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Dispensado do Flu por ser gordinho, zagueiro do Fla encara final aos 18 anos

27 nov 2013 - 08h23
(atualizado às 08h37)
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Ao conversar com Samir, bastam poucos minutos para perceber a maturidade e humildade do jovem zagueiro do Flamengo. O jogador, 18 anos, chegou às divisões de base do clube rubro-negro em 2011, vindo do Audax-RJ, um pequeno time do Rio de Janeiro.

A promessa permaneceu na base do clube da Gávea até junho deste ano, quando estreou no time profissional, contra o Criciúma, pelas mãos do então interino Jayme de Almeida, que assumiu o grupo após a demissão de Jorginho. Tão logo assumiu o elenco, o novo técnico Mano Menezes fez questão de aproveitá-lo e apostar em seu potencial, escalando-o seguidamente.

<p>Samir pode conquistar primeiro t&iacute;tulo como profissional</p>
Samir pode conquistar primeiro título como profissional
Foto: Mauro Pimentel / Terra

Mas a carreira do defensor começou muito antes: no mirim do Fluminense. Cria de Xerém, o garoto foi dispensado do clube das Laranjeiras por ser pequeno e gordinho, aos 14 anos. A dispensa é até hoje uma das principais lembranças ruins em sua carreira. Hoje com um verdadeiro porte de zagueiro - tem 1,88 m -, a má fase ficou no passado.

Dono de uma personalidade ímpar, elogiada por Jayme, Samir não desistiu de seu sonho de criança, e com a persistência da mãe foi em busca de uma nova oportunidade e um recomeço nos gramados, que aconteceu no Audax. Nascido em São Gonçalo, mas criado em São João de Meriti, o jogador já atuou de volante e lateral, mas é como zagueiro, sua posição oficial, que ele se sente mais confortável e confiante.

Toda a persistência, garra e talento podem ser recompensados nesta noite, já que o zagueiro entrará em campo vestindo a camisa 33, como titular ao lado de Wallace, na final da Copa do Brasil contra o Atlético-PR. O experiente Chicão, que vinha atuando na equipe, teve uma lesão no músculo posterior da coxa direita no jogo de ida e será desfalque.

Em outubro, o zagueiro renovou seu vínculo com o Flamengo até o fim de 2017, o que para ele foi um grande presente e o reconhecimento pelo seu trabalho. E presente é o que Samir pretende ganhar nesta quarta-feira, no jogo contra o Atlético-PR: o título da Copa do Brasil, já que completa 19 anos no próximo dia 5 de dezembro, e a vitória seria uma das maiores e melhores lembranças de sua vida.

Confira a entrevista com Samir

Terra - Como foi o início da sua carreira?

Samir -

 Comecei no Fluminense, onde atuei por seis anos. Mas naquela época eu era bem gordinho, eles não esperaram o meu desenvolvimento e me dispensaram. Mas aqui no Flamengo eu tive a oportunidade de jogar e estar atuando.

Terra - Qual foi a maior dificuldade que você já passou?

Samir -

Foi quando eu fui mandado embora do Fluminense, eu queria parar de jogar. Eu também era criança e não sabia a verdadeira dimensão de tudo isso. Então eu queria parar de jogar, mas agradeço a Deus e principalmente à minha mãe, que nunca desistiu e sempre correu atrás para mim. Foi através dela, que conseguiu um teste no Audax, e lá permaneci por dois anos, que continuei. Depois vim para o Flamengo, e graças a Deus estou aqui até hoje.

Terra - Você sempre quis ser jogador de futebol ou pensou em ter outra profissão?

Samir -

Acho que esse é o sonho de toda criança: ser jogador de futebol. Eu também almejava isso. Gostava de futebol desde pequeno e vim concretizando o meu sonho aos pouquinhos. Graças a Deus, hoje estou aqui no Flamengo e jogando pela equipe profissional.

Flamenguista explica como se tornou zagueiro:
Terra - O que significou a assinatura de contrato com o Flamengo até o fim de 2017?

Samir - 

Trouxe mais segurança e o reconhecimento ao meu trabalho. Já era de longa data que eu estava procurando me estruturar financeiramente também, e graças a Deus hoje eu estou podendo sustentar a minha família. Era isso que eu queria. Mas sempre procurando ter os pés no chão e trabalhando para ter algo melhor para mim. Hoje venho conquistando tudo, mas com simplicidade e humildade.

Terra - O Flamengo tem tradição de bons zagueiros, que chegaram à Seleção Brasileira, como Mozer, Juan, Júnior Baiano.. Essa camisa tem um peso para você?

Samir -

 Eu estou tranquilo quanto a isso. Espero fazer meu nome aqui no clube, assim como eles fizeram também. Mas eu tenho que saber que sou o Samir. Me espelho sim neles, no Thiago Silva

(zagueiro do PSG e da Seleção)

também, mas eu quero deixar meu nome também marcado aqui na história, para que eu sirva de exemplo para essa nova juventude que está vindo.

Terra - O Thiago Silva é o seu ídolo?

Samir -

Ele é, sim. Desde pequeno ficava vendo ele jogar no Fluminense. Eu também estava lá. Então eu o acompanhei e sempre tive como um ídolo.

Terra - Você já atuou como volante, lateral e zagueiro. Qual a sua verdadeira posição?

Samir - 

Na verdade, aqui no Flamengo eu já joguei de tudo. Ali atrás já joguei em todas posições, menos de goleiro. Mas vim para o Flamengo como zagueiro, aí o professor Paulo Henrique

(ex-treinador da base do clube)

, que estava aqui anteriormente, me puxou para volante. Joguei nessa posição quase um ano e meio, e depois que ele saiu, entrou o Cléber

(dos Santos)

, com quem eu já tinha trabalhado no Audax, e preferiu me puxar para zagueiro novamente. E de lá para cá continuei de zagueiro.

Terra - Você se sente mais confortável na sua posição de origem?

Samir -

É a posição em que eu sempre joguei, então me sinto muito confortável.

Terra - Como será substituir Chicão na grande final contra o Atlético-PR?

Samir - 

Vai ser muito gratificante para mim. Um menino de 18 anos poder jogar uma final, caso eu venha a jogar, e substituir um grande ídolo, que é o Chicão. Fico muito feliz por tudo que vem acontecendo na minha vida, e agradeço ao professor Jayme pela oportunidade, caso eu jogue. Vou agarrar essa oportunidade com unhas e dentes para que possamos sair com o título.

Terra - No dia 5 de dezembro é seu aniversário de 19 anos. Disputar essa final seria um presente antecipado?

Samir - 

Com certeza, vai ser mais que um presente. Vou ficar muito feliz se tudo der certo e levarmos o título. Uma etapa já consolidamos, que era não ser rebaixado. Nos livramos disso. E agora é focar na final, para que tudo dê certo e eu possa comemorar o meu aniversário feliz com tudo isso.

Terra - Jayme te deu a primeira oportunidade no time titular, quando substituiu o Jorginho, após a demissão do então técnico, em junho. Na última semana, ele elogiou a sua personalidade, quando você chegou da base frente aos veteranos. Qual a importância do Jayme na sua vida?

Samir - 

Como vocês estão vendo diariamente, ele vem sendo essencial para mim. Ele que me deu a primeira oportunidade aqui no clube. Ele que vem depositando confiança em mim. Em relação a como eu cheguei aqui, a minha personalidade é essa. De me impor, porque zagueiro tem que ser respeitado. Tem hora de falar sério e tem hora de brincar, mas quando chega dentro de campo é tudo sério. Por isso eu impus o meu respeito aqui, e espero poder colaborar com a equipe para que possamos sair com o título.

Terra - Qual a importância do Jayme para um grupo que era desacreditado?

Samir - 

O professor Jayme vem depositando muita confiança no grupo, e a gente confia muito nele. Ele foi essencial. O nosso time era considerado um dos piores times do Campeonato Brasileiro. Então nós nos fechamos e nos unimos. Falamos que o Flamengo não merecia estar na situação em que estava. E graças a Deus todo mundo se uniu. A gente conseguiu fechar um ciclo que ninguém esperava, que era sair dessa situação no Brasileiro

(possibilidade de rebaixamento), 

e graças a Deus conseguimos no jogo contra o Corinthians

(vitória por 1 a 0 no último domingo)

.

Terra - O que você sentiu quando se lesionou, na partida contra o Criciúma, já que você vinha sendo escalado constantemente?

Samir - 

Foi muito angustiante e fiquei muito triste também por aquilo estar acontecendo comigo. Eu vinha batalhando tanto pela oportunidade, e estava tendo uma sequência boa de jogos e infelizmente aconteceu. Mas eu não fiquei triste por muito tempo, porque sabia que Deus estava preparando algo melhor para mim, e se ele me tirou naquele momento é porque estava me reservando para algo melhor. Então fiquei tranquilo. Lá em casa tem uma foto minha em uma estante dando entrevista, eu olhava aquela foto e ficava angustiado. Mas falei que tinha que parar com isso e pensar lá na frente, pois havia algo melhor para mim. Eu botava aquilo na cabeça e pude me recuperar o mais rápido possível. Apareceu a oportunidade, mas infelizmente o Chicão se machucou, e eu pude voltar bem e ajudar a equipe do Flamengo.

Terra - O que é jogar no Flamengo para você?

Samir - 

É inexplicável. Com 18 anos, jogar em um clube dessa dimensão e poder disputar um título, jogar de titular, é muito importante para mim. Só tenho que agradecer à instituição Flamengo, pelas oportunidades que vêm acontecendo na minha vida financeira, profissional e todo o resto de bom. Quero convocar a torcida do Flamengo para que compareça ao estádio para nos empurrar do início ao fim, e assim sair com o título.

Terra - Nervosismo com a partida desta noite?

Samir -

 Dá um friozinho na barriga. Mas isso acontece com todos os atletas. É preciso saber lidar com isso. Isso é apenas o início da minha carreira, e vou enfrentar bem. Estou até tranquilo, focado e concentrado para que tudo dê certo do início ao fim, embora saiba que o estádio estará lotado.

Goleiro do Fla desabafa: "fomos esculachados o ano inteiro":
Terra - Quando você estava no rival Fluminense, imaginava que estaria hoje no Flamengo vivendo essa emoção, com 60 mil pessoas te apoiando no Maracanã?

Samir -

Não imaginava. Imaginava que tudo na minha vida ia dar certo, mas não aqui no Flamengo. O Flamengo foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida nesses anos. Imaginar o Maracanã lotado… Ouvir o nosso nome ser gritado é de arrepiar. Por isso que eu corro, dou a vida e me entrego ali, para que tudo dê certo. Quero muito sair com o resultado positivo e ajudar o Flamengo.

Terra - Qual é o seu maior sonho na carreira?

Samir -

O sonho de todo jogador é atuar na Europa, mas primeiro quero deixar o meu nome no Flamengo. Não quero sair agora, quero fazer meu nome aqui. Todo mundo quer vestir a camisa da Seleção. Eu já tive o privilégio de vesti-la, quando estava na base, disputando o Sul-Americano Sub-20. É um gostinho diferente, então quero poder voltar a vestir, mas agora na equipe profissional. Então estou trabalhando muito para que isso aconteça futuramente.

Fonte: Artevista Comunicação, Assessoria e Empreendimentos Culturais Ltda - Especial para o Terra Artevista Comunicação, Assessoria e Empreendimentos Culturais Ltda - Especial para o Terra
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