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Alguma coisa se salva na derrota do Brasil para Camarões? Analistas do Estadão opinam

Estratégia de Tite não funciona e seleção brasileira é derrotada em uma partida na fase de grupos da Copa pela primeira vez desde 1998

2 dez 2022 - 18h55
(atualizado às 21h36)
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Na última rodada da fase de grupos e já classificada às oitavas de final, a seleção brasileira perdeu sua primeira partida na Copa do Mundo do Catar. Com gol de Aboubakar, o Brasil desperdiçou a chance de se tornar a única seleção com 100% de aproveitamento no Catar. É a primeira vez desde 1998 que o Brasil perde uma partida na fase de grupos - naquele Mundial, seleção caiu diante da Noruega. A seleção enfrentará a Coreia do Sul na próxima fase. Confira análise dos profissionais do Estadão sobre os destaques da equipe do técnico Tite.

Robson Morelli, editor de Esportes

A seleção reserva joga por terra aquele discurso falso de que todos de Tite são titulares e de que o Brasil tem três times nesta Copa do Mundo. Não tem nem todos seriam titulares. Os reservas de Tite não foram bem juntos e a equipe precisa de seus principais atletas nas oitavas contra a Coreia do Sul. A derrota para Camarões mostrou isso. Faltou entrosamento, mas também passes certos, posicionamento correto, paciência e inteligência nas conclusões.

É preciso olhar com muita boa vontade para tirar alguma coisa desse time. Veja bem: do time. O que não quer dizer que eles possam entrar no próximo jogo e ir bem. Individualmente. Um aqui. Outro ali. Mas não todos juntos. Então, o Brasil tem um time só, o que ficou no banco, e outro que suou a camisa com o rival africano, o reserva que ainda não pode ser encarado como uma equipe pronta. Martinelli foi o melhor deles, o mais lúcido. Esses atletas se juntam para treinos comuns, nunca para coletivos ou jogos oficiais. Não tem mesmo como exigir deles. São reservas preparados para suas posições. Juntos, não formam nada.

Almir Leite, editor assistente de Esportes

Nenhum reserva da seleção brasileira empolgou no jogo com Camarões. O atacante Martinelli, porém, ganhou mais alguns preciosos pontos com Tite. Suas arrancadas pelo lado esquerdo foram a melhor opção para o time. Levou vantagem na maioria dos duelos com os defensores africanos, fez alguns bons cruzamentos, procurou sempre a direção do gol. Se salvou em um time que não pode reclamar da derrota.

Glauco de Pierri, editor assistente de Esportes

O desempenho sofrível da maior parte dos jogadores da seleção brasileira que perderam para Camarões ontem deixará o torcedor brasileiro ressabiado: se nas fases mais agudas da Copa do Mundo o Brasil precisar de alguém para mudar a história de um jogo, quem vai conseguir encarar a missão e mostrar um rendimento satisfatório?

Dos onze que iniciaram a partida e mais os outros que entraram no jogo (sem contar os titulares Marquinhos e Raphinha), apenas dois mostraram que Tite pode contar com eles, caso seja necessário - o goleiro Ederson e o atacante Martinelli. Dos outros, o que se viu foi individualismo, desentrosamento e tomadas de decisões erradas. E Daniel Alves, que sofreu na marcação, já pode voltar ao banco de reservas e comandar o batuque.

Raphael Ramos, editor assistente

A decisão de Tite de escalar um time só de reservas dificulta uma análise mais aprofundada sobre o desempenho da seleção brasileira. Mesmo assim, não é preciso muito esforço para perceber que praticamente não há nada de bom a se aproveitar na derrota para Camarões. Com exceção de Martinelli no ataque, nenhum outro jogador teve algum destaque. Destemido como sempre foi em sua curta carreira, o garoto foi para cima da defesa e sofreu com o jogo duro dos adversários.

Os demais reservas podem, no máximo, ajudar pontualmente a seleção. Mas, para vencer jogos difíceis, o Brasil precisa mais do que nunca dos titulares e, claro, Neymar. Sorte que o próximo desafio será contra a Coreia do Sul. Mesmo assim, o sinal de alerta está ligado.

Marcio Dolzan, repórter enviado especial a Doha

A derrota por 1 a 0 para Camarões foi a única boa notícia para a seleção em seu último jogo da primeira fase da Copa do Mundo. Não que a seleção africana merecesse placar mais elástico; ao contrário, o empate até seria o resultado mais justo. Acontece que a derrota era a única coisa capaz de fazer Tite, Cleber Xavier e seus demais auxiliares entenderem que Copa se ganha com os melhores em campo, não com discurso.

Escalar reservas nessa sexta-feira foi uma forma de dar descanso aos titulares e chance para os demais mostrarem trabalho. Só que a comissão técnica e os jogadores juraram de pés juntos ao longo da semana que o time reserva treina igual ao titular e que, por isso, saberia jogar da mesma forma. Não sabe, e isso ficou claro no Lusail.

O Brasil foi desorganizado diante de Camarões, foi atacado como não havia sido nos dois primeiros jogos e, como se não bastasse, viu seu lateral esquerdo reserva se lesionar. Talvez Tite tenha de improvisar alguém por aquele setor na segunda-feira, caso Alex Sandro não se recupere.

Mas, pelo menos, o Brasil perdeu. Agora o alerta está ligado. Vou considerar isso um alento.

Ricardo Magatti, repórter enviado especial a Doha

Se repetir no mata-mata o comportamento que apresentou diante de Camarões, a seleção brasileira não passará das oitavas, algo que só ocorreu em 1990. Em que pese o desentrosamento pelo uso de reservas diante dos camaroneses, o time de Tite jogou um futebol pobre tecnicamente. É uma decepção porque se esperava e ainda se espera muito mais de quem já mostrou que tem bola para brigar pelo hexa e que poderia jogar relaxado em razão da classificação antecipada, mas se mostrou nervoso.

Os titulares são melhores, é claro, mas é prudente nao subestimar a Coreia do Sul. Com ou sem Neymar, a vida do agora pressionado Brasil no mata-mata não será fácil.

Estadão
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