Script = https://s1.trrsf.com/update-1785273314/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Crise na Fifa se aprofunda com saída de conselheiro e oposição de federações a plano de investimento

Após a ameaça da confederação europeia de futebol (Uefa) de boicotar a Copa do Mundo, a oposição ao plano da Fifa de abrir espaço para investidores privados ganhou força nesta sexta-feira (31), com a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestando sua objeção. Além disso, Carlos Cordeiro, conselheiro sênior do presidente da entidade, Gianni Infantino, renunciou ao cargo.

31 jul 2026 - 12h58
Compartilhar
Exibir comentários

Ex-banqueiro, Cordeiro argumentou que "vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 21,4 bilhões) faz pouco sentido". Ele acrescentou que isso "é hipotecar o futuro desse esporte sem uma justificativa convincente". 

A AFC manifestou seu apoio às posições da Uefa e da Concacaf, considerando que o projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE) "não conseguiria alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar". Aberta a investidores privados, a nova empresa ficaria encarregada de administrar as atividades comerciais e de eventos da entidade.

A Confederação Asiática, composta por 47 membros, também pediu uma revisão "urgente" da estrutura de governança da Fifa. Revelado de surpresa na terça-feira (29), o plano da entidade tem enfrentado críticas generalizadas, tanto em relação ao seu conteúdo quanto à forma como foi apresentado.

A Uefa, que representa 55 federações europeias e inclui sete das últimas dez seleções campeãs mundiais, chegou a emitir na quinta-feira (30) uma ameaça formal e "unânime" de boicotar futuras competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto não seja abandonado.

Enquanto isso, a Concacaf, que reúne 41 federações da América do Norte, América Central e Caribe, "rejeitou a proposta". As confederações da África e da Oceania foram menos críticas, pedindo às suas associações-membro que "examinassem" e "avaliassem" a ideia.

'Proposta ultrajante'

A controvérsia em torno da iniciativa provocou reações até mesmo entre líderes de Estados. O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, classificou o projeto FFE como "uma proposta ultrajante" e considerou Gianni Infantino "a pessoa errada para liderar" o futebol mundial.

Em uma tentativa de acalmar os ânimos e diminuir a pressão, a entidade divulgou um comunicado nesta sexta-feira, afirmando que "ninguém está vendendo o futebol".

"Isso é algo que a Fifa jamais consideraria", indicou a organização. "Respeitamos as opiniões e preocupações que vieram a público e reafirmamos nosso compromisso de realizar uma consulta aberta e democrática" para que cada federação "possa tomar uma decisão com base em fatos concretos", acrescentou a Fifa.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino (à direita), conversa com o presidente da Uefa, Aleksander, durante a 75ª Assembleia Geral, no Paraguai, em 15 de maio de 2025.
Presidente da Fifa, Gianni Infantino (à direita), conversa com o presidente da Uefa, Aleksander, durante a 75ª Assembleia Geral, no Paraguai, em 15 de maio de 2025.
Foto: RFI

Caso o projeto avance e a FFE seja criada, investidores privados poderão deter ações, mas permanecerão como acionistas minoritários, com uma participação de cerca de 20%. O objetivo é arrecadar até US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 21,4 bilhões), com base em uma avaliação de mercado para a futura empresa.

Entre os potenciais investidores, críticos apontaram o envolvimento do fundo monetário Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão de Jared, genro de Donald Trump. Essa possibilidade surge no momento em que Gianni Infantino tem demonstrado frequentemente sua proximidade com o presidente dos EUA, principalmente durante a Copa do Mundo.

'É uma forma de chantagem'

Se o projeto for aceito, cada uma das 211 associações-membro da Fifa poderá receber um pagamento único de US$ 20 milhões (mais de R$ 100 milhões) no início de 2027 e ver a alocação de recursos aumentar até 2030.

"É uma forma de chantagem", observou nesta sexta-feira Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, argumentando que a Fifa "não precisava desse dinheiro". 

A organização lançará este projeto "apenas se a maioria das associações decidir apoiá-lo". As federações têm até 19 de setembro para tomar sua decisão, segundo uma carta de Infantino enviada às entidades, revelada por diversos veículos de comunicação.

A Uefa classificou a medida como "um ultimato" e uma forma de "governança pelo medo". Esse cronograma apertado também é impulsionado pela corrida eleitoral dentro da Fifa. Infantino concorre à reeleição em março de 2027, pleito para o qual ele é, atualmente, o único candidato declarado.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra