Hugo Souza vê mudança de ânimo no Corinthians com chegada de Diniz e mantém sonho por Copa
Goleiro do Timão também falou sobre posicionamentos fora de campo e identificação com a torcida
Hugo Souza se firmou como uma das lideranças do Corinthians desde que chegou ao Parque São Jorge. Seja nas conquistas do Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa ou em momentos de luta contra a zona de rebaixamento, o goleiro deu as caras ao torcedor ao longo de seus 113 jogos com a camisa alvinegra.
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A reciprocidade do carinho com o corintiano não é por acaso. Os dias de Neo Química Arena fizeram o camisa 1 reencontrar a alegria no futebol em sua vida e, também, o ajudaram a voltar a ser convocado para a Seleção Brasileira, o que o faz querer escrever mais capítulos dessa história.
“Sou muito do momento. Estou muito feliz com tudo que vivo aqui dentro e o momento pede que eu continue construindo minha história aqui dentro. É isso que quero fazer, é dessa forma que quero encarar, o futuro a Deus pertence. Só que eu quero realmente continuar construindo uma história incrível aqui. É o clube que me abraçou, me ensinou muita coisa, me fez voltar a ter prazer de jogar futebol, o clube que fez eu amar ele. Quero viver isso aqui. Hoje eu sou Coringão”, se declara em entrevista ao Terra.
Corinthians sob o comando de Fernando Diniz
Na relação entre Hugo Souza e o Corinthians, um dos momentos mais delicados é recente: nove jogos sem vencer, o que resultou na demissão de Dorival Júnior. A mudança veio com a chegada de Fernando Diniz, que acumula uma sequência de cinco jogos sem saber o que é perder ou levar gols.
Para o goleiro do Timão, a mudança de postura após a troca na comissão técnica também passa pelo aspecto emocional dos jogadores, motivados pela chance de mostrar serviço ao novo treinador: “Quando você troca de trabalho, é comum que gere um ânimo maior, um querer maior de todo mundo. Todo mundo quer agradar o professor que está chegando, todo mundo quer fazer diferente, todo mundo quer fazer algo a mais. O que a gente tem que saber é continuar fazendo isso ao longo do tempo, para que isso seja uma coisa que esteja enraizada na gente. O nosso trabalho agora é manter isso vivo”.
Quando Diniz foi anunciado, uma das curiosidades do torcedor foi quanto à maneira que Hugo iria se adaptar às exigências de jogar com os pés que o treinador coloca em seus goleiros.
Até o momento, o camisa 1 tem uma média de 23,5 passes por partida nos quatro jogos em que esteve à disposição de Diniz - ele foi desfalque contra o Barra por causa de um desconforto muscular. Para efeito de comparação, a média foi de 26,75 nos últimos quatro compromissos sob o comando de Dorival Júnior.
Em meio aos diferentes contextos e a pouca mudança do lado estatístico, Hugo entende que o trabalho de Diniz em relação ao seu lado ‘líbero’ já começou a ser feito e tende a ficar mais evidente.
“Mudou e vai mudar durante o tempo, o tempo vai dizer isso. Ele vai começar a implementar o trabalho dele da melhor forma possível e com isso vai aparecer nos jogos tudo o que ele pedir para a gente. Se eu tiver que ser acionado dessa forma, estou pronto. Vou fazer o meu melhor para ajudar a equipe. Ele sabe que estou pronto, ele vê no dia a dia, vê nos treinamentos”, explica o ídolo corintiano.
Com a mudança de ânimo após a chegada de Diniz, o Corinthians largou bem na Libertadores: duas vitórias em dois jogos. Em contrapartida, os dois empates em 0 a 0 no Brasileiro contra Palmeiras e Vitória, respectivamente, colocaram o Timão na zona de rebaixamento.
“A gente tem metas que são estabelecidas pelo clube e a gente também tem metas coletivas por nós, jogadores. A nossa é sempre brigar por tudo que a gente puder e ser o nosso melhor para que a gente possa ajudar o clube da melhor forma.Temos certeza de que a situação em que nos encontramos hoje não permanecerá assim. Sabemos do potencial que temos e o que podemos apresentar. Temos certeza de que isso vai mudar no Brasileiro e que a gente vai seguir bem nas Copas também”, responde sobre os objetivos para a temporada.
Paredão nos pênaltis e Seleção Brasileira
Com suas atuações no Corinthians desde julho de 2024, Hugo Souza voltou a ser convocado para a Seleção Brasileira e foi chamado em todas as cinco listas de Carlo Ancelotti, seja na convocação inicial ou após cortes. Antes, ele já havia sido chamado por Tite em 2018, quando ainda estava no sub-20 do Flamengo.
Agora, a pouco menos de um mês para a divulgação dos 26 nomes que vão representar o Brasil no Mundial, o goleiro vive a expectativa de ser lembrado por Carlo Ancelotti. A concorrência é principalmente contra Alisson, do Liverpool, Ederson, do Fenerbahçe, e Bento, do Al Nassr.
Além dos milagres feitos com a bola rolando, Hugo tem outro ponto que o fortalece na luta pela Copa do Mundo: a qualidade em disputas por pênaltis. São 14 defendidos apenas com a camisa do Corinthians.
“Tenho certeza de que isso é uma coisa que me ajuda e me credencia a brigar por uma vaga na Copa do Mundo. Mas acho que não é só por isso também, tem todo um contexto do goleiro que sou, do que apresento dentro do campo. Os pênaltis, claro, são um bônus que me credenciam de uma forma muito forte, mas é uma decisão muito do treinador. Tenho que pensar no que eu controlo, o meu trabalho. É isso que vou me preocupar em fazer. Foi meu trabalho que me levou até a Seleção e eu tenho que continuar fazendo ele da melhor forma ou até mais do que eu vinha fazendo para que eu possa me manter lá”, afirma o jogador do Corinthians.
Desde que virou presença constante nas convocações, Hugo passou a acompanhar os anúncios com mais ansiedade. Na última, porém, a expectativa se transformou em tristeza após não ser chamado na lista inicial para os amistosos contra Croácia e França.
“Bateu uma tristeza na hora. Faz parte. Mas foi um combustível para mim. Um combustível muito forte, muito grande. Usei isso para trabalhar mais, para me empenhar mais. E, quatro dias depois, veio a notícia de que eu estava sendo convocado. Claro que ficou uma tristeza na hora, mas ao mesmo tempo serviu de combustível e de uma forma muito forte para que eu pudesse continuar trabalhando”, recorda.
Posicionamentos fora de campo
Mais do que uma referência dentro de campo e no vestiário do Timão, Hugo Souza tem se destacado por posicionamentos fora das quatro linhas. O goleiro se tornou uma voz na luta contra o racismo no futebol e voz ativa em outros temas muitas vezes deixados de lado.
Recentemente, por exemplo, saiu em defesa de Carlos Miguel após o goleiro do Palmeiras ser alvo de ataques racistas por parte de torcedores do Corinthians na Neo Química Arena. Semanas antes, se solidarizou com a árbitra Daiane Muniz, alvo de falas machistas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino.
“Tudo influenciou para que eu pudesse ter uma mudança de mentalidade. Faço um trabalho ao longo de alguns anos já, mental, com o meu coach e tudo mais, o Vitor. Também tenho meus amigos perto de mim, tenho minha família perto de mim. E tá todo mundo dentro do mesmo contexto. Tenho uma personalidade que gosto de lutar por quem sou, pelos meus e por tudo que fere quem eu sou" explica.
Ao se posicionar, Hugo não escapa de ataques por sua postura. O goleiro, porém, afirma que não será calado pelos ‘haters’.
“Vou continuar me posicionando quantas vezes for necessário, mesmo que isso me faça tomar porrada. Não tenho medo nenhum disso. Não é o confronto das pessoas comigo que vai me fazer mudar quem eu sou e no que acredito. Se Deus me colocou em uma posição em que as pessoas podem me ouvir, por que não falar?”, completa.

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