questão de conexão", acrescentou.
O italiano também teve de responder sobre a conhecida falta de conexão dos torcedores com a seleção brasileira, um problema frequentemente abordado nas entrevistas de todos os técnicos recentes do Brasil.
"Não tenho dúvida do que esperam de mim. O conhecimento que eu tenho de futebol, pelo tempo e experiência que eu tenho, esperam que eu faça um bom trabalho. Eu posso ajudar a seleção e me conectar à seleção", acredita ele. "É um aspecto importante para a CBF, para os jogadores, para o time. É importante ter o apoio e a ajuda de um país".
Ancelotti irá estrear contra o Equador no dia 5 de junho, no Monumental de Guayaquil, às 20h (de Brasília). O duelo seguinte é diante do Paraguai, dia 10, na Neo Química Arena, em São Paulo, às 21h45 (de Brasília). O Brasil tem 21 pontos e é o quarto colocado das Eliminatórias.
Veja os 25 jogadores convocados por Ancelotti
- Goleiros: Alisson (Liverpool), Bento (Al-Nassr) e Hugo Souza (Corinthians)
- Defensores: Alex Sandro (Flamengo), Alexsandro Ribeiro (Lille), Beraldo (PSG), Carlos Augusto (Inter de Milão), Danilo (Flamengo), Léo Ortiz (Flamengo), Marquinhos (PSG), Vanderson (Monaco), Wesley (Flamengo).
- Meias: Andreas Pereira (Fulham), Andrey Santos (Strasbourg), Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Ederson (Atalanta), Gerson (Flamengo).
- Atacantes: Antony (Real Bétis), Estêvão (Palmeiras), Martinelli (Arsenal), Matheus Cunha (Wolverhampton), Raphinha (Barcelona), Richarlison (Tottenham) e Vinicius Júnior (Real Madrid).