Memphis busca terceiro título no Corinthians, mas renovação é incógnita após atraso em pagamentos
Referência técnica da equipe de Dorival Júnior, o craque holandês tem contrato apenas até a metade do ano e cobra da diretoria valores em aberto referentes a bônus e premiações
Memphis Depay terá a chance de conquistar o terceiro título pelo Corinthians, neste domingo, quando a equipe paulista encara o Flamengo, no Mané Garrincha, em Brasília, pela Supercopa Rei. Campeão do Paulistão e da Copa do Brasil exercendo papel de protagonismo, o camisa 10 é uma liderança técnica e referência para os torcedores, mas a dificuldade do clube em honrar com pagamentos atrasados ao atacante deixam a renovação do contrato com o jogador, com vínculo somente até junho, mais distante.
O Corinthians vai receber R$ 6,35 milhões apenas pela participação na Supercopa. Caso seja campeão, o clube embolsa mais US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões), valor repassado pela Conmebol à CBF. Se o título vier, a arrecadação total chega a aproximadamente R$ 11,5 milhões, dos quais R$ 4,7 milhões (40,8%) serão pagos a Memphis, conforme cláusula contratual que prevê esse valor a cada conquista enquanto o vínculo estiver vigente. Com isso, a diferença financeira para o Corinthians entre o vice-campeonato e o título é de apenas R$ 300 mil.
Memphis acumula 66 partidas pelo Corinthians, sendo 52 como titular. Ele já marcou 19 gols, incluindo o que garantiu o título da Copa do Brasil, e distribuiu 14 assistências. Desde que chegou ao Brasil, o atacante foi convocado por cinco vezes para a defender a Holanda e, neste período, tornou-se o maior artilheiro da história da seleção, balançando as redes 54 vezes.
Focado na reformulação do elenco para 2026, o Corinthians ainda não discutiu a renovação de contrato dos atletas cujo vínculo encerra-se nesta temporada, como André Ramalho, Carrillo, Vitinho e Hugo. A diretoria trabalha para enxugar a folha de pagamento e se desfez de alguns jogadores, parte deles com altos salários. É o caso Caso de Maycon, Romero, Fagner, Talles Magno, Angileri, Hector Hernández e Félix Torres.
No orçamento de 2026, o Corinthians prevê fechar o ano com superávit de R$ 12 milhões. Para concretizar o plano, colocou em prática ações de corte de gastos tanto no futebol quanto no clube social.
Dívida bilionária atrapalha planejamento
O Corinthians atravessa grave crise financeira, com uma dívida total de aproximadamente R$ 2,8 bilhões. A diretoria precisou fazer de um empréstimo de R$ 70 milhões junto à Futebol Forte União (FFU) para derrubar o transfer ban, punição da Fifa que impediu a inscrição de jogadores, pagar despesas a curto prazo, como salários de atletas. O clube ainda tem em aberto parte da premiação do elenco pela conquista da Copa do Brasil.
Em meio à crise, o Corinthians abriu mão da contratação do meia Alisson, pedido expresso do técnico Dorival Júnior, porque não chegou em um denominador comum com o São Paulo pela contratação do jogador por empréstimo. Como a transação poderia fazer o time alvinegro ter de desembolsar até R$ 20 milhões para ficar com atleta em definitivo, incluindo gatilhos contratuais, o negócio melou.