Contratação conturbada, Michael vira meta de recuperação no Fluminense
Em meio a nomes como Fred, Rafael Sóbis, Wellington Nem e Rhayner, o atacante Michael ocupava um lugar discreto no setor ofensivo do Fluminense. No entanto, tudo mudou – para pior – na última terça-feira, quando foi flagrado em exame antidoping. Aos 19 anos, o jogador nascido em São Francisco de Sales (MG) passou a ser o centro das atenções na equipe das Laranjeiras, que ainda digeria o caso de doping do meia Deco (furosemida) e a perda do título da Taça Rio para o Botafogo.
Em campo, a semana do Fluminense terminou de forma positiva, graças à vaga nas quartas de final da Copa Libertadores da América conquistada sobre o Emelec. Fora dele, o time se viu com um dilema em mãos: o futuro de Michael, contratado junto Rio Preto após se destacar na Copa São Paulo de futebol júnior de 2011. Em menos de dois anos, Michael se envolveu em negociação tumultuada, caso de doping e corte da Seleção Brasileira.
Ajudante de pedreiro na infância, Michael mora sem a família no Rio de Janeiro nos últimos dois anos. Atacante de ofício, chegou ao Rio Preto em 2010, permanecendo na equipe - que atualmente disputa a Série A3 do Campeonato Paulista - por menos de dois anos. Apesar de ganhar elogios do presidente do clube paulista, Vergílio Dalla Pria, o atacante é lembrado por sua saída conturbada, intermediada por um empresário local
“Tínhamos uma parceria na época com um técnico (João Santos, presidente de uma escolinha de futebol), mas acabamos sendo prejudicados. O Michael se destacou, despertou o interesse de vários times - entre eles, o Fluminense. Aí o técnico se aproveitou da situação e levou ele direto no Fluminense. Como ele era o procurador do jogador, sumiu com o nosso contrato e ficamos sem o atleta”, acusou, por meio de assessoria de imprensa, o presidente do Rio Preto, que move ações judiciais requerendo os direitos de Michael e contra João Santos.
Com mais espaço no elenco profissional em 2013, Michael passou a ganhar a confiança do técnico Abel Braga para ser opção a Fred. No Campeonato Carioca, ele marcou quatro gols, sendo três na vitória por 3 a 1 diante do Macaé em 27 de março. Assim, chamou a atenção do técnico da Seleção Brasileira Sub-20, Alexandre Gallo, que convocou o atleta para uma série de amistosos na Europa e no Espírito Santo. Suspenso pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RJ), Michael acabou cortado da relação.
Com o problema em mãos, o Fluminense agiu rapidamente: além de manter o jogador nos treinos do time na terça-feira, ofereceu ajuda. “Já conversamos com o atleta, que confirmou o uso de cocaína. Por isso, vamos optar por não fazer a contraprova”, disse Sandro Lima, gerente de futebol do clube. “É uma situação que ninguém gosta, mas é uma realidade sociocultural do País. Vamos ajudar no que for preciso”, acrescentou Rodrigo Caetano, diretor executivo do Flu.
No Rio Preto, apesar da mágoa com a saída de Michael, Vergílio Dalla Pria destacou a atuação da diretoria do Fluminense no caso de doping do atleta. “Vimos que foi um episódio isolado. Com certeza, deve ter usado a droga por estímulo de outras pessoas. É um garoto de índole boa, humilde, que tem um bom comportamento. Foi assim aqui, no tempo que jogou com a gente. Nos solidarizamos com ele e vemos que a diretoria do Fluminense e o grupo estão dando um suporte legal. Ele vai sair dessa”, disse Dalla Pria.
Inscrito na Libertadores para as oitavas de final, Michael deverá ser substituído para a próxima fase. Desfalcado no torneio, o clube espera recuperá-lo nos bastidores. “Vamos lutar para recuperar o cidadão, acima de tudo. Mas vai depender dele. Vamos oferecer o que há de mais moderno nesse tipo de tratamento”, disse Sandro Lima.