Muller diz que geração precisa ‘aprender a jogar pela Seleção’ e avisa: ‘30% do Neymar é suficiente’
Ídolo do São Paulo conquistou a Copa do Mundo de 1994
Muller escreveu seu nome na história da Seleção Brasileira ao disputar três edições de Copa do Mundo, com direito ao título em 1994. Com a visão de quem já esteve entre os protagonistas de uma convocação até a de ter o papel de um reserva de luxo, o ex-atacante conhece como poucos o ambiente de um Mundial.
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Mais de 20 anos após pendurar as chuteiras, o ídolo do São Paulo vive o lado de fora das quatro linhas e muitas vezes odiado pelos jogadores: o de comentarista esportivo. Em conversa com o Terra, ele abriu suas opiniões sobre o elenco comandado por Carlo Ancelotti e apontou aquele que considera o grande problema da geração atual.
“O jogador tem que aprender a jogar na Seleção Brasileira. Eles são protagonistas nos seus clubes, isso é legal, mas não são na Seleção. É diferente do jogador argentino, que não é protagonista nos seus clubes, mas é na seleção. Você pode ver que hoje a Seleção Brasileira tem mais dificuldade porque não tem um time, não tem uma cara. Até porque nós temos poucos jogadores que são titulares”, explica o ex-jogador.
Em sua época, Muller e os companheiros também tiveram que lidar com as particularidades de vestir a Amarelinha. Na primeira Copa do Mundo que disputou, em 1986, o ainda garoto sentiu pela primeira vez o universo de um Mundial.
Quatro anos depois, em 1990, o atacante conseguiu colocar sua experiência dentro de campo e teve sua melhor Copa no aspecto individual, mas teve de se contentar com a eliminação para a Argentinas nas oitavas de final em Turim, na Itália, onde jogava na época.
O título, por fim, veio em 1994, já no papel de reserva e mais importante fora do que dentro de campo. Para ele, coletivamente, a principal diferença da conquista do tetracampeonato para as edições anteriores foi a decisão de deixar o ego de lado.
“Nós deixamos certas vaidades de lado, nos unimos dentro da concentração e conseguimos vencer o tetracampeonato. Todo jogador quer jogar um jogo de Copa. É normal. Essa vaidade de querer ser titular muitas vezes atrapalhou nas Copas de 86 e 90. 94 eu estava no auge da minha carreira e não joguei, mas só que me doei, joguei de outra maneira, fui líder fora de campo, no vestiário. Essa contribuição também é importante para a conquista de uma Copa”, recorda.
De 1994 a 2026, 32 anos se passaram, mas uma semelhança marca os dois elencos: o período recorde de 24 anos sem conquistar o troféu mais importante do futebol. Com o conhecimento de quem já lidou com esse peso, Muller sabe da importância de os jogadores evitarem influência externa durante a competição.
@terraesportes Campeão da Copa do Mundo de 1994, Muller recordou a conquista do tetracampeonato e os outros dois Mundiais que disputou, em 1986 e 1990. #TerraEsportes #Muller #SeleçãoBrasileira ♬ som original - Terra Esportes
“Olha, jogo de Copa, sem celular. A Copa do Mundo é um tiro curto. Como eu disse, todo sacrifício é válido. A gente fez isso no Mundial de 94 e foi de grande proveito para nós. Antigamente era fita de VHS, jornal impresso. A gente não deixava entrar nada disso na concentração. Não queria saber nada do que estava acontecendo fora, porque estava concentrado dentro do que a gente podia conquistar, que era o tetracampeonato. As vozes de fora não podem afetar dentro”, destaca o tetracampeão.
@terraesportes Campeão da Copa do Mundo de 1994, Muller conversou com o Terra e aconselhou os jogadores da atual geração da Seleção Brasileira. #TerraEsportes #Muller #SeleçãoBrasileira ♬ som original - Terra Esportes
Na equipe de Carlo Ancelotti, a grande incógnita é Neymar, craque da Seleção Brasileira nos últimos três Mundiais. Mesmo com os problemas físicos do camisa do Santos, Muller não tem dúvidas de que ele ainda é o melhor jogador entre os possíveis convocados.
“Acho que o grande adversário do Neymar são as contusões. Ele tem até março para poder entrar em forma e ser convocado. O Neymar não vai chegar à sua forma física 100%. Ele chegando a 30% está bom, porque a sua capacidade todo mundo conhece. Ele tem que aprender a se adaptar ao seu momento e à mentalidade do treinador da Seleção Brasileira. Ele tem que aprender a jogar meia hora, 40 minutos”, explica.
Além de reconhecer a importância do camisa 10 do Santos na busca pelo hexacampeonato, acredita que outros nomes merecem mais oportunidades no ataque da Seleção.
“Se estiver bem, o Pedro, do Flamengo, eu levaria. O Kaio Jorge, do Cruzeiro, eu levaria. Acho que são jogadores melhores que o Richarlison. Se eu fosse o Ancelotti, levaria também para estar junto com o grupo, entrar de vez em quando. Eles têm plenas condições de jogar na Seleção Brasileira, estando bem claro”, completa.