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Escolas e torneios recebem mais crianças que querem correr, pedalar e nadar no triatlo infantil

Campeonato Brasileiro infantil registrou 380 participantes, quase o dobro do ano passado

23 dez 2022 - 08h23
(atualizado às 18h17)
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Escolinhas e competições de triatlo infantil, modalidade em que as crianças a partir dos 8 anos correm, nadam e pedalam na mesma competição, registraram aumento dos praticantes em 2022. O Campeonato Brasileiro infantil, por exemplo, contou com 380 crianças, quase o dobro dos 200 meninos e meninas que se inscreveram no ano passado.

O torneio nacional foi disputado em Caiobá, no litoral paranaense, no dia 20 de novembro. Durante as provas, meninos e meninas de 8 e 9 anos fazem o percurso de 100m de natação, 1,25 quilômetros de ciclismo e, por fim, 500 m de corrida. As distâncias vão aumentando com a elevação da faixa etária.

As crianças estão se destacando também nos torneios estaduais. Para a Federação Paulista de Triathlon, um dos atletas do ano é Bianca Lucenti, de 8 anos. A representante da equipe Carol Furriela conquistou dois títulos em sua categoria (triathlon Infantil e duathlon infantil). A especialista destaca o papel dos pais. "Percebemos sim um aumento significativo dos pais praticando triathlon. Algumas organizações tem investido em provas infantis com distâncias especiais, na mesma data das provas dos pais. Isso faz com que os pais realmente sejam exemplos para os filhos de uma vida saudável, ativa e que traz todos os ensinamentos do esporte", diz Furriela.

Os pais de Bianca - Bruno Lucenti e Michelle Lucenti - são triatletas com vários títulos na carreira. "Eles fazem muitas provas e encaixam a rotina de treinos da Bianca na rotina deles. A criança passa a enxergar o esporte como algo acolhedor e não um espaço onde os pais passam mais tempo treinando do que com ela", diz Furriela.

De acordo com a Confederação Brasileira de Triathlon, o registro federativo também vem aumentando. Em 2021, foram 348; em 2022, esse número subiu para 878. Em 2023, o registro já conta com 18 atletas com menos de 17 anos inscritos.

O ritmo puxado é característico apenas das competições. No dia a dia das escolas, as crianças de 8 a 16 anos não fazem tudo na sequência. Trata-se de uma metodologia mais lúdica, como explica o professor e ex-triatleta Juraci Moreira, um dos maiores representantes da modalidade no Brasil com participações em três edições de Jogos Olímpicos (Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008).

"Quando as crianças entram na escolinha, a intenção é educar por meio do esporte, brincar realizando atividade física. Esse é o nosso conceito, que vai aumentando o interesse no Brasil inteiro", diz. "A ideia é desmistificar a modalidade como algo restrito para os super-heróis, com as competições do tipo iron man. O triatlo pode ser brincar de correr, de pedalar e de nadar, mas com profissionais habilitados e com segurança", completa.

Juraci é o gestor da escolinha "Formando Campeões", projeto que possui 18 núcleos em várias cidades do País com a chancela da Confederação Brasileira de Triathlon. Todas as unidades estão com fila de espera mesmo após o aumento do número de vagas disponíveis.

As escolas são projetos sociais incentivados, ou seja, mantidos com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte. A prioridade são alunos da rede pública e que devem estar regularmente matriculados e com boas notas. As crianças recebem os uniformes e equipamentos de uso compartilhado, como bikes e capacetes. Não são cobradas mensalidades.

Triatletas afirmam que a escola realiza um importante trabalho para a formação das categorias de base do atletismo brasileiro. Projetos de triathlon destinados às crianças, como o Instituto Fernanda Keller e o Projeto Monike Azevedo também merecem destaque. Nos últimos quatorze anos, a triatleta Fernanda Keller vem desenvolvendo, gratuitamente, projetos sociais em Niterói, sua cidade natal, voltados para o atendimento de crianças e adolescentes de baixa renda, com idades entre 7 e 18 anos, todos estudantes da rede pública de ensino.

Já o projeto Monike Azevedo, criado no ano de 2007 como entidade sem fins lucrativos, já atendeu mais de 5 mil crianças nos últimos cinco anos, fomentando o ciclismo, o triathlon e o mountain bike.

Os projetos promovem a inclusão e a diversidade em um esporte que exige altos investimentos para quem está começando. Uma bicicleta mountain bike, por exemplo, custa, em média, R$ 1500. "Quando eu me aposentei em 2014, eu me identifiquei com a dificuldade de tornar o triatlo um pouco mais acessível. Não é um esporte barato. Queria que as crianças praticassem o esporte de maneira gratuita. Foi assim que nasceu a escola em Curitiba", conta.

Estadão
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